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Carta Apostólica ‘Admirabile Signum’ (‘O Sinal Admirável’), do Papa Francisco, sobre o significado e valor do Presépio
“Presépio manifesta a ternura de Deus”
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“Apoiar a bonita tradição das nossas famílias de prepararem o Presépio”. Foi com este objetivo que o Papa Francisco escreveu a Carta Apostólica ‘Admirabile Signum’ (‘O Sinal Admirável’), sobre o significado e valor do Presépio. “Desejo que esta prática nunca desapareça; mais, espero que a mesma, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir e revitalizar”, deseja o Papa.

 

“O sinal admirável do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da Encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura”. É desta forma que o Papa Francisco inicia a Carta Apostólica ‘Admirabile Signum’, (‘O Sinal Admirável’), publicada no passado dia 1 de dezembro, Domingo I do Advento.

No ponto 1, Francisco explica desde logo o objetivo do documento. “Com esta Carta, quero apoiar a bonita tradição das nossas famílias de prepararem o Presépio, nos dias que antecedem o Natal, e também o costume de o armarem nos lugares de trabalho, nas escolas, nos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, nas praças… Trata-se verdadeiramente dum exercício de imaginação criativa, que recorre aos mais variados materiais para produzir, em miniatura, obras-primas de beleza. Aprende-se em criança, quando o pai e a mãe, juntamente com os avós, transmitem este gracioso costume, que encerra uma rica espiritualidade popular. Desejo que esta prática nunca desapareça; mais, espero que a mesma, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir e revitalizar”, deseja.

 

A origem do Presépio

O Papa lembra que “a origem do Presépio fica-se a dever, antes de mais nada, a alguns pormenores do nascimento de Jesus em Belém, referidos no Evangelho”. “O evangelista Lucas limita-se a dizer que, tendo-se completado os dias de Maria dar à luz, «teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (2,7). Jesus é colocado numa manjedoura, que, em latim, se diz praesepium, donde vem a nossa palavra presépio”, refere.

Esta Carta Apostólica foi assinada pelo Papa Francisco em Greccio, no Santuário do Presépio, a cerca de 100 quilómetros a norte do Vaticano, onde, no Natal de 1223, São Francisco de Assis realizou a primeira representação da Natividade. Em ‘Admirabile Signum’, o Papa recorda esta história. “As Fontes Franciscanas narram, de forma detalhada, o que aconteceu em Greccio. Quinze dias antes do Natal, Francisco chamou João, um homem daquela terra, para lhe pedir que o ajudasse a concretizar um desejo: «Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incómodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha de uma manjedoura, entre o boi e o burro». Mal acabara de o ouvir, o prestável amigo foi preparar, no lugar designado, tudo o que era necessário segundo o desejo do Santo. No dia 25 de dezembro, chegaram a Greccio muitos frades, vindos de vários lados, e também homens e mulheres das casas da região, trazendo flores e tochas para iluminar aquela noite santa. Francisco, ao chegar, encontrou a manjedoura com palha, o boi e o burro. À vista da representação do Natal, as pessoas lá reunidas manifestaram uma alegria indescritível, como nunca tinham sentido antes. Depois, o sacerdote celebrou solenemente a Eucaristia sobre a manjedoura, mostrando também deste modo a ligação que existe entre a Encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia”, conta.

Para o Papa, “com a simplicidade daquele sinal, São Francisco realizou uma grande obra de evangelização”. “O seu ensinamento penetrou no coração dos cristãos, permanecendo até aos nossos dias como uma forma genuína de repropor, com simplicidade, a beleza da nossa fé”, salienta. Neste sentido, o Presépio suscita “tanto enlevo” e “comove” porque “manifesta a ternura de Deus”. “Ele, o Criador do universo, abaixa-se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida”, garante, sublinhando que “armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém”.

 

Os vários sinais do Presépio

Nesta sua Carta Apostólica, o Papa descreve também os “vários sinais do Presépio”. “Em primeiro lugar, representamos o céu estrelado, na escuridão e no silêncio da noite. Fazemo-lo não apenas para ser fiéis às narrações do Evangelho, mas também pelo significado que possui. Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-se presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? Donde venho? Porque nasci neste tempo? Porque amo? Porque sofro? Porque hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus se fez homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão”, refere, destacando, depois, o papel dos “pastores”, as “primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida”. “São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação. A Deus, que vem ao nosso encontro no Menino Jesus, os pastores respondem, pondo-se a caminho rumo a Ele, para um encontro de amor e de grata admiração”, frisa o Papa.

 

As figuras simbólicas do Presépio

Na Carta Apostólica ‘O Sinal Admirável’, o Papa Francisco recorda que “nos nossos Presépios, costumamos colocar muitas figuras simbólicas”. “Em primeiro lugar, as de mendigos e pessoas que não conhecem outra abundância a não ser a do coração. Também estas figuras estão, de pleno direito, próximas do Menino Jesus, sem que ninguém possa expulsá-las ou afastá-las de um berço de tal modo improvisado que os pobres, ao seu redor, não destoam absolutamente. Antes, os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós”, observa o Papa.

