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Escola de Pais – II
A beleza e o mistério que é educar um filho
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Um filho põe à prova a humanidade do pai e da mãe. Exige comunhão, um dos maiores desafios: aceitar o outro, confiar, perdoar, saber que é melhor a dois, mesmo quando parecem prevalecer fragilidades e interrogações. Qual é o ponto de partida desta missão singular?

Em primeiro lugar, a consciência de que não há serviço à humanidade maior do que educar. Com um bebé nos braços, um pai e uma mãe estão investidos da responsabilidade civilizacional mais decisiva que pode haver. Educar é, não só amar aquela criança, mas, nisso, construir o mundo.

Em segundo lugar, parte-se da certeza de que há algo de comum em todo o coração humano. Está na sua natureza um desejo indomável e uma atração pelo bem, pela verdade, pela beleza, pela justiça, pelo amor. Um filho é também um irmão, um companheiro de viagem, munido das mesmas ferramentas e características, na diversidade de temperamento e circunstâncias. Quando crescer, esta certeza vai ser útil diante da estranheza que virá. Mas enquanto é pequenino e parece um bonequinho, ajuda lembrar esta sua dignidade humana incancelável.

Em terceiro lugar, educa-se um filho para a totalidade do que existe, fora dele, mas também nele. O crescimento é a passagem do tudo receber para o tudo dar. A felicidade está nesse dom de si, mais do que em qualquer satisfação. Diante daquela ‘mini-pessoa’, cheia de candura e vulnerabilidade, para quem o pai e a mãe são todo-poderosos, há um instinto de proteção, mimo, satisfação dos desejos. Mas no amor a um filho descobre-se o que é dar sem esperar nada em troca, querer o melhor dele, mesmo à custa de atitudes difíceis. Educar um filho é abrir-lhe o horizonte do mundo, arriscando, lançando, despertando nele o desejo de construir.

O mais desafiante nesta missão é que querer o bem de um filho obriga a pensar no que é o bem, no que tem valor, no que dá sentido à vida. Educa-se com a própria posição perante a vida, muito mais do que com instruções e recomendações. Educa-se apontando para mestres em quem se reconhece uma autoridade e uma ajuda. Só educa quem se reconhece necessitado de crescer na verdade e, portanto, se deixa também educar.

Missão impossível? Seria. Se não fosse certa a origem e bom o destino. Se não soubéssemos que fomos criados e redimidos, pais e filhos. Se não experimentássemos, a par e passo, que Deus é também Espírito, que ilumina, guia e fortalece. Se não tivéssemos uma casa onde esta graça chega a até nós, uma casa chamada Igreja, que é, ela mesma, Mãe e Educadora.

 

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Educar com uma proposta

Talvez o maior desafio da educação dos filhos, principalmente na idade da adolescência e da juventude, venha do facto de o Amor só existir na liberdade. Não podemos obrigar os nossos filhos a amar, porque o Amor é precisamente a realização totalmente livre do bem! Queremos que eles façam o bem para serem felizes, mas rapidamente percebemos que tentar obrigá-los não funciona mesmo (e muitas vezes até funciona ao contrário).

Temos 7 filhos, dos 25 aos 14 anos, e não encontrámos até hoje nenhuma “receita” para a educação. É que cada filho é único, irrepetível, com a sua personalidade e a sua história, com as suas capacidades e as suas fraquezas… aliás, tal como nós! Mas se não encontrámos na nossa vida de pais educadores dois caminhos iguais, encontrámos algumas certezas que nos têm ajudado a percorrer cada um dos 7 caminhos diferentes.

Em primeiro lugar, saber que há uma rocha no nosso casamento, e essa rocha tem um nome: Cristo. A casa construída sobre a rocha: foi o texto do Evangelho que escolhemos para o nosso casamento. Os ventos e as tempestades surgem na educação dos filhos tal como surgem na nossa relação. Mais ou menos fortes em cada caminho, esses ventos e essas tempestades aparecem, mas a certeza da presença de Cristo é absolutamente fundamental. Rezar muito por cada um deles – para que Deus os ajude na escolha das suas opções; rezar muito por nós – para que Deus nos ilumine em cada passo de cada caminho; ir à missa, comungar, estarmos assim unidos a Cristo. Para nós isto não é uma ajuda: é o centro da educação dos nossos filhos.

