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“O martírio é o ar da vida de um cristão”
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O Papa criticou a perseguição e discriminação contra cristãos. Na semana em que lembrou que os seminários são “casa de estudo, oração e comunhão”, Francisco rezou, na Imaculada Conceição, pelos que vivem sem esperança, falou às ONG católicas e recordou o sofrimento de crianças nas intenções para dezembro.

 

1. O Papa denunciou a perseguição e discriminação contra cristãos no mundo contemporâneo. Francisco recordou a realidade dos católicos ucranianos, durante o regime soviético, e disse que hoje, no mundo e na Europa, muitos cristãos são perseguidos “com luvas brancas” e “dão a vida pela própria fé”. “Quanto foram perseguidas essas pessoas, quanto sofreram pelo Evangelho! Mas não negociaram a fé. É um exemplo. Hoje, no mundo, na Europa, muitos cristãos são perseguidos e dão a vida por causa da sua fé, ou são perseguidos com luvas brancas, ou seja, deixados de lado, marginalizados”, referiu, durante a audiência-geral de quarta-feira, 11 de dezembro, na Ala Paulo VI, perante milhares de pessoas. Antes deste encontro público semanal, o Papa tinha saudado, na Basílica de São Pedro, um grupo de peregrinos ucranianos que festeja os 30 anos do fim da clandestinidade, após a “longa opressão do regime soviético”. “O martírio é o ar da vida de um cristão, de uma comunidade cristã. Haverá sempre mártires entre nós: este é o sinal de que estamos a seguir o caminho de Jesus”, salientou. Na saudação aos peregrinos do Médio Oriente, Francisco convidou os católicos do Iraque, Líbano e Síria, presentes no Vaticano, a “não terem medo, a manter a fé perante as provas, sendo audazes por Cristo”.

A duas semanas do Natal, a audiência-geral de quarta-feira contou com uma pequena atuação do Circo de Moscovo, presenciada pelo Papa.

 

2. “O Seminário é antes de tudo a casa da oração, onde o Senhor ainda convoca os ‘seus’ para um lugar ‘apartado’ para viver uma experiência forte de encontro e de escuta”, afirmou o Papa aos jovens do Pontifício Seminário Regional Flamínio ‘Bento XV’, de Bolonha, recebidos em audiência, indicando ainda que o sacerdote cultiva a fé “com uma relação pessoal, coração a coração, com a pessoa de Jesus”. O estudo, a segunda característica do seminário, segundo o Francisco, é um “instrumento privilegiado” para um “conhecimento sapiencial e científico”, que pode contribuir para “a formação dos futuros presbíteros” em ordem a uma “missão comum”. Finalmente, o seminário foi apresentado como casa de comunhão, onde a “capacidade de escuta e de diálogo” se pratica e se forma “a comunhão presbiteral em torno do Bispo” e sob sua orientação. “A caridade pastoral do padre não pode ser acreditável se não for precedida e acompanhada pela fraternidade, primeiro entre os seminaristas e depois entre os presbíteros”, sublinhou.

Francisco falou ainda da proximidade, cultivada em quatro vertentes, como fundamentais para a “beleza do sacerdócio”: “Próximos a Deus na oração; próximos ao bispo; dos presbíteros; e ao povo de Deus”. “Por favor, não esqueçam de onde vocês vieram”, reiterou.

 

3. O Papa Francisco deslocou-se ao centro de Roma, para um ato de veneração à Imaculada Conceição, junto à imagem da Virgem Maria colocada na Praça de Espanha, evocando todos os que vivem sem esperança. “Confio-te os que nesta cidade e em todo o mundo, são oprimidos pela desconfiança, pelo desânimo por causa do pecado; aqueles que pensam que para eles já não há esperança, porque a suas falhas são muitas e demasiado grandes e que Deus não tem tempo a perder com eles”, referiu o Papa, na oração proferida durante a tradicional homenagem anual do 8 de dezembro.

Francisco, que foi acolhido por autoridades religiosas e civis, destacou a necessidade de aprender com Jesus, que “quebra as correntes do mal, liberta dos vícios mais implacáveis, dissolve os laços mais criminosos, suaviza os corações mais endurecidos”. “Se isso acontecer dentro das pessoas, como muda o rosto da cidade”, sustentou no passado Domingo, desejando um “clima social mais respirável”.

 

De manhã, durante a oração do Angelus, o Papa tinha realçado que a celebração da Imaculada Conceição acontece no tempo de preparação para o Natal, o Advento, que apresentou como “tempo de espera”. “Deus vai cumprir o que prometeu”, referiu. “A Imaculada Conceição leva-nos ao preciso momento em que a vida de Maria começou a palpitar no ventre da sua mãe: ali já estava presente o amor santificador de Deus, preservando-a do contágio do mal que é a herança comum da família humana”, precisou.

Nesta oração matinal, na janela do apartamento pontifício, o Papa tinha pedido que a cimeira de Paris, que iria juntar líderes da Ucrânia, Rússia, França e Alemanha – no chamado ‘Formato Normandia’, ajudasse a trazer paz à região oriental da Ucrânia. “Acompanho o encontro com uma oração, uma intensa oração, porque ali a paz é fundamental, e convido-vos a fazer o mesmo para que esta iniciativa de diálogo político ajude a trazer frutos de paz e justiça para aquele território e para a sua população”, declarou Francisco.

 

4. O Papa pediu às Organizações Não Governamentais (ONG) católicas que invistam na “formação e educação”, pois estas são “prioridades para a Igreja”, referiu, em audiência aos participantes no Fórum Mundial das ONG de inspiração católica, no dia 7 de dezembro. Francisco pediu um “trabalho coerente” para responder à “complexidade do mundo e à crise antropológica”, assente no “diálogo” e na “reflexão positiva sobre a dignidade humana”. “Tal testemunho supõe uma grande fé e confiança e uma preparação profissional adequada em assuntos científicos e humanos na perspetiva cristã”, sugeriu.

 

5. O Papa Francisco recorda de forma especial o sofrimento das crianças nas suas intenções de oração para o mês de dezembro. Na mensagem-vídeo, divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa, Francisco diz que o sofrimento das crianças é um grito que se eleva aos céus. “Rezemos para que todos os países decidam tomar as medidas necessárias para fazer com que o futuro das crianças seja uma prioridade, especialmente o futuro das crianças que hoje estão a sofrer”, pode ler-se, na apresentação do vídeo. “Cada criança marginalizada, cada criança abusada, cada criança abandonada, cada criança sem escola, sem atendimento médico, é um grito que se eleva a Deus”, garante Francisco, pedindo a todos que olhem para estas crianças e vejam nelas Jesus Cristo “que veio ao nosso mundo como uma criança indefesa”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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