O texto refere, depois, “outras figuras” que por vezes surgem nos Presépios: “Muitas vezes, as crianças (mas os adultos também!) gostam de acrescentar, no Presépio, outras figuras que parecem não ter qualquer relação com as narrações do Evangelho. Contudo, esta imaginação pretende expressar que, neste mundo novo inaugurado por Jesus, há espaço para tudo o que é humano e para toda a criatura. Do pastor ao ferreiro, do padeiro aos músicos, das mulheres com a bilha de água ao ombro às crianças que brincam… tudo isso representa a santidade do dia a dia, a alegria de realizar de modo extraordinário as coisas de todos os dias, quando Jesus partilha connosco a sua vida divina”.

 

O Presépio como transmissor da fé

No décimo e último ponto da Carta Apostólica ‘Admirabile Signum’, o Papa sublinha que as recordações da construção do Presépio “induzem-nos a tomar consciência, sempre de novo, do grande dom que nos foi feito, transmitindo-nos a fé” e “fazem-nos sentir o dever e a alegria de comunicar a mesma experiência aos filhos e netos”. “Não é importante a forma como se arma o Presépio; pode ser sempre igual ou modificá-la cada ano. O que conta é que fale à nossa vida. Por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre”, garante Francisco, reforçando que o Presépio “faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé”. “A partir da infância e, depois, em cada idade da vida, educa-nos para contemplarmos Jesus, sentirmos o amor de Deus por nós, sentirmos e acreditarmos que Deus está connosco e nós estamos com Ele, todos filhos e irmãos graças àquele Menino Filho de Deus e da Virgem Maria. E educa para sentirmos que nisto está a felicidade”, termina o Papa.

 

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Maria, José, Menino Jesus e Reis Magos na Carta Apostólica ‘O Sinal Admirável’

 

Maria

“Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e o mostra a quantos vêm visitá-lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado. Ao anúncio do anjo que lhe pedia para se tornar a Mãe de Deus, Maria responde com obediência plena e total. As suas palavras – «eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38) – são, para todos nós, o testemunho do modo como abandonar-se, na fé, à vontade de Deus. Com aquele «sim», Maria tornava-se mãe do Filho de Deus, sem perder – antes, graças a Ele, consagrando – a sua virgindade. Nela vemos a Mãe de Deus que não guarda o seu Filho só para si mesma, mas pede a todos que obedeçam à palavra dele e a ponham em prática (cf. Jo 2,5).”

 

São José

“Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José. Geralmente, é representado com o bordão na mão e, por vezes, também segurando um lampião. São José desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e de Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família. Quando Deus o avisar da ameaça de Herodes, não hesitará em pôr-se a caminho, emigrando para o Egito (cf. Mt 2,13-15). E depois, passado o perigo, reconduzirá a família para Nazaré, onde será o primeiro educador de Jesus, na sua infância e adolescência. José trazia no coração o grande mistério que envolvia Maria, sua esposa, e Jesus; homem justo que era, sempre se entregou à vontade de Deus e pô-la em prática.”

 

Menino Jesus

“O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos lá, no Natal, a figura do Menino Jesus. Assim se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e nas suas mãos estendidas para quem quer que seja. (…) O modo de agir de Deus quase cria vertigens, pois parece impossível que Ele renuncie à sua glória para se fazer homem como nós. Que surpresa ver Deus adotar os nossos próprios comportamentos: dorme, mama ao peito da mãe, chora e brinca, como todas as crianças. Como sempre, Deus gera perplexidade, é imprevisível, aparece continuamente fora dos nossos esquemas. Assim o Presépio, ao mesmo tempo que nos mostra Deus tal como entrou no mundo, desafia-nos a imaginar a nossa vida inserida na de Deus; convida a tornarmo-nos seus discípulos, se quisermos alcançar o sentido último da vida.”

 

Reis Magos

“Quando se aproxima a festa da Epifania, colocam-se no Presépio as três figuras dos Reis Magos. (…) Os Magos ensinam que se pode partir de muito longe para chegar a Cristo: são homens ricos, estrangeiros sábios, sedentos de infinito, que saem para uma viagem longa e perigosa e que os leva até Belém (cf. Mt 2,1-12). À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-lo. Diante dele compreendem que Deus, tal como regula com soberana sabedoria o curso dos astros, assim também guia o curso da história, derrubando os poderosos e exaltando os humildes. E de certeza, quando regressaram ao seu país, falaram deste encontro surpreendente com o Messias, inaugurando a viagem do Evangelho entre os gentios.”

 

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Carta Apostólica ‘Admirabile Signum’ (‘O Sinal Admirável’)

Leia na integra, em português: http://bit.ly/osinaladmiravel

 

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Carta Apostólica ‘O Sinal Admirável’, em livro

A Carta Apostólica ‘Admirabile Signum’ está disponível em livro no nosso país, através da Paulus Editora e da Paulinas Editora. Este mais recente documento do Papa encontra-se à venda na Livraria Nova Terra, no Patriarcado de Lisboa, e tem um custo de 2,5¤.

Informações: 218810568

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