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“Oferecer mais recursos para mitigar os efeitos negativos da mudança climática”
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O Papa Francisco pediu ações concretas e mais recursos para mitigar efeitos negativos do clima. Na semana em que criticou os cristãos que recorrem a práticas de adivinhação, o Papa defendeu “cidadania plena” para a pessoa com deficiência, encontrou-se com uma religiosa portuguesa que está há 70 anos no Vaticano e convidou a preparar o Natal com atenção às pessoas em necessidade.

 

1. O Papa desafiou os participantes na Conferência da ONU sobre o Clima (COP25), que decorre em Madrid até dia 13 de dezembro, a tomarem medidas concretas para a implementação do Acordo de Paris, considerando que ainda se está “longe” desses objetivos. “Infelizmente, após quatro anos, temos de admitir que esta consciência ainda é fraca, incapaz de responder de forma adequada ao forte sentido de urgência para uma ação rápida, exigida pelos dados científicos ao nosso dispor”, refere a mensagem, lida na capital espanhola pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. “Temos de perguntar-nos seriamente se há vontade política para oferecer – com honestidade, responsabilidade e coragem – mais recursos humanos, financeiros e tecnológicos para mitigar os efeitos negativos da mudança climática”, questiona Francisco.

O Papa destaca a importância do Acordo de Paris, assumido na COP21, com uma “consciência crescente” na comunidade internacional da necessidade de trabalhar em conjunto na defesa da natureza, exigindo que se passe das palavras a “ações concretas”. É preciso uma “mudança de civilização” a favor do bem comum. “Atualmente, há um acordo cada vez maior sobre a necessidade de promover processos de transição e de transformação do nosso modelo de desenvolvimento, encorajando a solidariedade”, escreve Francisco, realçando que vários estudos mostram que é “possível limitar o aquecimento global”, o que exige uma “forte vontade política” e uma redefinição do investimento público, dando prioridade às áreas que permitem manter um “planeta saudável para hoje e amanhã”. “Há uma janela de oportunidade, mas não podemos deixar que se feche. Precisamos de aproveitar esta ocasião, através de ações responsáveis nos campos económico, tecnológico, social e educacional”, indica o Papa, na mensagem ao COP25 que vai contar com a presença de 50 líderes mundiais, incluindo o Primeiro-ministro português, António Costa.

 

2. O Papa Francisco lembrou que os cristãos devem rejeitar práticas de adivinhação do futuro, colocando a sua confiança apenas na “graça de Cristo”. “Atenção, pergunto: quantos de vocês vão ao tarô, ler as mãos ou as cartas? Ainda hoje, nas grandes cidades, cristãos praticantes”, lamentou, na audiência-geral de quarta-feira, 4 de dezembro. A intervenção do Papa, na Praça de São Pedro, partiu da passagem do Apóstolo Paulo pela cidade de Éfeso, então um “centro famoso pela prática da magia”. A Bíblia, indicou Francisco, “sublinha a incompatibilidade entre a fé em Cristo e a magia”. “Quem escolhe Cristo não pode recorrer ao bruxo: a fé é abandono confiante nas mãos de um Deus em que se pode confiar, que se faz conhecer, não através de práticas ocultas, mas pela revelação e com amor gratuito. Por favor, a adivinhação não é cristã, estas coisas que se fazem para adivinhar o futuro, mudar situações de vida, não são cristãs. A graça de Cristo traz tudo. Reza e confia no Senhor”, aconselhou.

 

3. O Papa Francisco assinalou a celebração do Dia Internacional das Pessoa com Deficiência (3 de dezembro), defendendo um mundo “mais humano”, que respeite a sua dignidade e promova a “cidadania plena” desta população. “Ainda hoje se constata a presença da cultura do descarte e muitos deles sentem que existem sem pertencer e sem participar”, adverte o texto, divulgado pelo Vaticano. O Papa sai em defesa dos direitos das pessoas com deficiência e das suas famílias, destacando a necessidade de “tornar o mundo mais humano, removendo tudo o que as impede de viver uma cidadania plena”. “Precisamos de criar anticorpos contra uma cultura que considera vidas de ‘série A’ e outras de ‘série B’: isso é um pecado social”, escreve o Papa.

“Fazer boas leis e derrubar as barreiras físicas é importante, mas não é suficiente, se não for mudada a mentalidade, se não se superar a cultura que causa desigualdades, impedindo às pessoas com deficiência a participação ativa na vida diária”, alertou ainda Francisco, convidando os católicos a “renovar o olhar de fé, que vê em cada irmão ou irmã a presença do próprio Cristo”. “Uma pessoa com deficiência, para se construir, precisa não apenas de existir, mas também de pertencer a uma comunidade”, concluiu.

 

4. A irmã Maria do Céu Pereira, Franciscana Missionária de Maria que há 70 anos se encontra ao serviço dos Papas, no Vaticano, encontrou-se com Francisco, no final da Missa de segunda-feira, dia 2 de dezembro, na capela da Casa Santa Marta. O L’Osservatore Romano assinalou a celebração do 90.º aniversário desta religiosa portuguesa que já conheceu sete Papas, referindo que no final da celebração a irmã Maria do Céu recebeu os parabéns do Papa, que a encorajou a viver sempre “com a alegria no coração”. Ao jornal do Vaticano, a religiosa garantiu que “a missão mais bonita é rezar em silêncio pelo Papa e pela Igreja”.

 

5. Preparar o Natal com atenção às pessoas em necessidade. É este o convite do Papa, feito no Domingo I do Advento. “Vigilância significa, concretamente, estar atento ao próximo em dificuldade, ser interpelado pelas suas necessidades, sem esperar que ele nos peça ajuda, mas aprender a prevenir, a antecipar, como Deus faz sempre connosco”, referiu, na janela do apartamento pontifício, durante a recitação do Angelus. Francisco advertiu para os riscos da “indiferença, vaidade”, que levam à “incapacidade de estabelecer relações genuinamente humanas, de cuidar do irmão solitário, abandonado ou doente”.

O Papa lembrou ainda que, naquele dia, tinha início o tempo litúrgico de preparação para o Natal. “Nestas quatro semanas do Advento, a liturgia leva-nos a celebrar o Natal de Jesus, pois lembra que Ele vem todos os dias à nossa vida e voltará gloriosamente no fim dos tempos”, observou, salientando que, durante a tarde, se iria deslocar à localidade italiana de Greccio, local onde São Francisco fez o primeiro Presépio, para assinar uma Carta Apostólica sobre “o significado e o valor do presépio”. “O Presépio é um sinal simples e maravilhoso da fé cristã. É uma carta curta, que pode fazer-nos bem para preparar o Natal”, adiantou o Papa.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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