Em segundo lugar, cuidar da nossa relação. Pela experiência vamos percebendo que a maneira como nos amamos um ao outro, como nos escutamos e conversamos, como nos perdoamos e apoiamos, como vivemos a alegria… vale mais do que mil palavras, mil discursos. Fortalecer o nosso amor é fundamental, pois o verdadeiro amor é sempre oblativo e acaba por transbordar para os outros. O amor que nos une, quando verdadeiramente sustentado em Cristo, é fonte de vida para os nossos filhos. A fecundidade do amor conjugal vai muito para além da procriação.

Em terceiro lugar, ouvir com atenção, acolher no coração e aconselhar com carinho. Cada um. Todos. Com muita simplicidade. Sem esquecer que saber perdoar é fundamental, assim como pedir-lhes desculpa. Se falamos mais do que ouvimos alguma coisa está mal… e pior ainda se temos um “Não!” na ponta da língua! Quando o ponto de partida não é uma boa escuta, quase sempre corre mal. E sim, é preciso tempo… mas não é a educação dos nossos filhos uma das tarefas mais importantes da nossa vida?

Por último, criar bons momentos de alegria em família. Coisas simples. Não é bom sinal quando passamos muito tempo a correr “atrás do prejuízo”, tentando reparar o que está mal. Temos de promover o bem, as coisas boas! Há dois anos pediram-nos para dar um testemunho em família através de um vídeo que gravámos e em que os nossos filhos foram também convidados a participar. O tema era “Educação, Liberdade e Sonho. Sobre a felicidade.” (Uma perspetiva a partir da Amoris Laetitia). Quando falámos com os nossos filhos, pedimos a cada um deles para que falasse um pouco sobre um tema que considerasse importante na realidade da nossa família (não demos nenhuma dica, não influenciámos nada). O Diogo (23 anos na altura) falou sobre a importância das refeições em família (pelo menos uma vez por semana estamos todos ao jantar) pelas conversas, vivências, lembranças, risos ou conversas mais sérias. Um tempo de crescimento como família. O Luís (20 anos) falou da pertença aos movimentos (pais nas Equipas de Nossa Senhora e filhos em Schoenstatt e na Paróquia) pelo que isso traz de enriquecimento e aprendizagem de cada um, numa caminhada em conjunto com amigos que partilham a mesma fé, completando a educação e vivência em casa. A Ana (18 anos) falou do “Calendário do Elogio”:

um desafio que fazemos em família e que é, de forma rotativa, cada um realçar uma qualidade do outro. Numa semana o pai realça uma qualidade da mãe, a mãe do Diogo, o Diogo do Luís, o Luís da Ana, etc., e nas semanas seguintes vai rodando até todos terem elogiado todos. A Ana explicou como isso a marcou e como foi importante ter esta atenção às coisas boas, porque no dia a dia tendemos a focar mais as coisas más de cada um. O Tomás (16 anos) falou do bom que é pertencer a uma família numerosa, onde os irmãos se ajudam uns aos outros, e como isso é importante tanto para quem ajuda (porque cresce) como para quem é ajudado (porque recebe uma ajuda que muitas vezes é até a mais adequada). O João Paulo (14 anos) falou da partilha do tempo em família dizendo que isso é serviço aos outros: é isso que Jesus nos pede e é isso que nos dá alegria. Muito ligado ao avô, que já morreu, bebeu dele o que nós todos também bebemos toda a vida e que se resume muito bem neste texto de Tagore [1] que ele trazia sempre na carteira: “Sonhei que a vida era alegria. Despertei e vi que a vida era serviço. Servi e vi que o serviço era alegria!”. A Maria (12 anos) falou da importância do Natal e da Páscoa celebrados em família, tanto na nuclear como na alargada. A alegria de estar com os irmãos e com os primos, a festa que fazemos juntos traz ótimas recordações. Incluindo os docinhos da avó… A Rita (12 anos, gémea da Maria) falou das férias no Algarve em casa de um casal da nossa Equipa de casais. Podem imaginar 2 casais e 12 filhos numa casa com 3 quartos… a entreajuda nas refeições, os jogos ao ar livre, a praia, o gelado à noite…

