Doutrina social |
‘Vídeo do Papa’ - Janeiro 2020
Construir um futuro com esperança
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Num mundo dividido e fragmentado quero convidar à reconciliação e à fraternidade entre todos os crentes e entre todas as pessoas de boa vontade.  (Vídeo do Papa - Janeiro 2020)

 

Entre o sonho e a realidade

Ao fazer tal convite, o Papa não enuncia apenas doutrinas; ele vive o momento presente com realismo, conhecedor dos dramas e das misérias da humanidade e, perante tal cenário, faz um apelo a viver com esperança. É a atitude típica do profeta que vive no meio do povo e ao mesmo tempo na proximidade com Deus, e que aponta o caminho que a Ele conduz.

Iniciou-se um novo ano com muitos sinais vermelhos à felicidade e ao bem-estar da humanidade. No discurso do ano novo, dirigido aos 183 diplomatas credenciados junto da Santa Sé, ele fez um retrato do estado da humanidade. Nesse dia 9 de Janeiro, referia a imagem do nascimento de um bebé com toda a esperança de que é portador; mas também apontava “numerosas questões que afligem os nossos dias e os desafios que temos pela frente”, dos quais destacamos alguns.

 

Os sinais vermelhos à paz e ao bem-estar

O recrudescimento da tensão entre o Irão e os EUA são o pano de fundo a enquadrar o discurso, pois que podem constituir o rastilho de um conflito exponencialmente mais amplo. E insiste no refrão repetido nos seus discursos: “a guerra traz apenas morte e destruição.” Acirrar os senhores da guerra é próprio dos inconscientes ou dos maldosos. Os candidatos a ditadores têm um mesmo pendor comum: como que brincam com coisas sérias para prosseguirem interesses particulares em detrimento do bem comum. A postura do Presidente Trump, a par de algumas iniciativas que, por momentos, pareciam esperançosas, depressa nos deixa desiludidos pela maneira como lida com os opositores, lembrando os jogos de guerra dos adolescentes, como se a vida fosse uma aventura à escala da imaginação de cada um. Em contraposição o Papa insiste que “o diálogo – e não as armas – é o instrumento essencial para resolver os conflitos”. Recordando a sua recente viagem ao Japão, e com a lição de Hiroxima e Nagasaki na memória, afirmou que “um mundo sem armas nucleares é possível e necessário.”

 

As guerras “congeladas” ou silenciadas

Ao referir-se a conflitos “congelados” deixa-nos entender que, na Europa, embora não visíveis, eles estão ativos como o fogo que continua por debaixo da cinza. O continente só poderá recuperar das lacerações da guerra e das novas divisões através dum processo gradual de partilha de ideias e de recursos. Aponta a direção corretiva através da construção inclusiva, da hospitalidade e equidade social, tão relevantes na problemática dos refugiados. Continua a acreditar no projeto europeu como uma garantia de desenvolvimento e uma oportunidade de paz.

Nos conflitos “silenciados”, as suas palavras elencaram o risco de encobrir a guerra que destruiu e continua a destruir a Síria, a crise humanitária no Iemen e na Venezuela, o descalabro político e social na Líbia, que a transforma em terreno fértil para a tragédia dos refugiados e para o flagelo do tráfico humano. Referiu alguns passos positivos dados nomeadamente em países da África, onde a guerra não é notícia, a morte gratuita das pessoas não incomoda, o horror da violência anda à solta, o valor da vida humana não encontra lugar nem garantia em qualquer instrumento legal, pois que tudo é ofuscado pelo interesse do controle estratégico que garanta o acesso às matérias primas, de que nós também somos consumidores.

Na linha da construção da esperança insistiu no diálogo inter-religioso e referiu o documento de Abu Dhabi “sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, onde se condena firmemente o uso do nome de Deus para justificar atos de homicídio, de exílio, de terrorismo e de opressão. Referiu ainda o apelo conjunto com o Rei Mohammed VI de Marrocos reconhecendo a singularidade e sacralidade de Jerusalém – Al Qods Acharif (a cidade santa) e o seu significado para a paz; isso levou-o a insistir na urgência de uma solução para a questão israelo-palestiniana.

Termina referindo-se ao 75.º aniversário da ONU, registando os princípios fundantes da Organização como tradução das aspirações do espírito humano e como ideais a guiar o relacionamento entre os povos.

texto pelo P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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