Missão |
Adelino Serra, do Grupo Missionário Ondjoyetu
“A Missão é estar para servir”
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Adelino Serra nasceu a 10 de junho de 1944, na localidade de Amor (Leiria). É casado e pai de três filhas. É membro do Grupo Missionário Ondjoyetu, catequista e ministro extraordinário da comunhão. A sua missão já passou por muitos locais, entre os quais o Sumbe, em Angola.

 

Tem o 9.º ano de escolaridade. Aos 18 anos, ingressou na Força Aérea como voluntário e foi para Angola onde passou à disponibilidade, ficando a residir em Cabinda. Em 1968, casou-se com a Maria do Carmo na Igreja da Sagrada Família (em Luanda). A primeira filha nasceu em 1969. Em dezembro de 1973, por motivos de saúde, regressaram a Portugal e ficaram a residir em casa dos pais de Adelino enquanto era construída a sua casa em Ponte da Pedra (Leiria). Trabalhou como vendedor de artigos elétricos e, mais tarde, como comerciante. Em 1975, nasceu a sua segunda filha. Nessa altura, estavam integrados na Comunidade de Chãs (Leiria) e, ao iniciar o ano catequético de 1983, o seu pároco da altura partilhou a preocupação de que não tinham catequistas, “e sem catequistas não pode haver catequese”, facto que o preocupou. “Fiquei muito preocupado, mas nada podia fazer…Alguns dias depois tive conhecimento que em Amor se ia realizar um curso de iniciação de catequistas, fui para fazer a inscrição e o pároco exigiu-me que eu desse conhecimento ao meu pároco e lhe levasse o pedido para eu poder frequentar as aulas de formação. Em 1984, recebi um convite do nosso Bispo D. Alberto Cosmo do Amaral para ir receber o Diploma na abertura do ano Pastoral (que se realiza no Seminário Diocesano de Leiria) ao qual eu fui e onde tomei conhecimento da Escola de Catequistas onde que me inscrevi para fazer o Curso Geral de Catequistas, Formação Bíblica, Formação Litúrgica e ainda continuo em Formação na Escola Razões da Esperança. Em 1988, recebo uma terceira filha com seis meses, uma filha do coração, ainda permanece em casa como filha bem-amada”, partilha.

 

“Ser Missionário começa em casa”

Para Adelino, “ser Missionário começa em casa, na Comunidade. Em 1999, o Grupo Missionário Diocese de Leiria Fátima iniciou na minha Paróquia de Regueira de Pontes e entrei para fazer parte do Secretariado. De seguida convidaram-me para a Conferência de S. Vicente de Paulo onde sou tesoureiro do Grupo de Visitadores dos Estabelecimentos Prisionais de Leiria (Os Samaritanos) e em 2010 fui nomeado Ministro Extraordinário da Comunhão. Às terças-feiras faço a Celebração da Palavra no Lar Nossa Senhora da Glória em Regueira de Pontes, às quintas a Celebração da Palavra no Centro Social Paroquial de Regueira de Pontes e às quintas à noite oriento a Adoração ao Santíssimo Sacramento na Igreja de Chãs, onde também faço parte do Grupo Coral de Chãs e levo a Sagrada Comunhão aos sábados à tarde aos doentes de Chãs.”

Em 2007, após ter frequentado formações de Missiologia, fez a sua primeira missão no Alentejo, no Crato. Seguiram-se depois missões na Aldeia da Mata, em Ponte Sor e em Santiago do Cacém. Em 2013 partilha que teve a graça de “poder ir em Missão por 3 meses para a Diocese do Sumbe, Diocese esta que tem uma geminação com a Diocese de Leiria Fátima.”

 

A missão no Gungo

Sobre a sua experiência de missão em Angola, partilha: “A nossa Missão é nas Montanhas do Gungo, a cerca de 130 Km da Cidade do Sumbe onde temos uma casa como base logística. A Sede da Missão fica na Donga. Para conseguirmos lá chegar temos cerca de 40 Km de picada que em tempo de chuvas pode demorar seis ou 12 horas, mas todo esse cansaço em nós, se transforma em alegria ao passarmos pelas aldeias, com aquele maravilhoso povo a cantar de alegria e a chamar pelo Patê, um povo que pouco tem que comer, e que em tempo seco caminha quilómetros para ir buscar uma bilha de água, caminha 10, 20, 30 Km a pé para estar na Celebração da Eucaristia que é vivida com muita intensidade, onde se prepara o Batismo, a 1ª Comunhão, o Crisma e o casamento. Toda a formação religiosa é feita pelos Catequistas nos seus Centros, e a Equipa Missionária vai visitando ao longo do Ano as Comunidades. Na Donga, para termos água para nosso consumo, temos uma cisterna que recolhe a água das chuvas. A água para beber vamos buscá-la a uma nascente a cerca de 150 Km do Sumbe, vamos a um riacho buscar água para outros consumos. Temos projetos em marcha para ir buscar água a um nascente numa montanha próximo de nós. A minha Missão foi maravilhosa! Levei como planos, a formação de um grupo de pessoas que quisesse dedicar-se a horticultura porque as pessoas lá só comem farinha de milho, feijão e alguma mandioca, não tem verduras, as poucas que utilizam é rama de feijão, abóbora e mandioca… Fizemos uma grande horta e foram-lhes dadas sementes para levarem para as aldeias e assim poderem melhorar a sua alimentação. Missão e Oração assim se completa. O nosso dia começa às seis horas da manhã na oração da manhã com a comunidade, seguida de matabicho e oração de pedido de Bênção, no final agradecimento pelos alimentos que tomamos, voltamos a ter oração ao almoço. À noite, se tivermos presbítero, temos Missa antes de jantar, e terço depois de jantar. Se não tivermos, rezamos o terço depois do jantar. Não tínhamos luz no meu tempo, mas admirávamos as estrelas imensas vezes pois é um firmamento magnífico. Como ministro extraordinário da comunhão, quando não estava o padre Victor, era eu que orientava as orações, e ao Domingo a Celebração da Palavra, e era no meu quarto que estava uma caixa com o Santíssimo Sacramento e todas as alfaias litúrgicas. A Missão é estar para servir, e não para ser servido”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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