As pequenas coisas que os nossos filhos descreveram são as que ficaram nos seus corações. Vem-nos à memória o filho pródigo, que saiu sem grandes discursos, e regressou porque guardava no seu coração as coisas boas da casa do pai. Não conseguimos obrigar os nossos filhos a amar, mas procuramos transmitir-lhes o nosso amor e proporcionar estas pequenas coisas que eles guardam nos seus corações. Que Deus nos ajude nestes caminhos.

 

Regiani e Tiago Líbano Monteiro

 

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Vocação e família – Na minha vida, inseparáveis

Olhar para a história que Jesus tem vindo a fazer comigo nestes 22 anos leva-me sempre a olhar para a minha família. Desde os dois meses, os meus pais, que já tinham duas filhas (depois de mim veio a terceira rapariga), pediram à Igreja que fosse batizado, confirmando assim aquela que é a minha, e de toda a Igreja, primeiríssima vocação: ser filho de Deus.

Durante muitos anos fui habituado a ir à Missa em família todos os Domingos, a rezar à noite a Jesus, ou a rezar o terço a caminho do colégio. Fui sendo educado na fé pelos cinco e, a minha mãe e uma das minhas irmãs até chegaram a ser minhas catequistas. Pelo meio, com doze anos incentivaram-me a ser acólito na paróquia, em Sintra.

Já no secundário e na faculdade, as minhas irmãs foram decisivas, insistindo comigo, para fazer parte das Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS) e da Missão País, numa altura em que não era o que mais me apetecia (hoje agradeço muito a Deus por isso).

Nos três anos da licenciatura, já tendo entrado para as EJNS e com as três Missões que fiz, fui percebendo que Jesus me chamava a entrar no Seminário e, se assim se for confirmando, a ser padre. Nunca me esqueço quando a meio do curso, a minha mãe me deixou atrapalhado ao perguntar-me: “Bernardo, quer ser padre?” Na altura não fui capaz de expressar o desejo que começava a surgir com muita força no meu coração.

Hoje, no Seminário, a família continua a fazer-se presente, a ser um apoio e também a mostrar-me Jesus, que neles Se mostra. Entre outras maravilhas, estar a seguir aqui Jesus tem-me dado um coração agradecido com a família que tenho.

 

Bernardo Marques Pinto

 

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Concurso de Presépios

O Natal aproxima-se, essa altura do ano tão especial em que celebramos em família o mistério do nascimento de Cristo e, para comemorar este momento especial, o Sector da Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa convida a todos a participarem num concurso de presépios.

São convidadas a concorrer todas as famílias e, para o fazerem, terão de enviar uma fotografia do seu presépio acompanhada por um texto, que não deve exceder os 1.500 caracteres. Este texto pode ser uma oração, uma reflexão sobre o Natal ou uma partilha sobre a forma como vivem esta época festiva.

 

As inscrições devem ser enviadas para o e-mail familia@patriarcado-lisboa.pt até ao dia 31 de Dezembro de 2019.

Todos os presépios e textos serão publicados no site do Patriarcado. O presépio vencedor será publicado na rubrica Familiarmente do Jornal da Verdade de 12 de Janeiro de 2020 e, no mesmo dia, será anunciado no site do Patriarcado.

 

Próxima Familiarmente: Escola de Pais dia 12/01/2020





[1] Rabindranath Tagore - Poeta indiano, 1861 - 1941

 

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