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“Não esperemos que o próximo se torne bom para lhe fazermos bem”
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O Papa Francisco criticou o uso de telemóvel à mesa. Nas celebrações de Natal, o Papa apelou ao fim de conflitos e considerou Jesus o “maior dom da história”. Antes, Francisco tinha-se encontrado com a Cúria Romana e recebido o secretário-geral das Nações Unidas.

 

1. O Papa Francisco pediu aos fiéis para retomarem a “comunicação em família”. No dia em que a Igreja celebrou a festa da Sagrada Família, no passado Domingo, 29 de dezembro, o Papa saiu do discurso para perguntar: “Na tua família, sabes comunicar ou és como aqueles jovens que estão à mesa com o telemóvel, a conversar no chat?”. Antes da oração do Angelus, Francisco deu o exemplo da família de Nazaré, que rezava, trabalhava e comunicava entre si para cumprir o “projeto de Deus”. O Papa evocou ainda todos os que tiveram de deixar a sua terra, como Jesus, Maria e José, na fuga para o Egito, relatada pelos Evangelhos. “Guiados por Deus, representado pelo Anjo, José afasta a sua família das ameaças de Herodes. A Santa Família solidariza-se assim com todas as famílias do mundo obrigadas ao exílio; é solidária com todos os que são obrigados a abandonar a sua própria terra por causa da repressão, da violência, da guerra”, declarou, na janela do apartamento pontifício.

O Papa condenou ainda o “horrível atentado” que atingiu a capital da Somália, provocando mais de 90 mortes e de 120 feridos. “Rezemos ao Senhor pelas vítimas do horrível atentado de ontem, em Mogadíscio, na Somália, onde a explosão de um carro-bomba matou mais de 70 pessoas. Estou próximo de todos os seus familiares e de quantos choram o seu desaparecimento”, referiu Francisco, convidando a rezar uma Avé Maria pelas vítimas.

 

2. O Papa apelou ao fim de vários conflitos internacionais e lembrou em particular as “tantas crianças que padecem com a guerra”. “Que Jesus Cristo seja luz para tantas crianças que padecem a guerra e os conflitos no Médio Oriente e em vários países do mundo”, pediu Francisco na mensagem de Natal, na manhã do dia 25 de dezembro, no Vaticano, perante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro. Francisco lembrou em particular a Síria e pediu que os governantes e a comunidade internacional encontrem “soluções que garantam a segurança e a convivência pacífica dos povos da Região e ponham termo aos seus sofrimentos”. O Papa assinalou ainda a situação do povo venezuelano “longamente provado por tensões políticas e sociais”, pedindo que não falte “a ajuda de que precisa”. Na mesma mensagem, Francisco pediu “consolação a todos os perseguidos por causa da sua fé religiosa, especialmente os missionários e os fiéis sequestrados, e para quantos são vítimas de ataques de grupos extremistas, sobretudo no Burkina Faso, Mali, Níger e Nigéria”.

Antes da bênção apostólica ‘Urbi et Orbi’, Francisco lembrou ainda a situação dos migrantes: “É a injustiça que os obriga a atravessar desertos e mares, transformados em cemitérios; é a injustiça que os obriga a suportar abusos indescritíveis, escravidões de todo o género e torturas em campos de detenção desumanos”.

 

3. O Papa Francisco garantiu, na homilia da Missa da Noite de Natal, que Jesus é o “maior dom da história”. “Enquanto aqui, na terra, tudo parece seguir a lógica do dar para receber, Deus chega de graça. O seu amor ultrapassa qualquer possibilidade de negócio: nada fizemos para o merecer, e nunca poderemos retribuí-lo. Deus não te ama, porque pensas certo e te comportas bem; ama-te… e basta! O seu amor é incondicional, não depende de ti. Podes ter ideias erradas, podes tê-las combinado de todas as cores, mas o Senhor não desiste de te querer bem. Quantas vezes pensamos que Deus é bom, se formos bons; e castiga-nos, se formos maus; mas não é assim! Nos nossos pecados, continua a amar-nos. O seu amor não muda, não é melindroso; é fiel, é paciente”, disse Francisco, na celebração que decorreu na Basília de São Pedro, no Vaticano, na noite de dia 24 de dezembro.

O Papa desafiou ainda à gratuidade no fazer o bem, amar a Igreja e servir os outros. “Não esperemos que o próximo se torne bom para lhe fazermos bem, que a Igreja seja perfeita para a amarmos, que os outros tenham consideração por nós para os servirmos. Comecemos nós. Isto é acolher o dom da graça. E a santidade consiste precisamente em preservar esta gratuidade”, prosseguiu. “Fixemos o olhar no Menino e deixemo-nos envolver pela sua ternura. As desculpas para não nos deixarmos amar por Ele, desapareceram: aquilo que está torto na vida, aquilo que não funciona na Igreja, aquilo que corre mal no mundo não poderá mais servir-nos de justificação. Passou a segundo plano, pois frente ao amor louco de Jesus, a um amor todo ele mansidão e proximidade, não há desculpas”, terminou.

 

4. Na habitual audiência aos membros da Cúria Romana por ocasião do Natal, o Papa dirigiu-se aos seus mais diretos colaboradores para lhes falar da reforma que está em curso desde o início do Pontificado. “Somos solicitados a ler os sinais dos tempos com os olhos da fé, para que a orientação desta mudança desperte novas e velhas questões com que é justo e necessário confrontar-se”, defendeu. “Precisamos de outros ‘mapas’, outros paradigmas, que nos ajudem a situar novamente os nossos modos de pensar e as nossas atitudes: já não estamos na cristandade!”, afirmou o Papa, com veemência, no dia 21 de dezembro. “Já não somos os únicos que produzem cultura, nem os primeiros nem os mais ouvidos. Por isso precisamos duma mudança de mentalidade pastoral, o que não significa passar para uma pastoral relativista”, acrescentou.

 

5. O Papa Francisco recebeu, em audiência, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. “Não podemos, não devemos olhar para o outro lado perante as injustiças, as desigualdades, o escândalo da fome no mundo, da pobreza, das crianças que morrem porque não têm água, comida e cuidados necessários. Não podemos olhar para o lado diante de qualquer tipo de abusos contra os mais pequenos. Devemos, todos juntos, combater esta praga”, afirmou.

Já António Guterres sublinhou a dimensão da perseguição religiosa, uma preocupação que já tinha manifestado anteriormente. “O nosso encontro é particularmente pertinente nesta época de Natal. Este é um tempo de paz e de boa vontade e é com tristeza que vejo que as comunidades cristãs – incluindo algumas das mais antigas do mundo – não podem celebrar o Natal em segurança”, lamentou o secretário-geral da ONU.

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