Lisboa |
Visita Pastoral à Paróquia de Laveiras-Caxias
“Renascer a partir dos mundos periféricos”
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A Paróquia de Laveiras-Caxias recebeu a Visita Pastoral, com o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes a sublinhar que “a comunhão é indispensável para realizar a missão”. Esta paróquia, segundo o pároco, tem “o problema da falta de espaços” e ambiciona utilizar o Convento da Cartuxa para a pastoral.

 

A Visita Pastoral à Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Laveiras-Caxias ficou marcada pelo desafio a chegar às periferias. “Jesus inicia o seu ministério a partir das periferias. Os pobres, os marginalizados, os sem esperança, sem horizonte, sem futuro, são os primeiros destinatários do Evangelho. Também hoje o cristianismo deve renascer a partir dos mundos periféricos e daí chegar ao centro”, apelou D. Joaquim Mendes, na Missa de encerramento da visita, que decorreu de 23 a 26 de janeiro. Observando que “as periferias voltam a propor-se com força ao cristianismo”, o Bispo Auxiliar de Lisboa reforçou, na sua homilia, que a Igreja “é chamada a sair para as periferias”. “Não só as periferias geográficas, mas sobretudo as periferias existências, da solidão, da dor, da pobreza, da ignorância, da indiferença, da injustiça, do pecado, da ausência de Deus”, manifestou.

Ao longo de quatro dias em Laveiras-Caxias, D. Joaquim Mendes visitou a creche no bairro social Sá Carneiro, dirigida pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, mas também o centro comunitário e paroquial, o centro infantil Nossa Senhora das Dores, a Casa de São Bento, uma resposta social para os jovens e suas famílias, e encontrou-se com os catequistas, os diversos volumes da catequese e os escuteiros. Na Missa, o Bispo Auxiliar lembrou que “a comunhão é indispensável para realizar a missão”. “Não há missão sem comunhão. Que o Senhor vos ajude a construir uma comunidade fraterna, aberta, acolhedora e missionária, que seja sinal e portadora do amor e da solicitude de Cristo Bom Pastor e da Boa Nova do Evangelho, para todos”, desejou.

 

Melhor envolvimento

Para o pároco de Laveiras-Caxias, “apesar de ter sido uma visita de somente quatro dias, por questões de agenda”, foi possível “visitar tudo aquilo que era fundamental e importante na estrutura da paróquia”. “A Visita Pastoral foi determinante para haver um melhor envolvimento, e acima de tudo mais estima e mais motivação para as pessoas”, assinala, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o padre António Tavares. Presente nesta paróquia da Vigararia de Oeiras desde 2013, este sacerdote sublinha ainda a “mensagem de união” e apelo “ao diálogo” deixados por D. Joaquim Mendes, um Bispo que este sacerdote diz ser “muito próximo”, o que “facilita o diálogo”.

Do programa da Visita Pastoral a Caxias, o padre António Tavares, de 58 anos, destaca a visita à Casa de São Bento, uma instituição para crianças e jovens, fundada em 2003, que aposta no combate ao absentismo escolar e na prevenção de comportamentos de risco. “Pelo historial do senhor D. Joaquim, que esteve ligado ao ensino e às crianças de rua, foi um momento muito bonito. Esta é uma periferia, com crianças de rua e de bairro, que por vezes parece que estão esquecidas e a precisar de apoio, e ter ido lá o senhor Bispo foi muito bom”, frisa o pároco.

Este projeto de intervenção comunitária tem uma dinâmica, em que “os mais crescidos que já estiveram na Casa de São Bento, tornam-se depois embaixadores, até fazerem cerca de 30 anos”. Durante a visita, esta instituição para crianças e jovens nomeou D. Joaquim Mendes “embaixador honorário” da Casa de São Bento. “O senhor Bispo ficou muito comovido e muito agradecido. Foi um ponto muito bom e muito alto desta Visita Pastoral”, assegura o padre António.

 

Um sonho chamado Cartuxa

Caxias tem cerca de nove mil habitantes, segundo os Censos de 2011, sendo que a paróquia se debate com a “falta de espaços”. A Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Dores é de tamanho reduzido, e as salas anexas, construídas há alguns anos, não chegam para dar resposta a toda a pastoral. Contudo, no espaço geográfico da paróquia está situado o Convento da Cartuxa, em Laveiras, que a paróquia utiliza sobretudo em celebrações dominicais, mas que está a precisar de obras de requalificação. “A Cartuxa, para nós, tem sido um ‘cavalo de batalha’, porque precisamos muito daquele espaço. Os espaços que temos na paróquia são muito exíguos, muito reduzidos, e a Cartuxa dá resposta a tudo o que é necessário, quer em termos de movimentos, quer em termos da pastoral, quer em termos do que possamos desenvolver na área sociocaritativa. Já para não falar da liturgia, porque, a nível das Missas, a Cartuxa tem outra dignidade”, observa o pároco de Laveiras-Caxias.

Considerando a Cartuxa como um espaço “fundamental” para a paróquia, o padre António Tavares revela que “o diálogo com o Ministério da Justiça está a correr muito bem”. “Conseguimos um bom entendimento com este último Governo, e agora também com o atual. Eles perceberam as nossas angústias e o nosso sonho, e apoiaram bastante”, refere. Recentemente, “a Câmara Municipal de Oeiras, que tem outra capacidade económica e financeira para as obras, entrou também neste diálogo”. “Segundo as últimas informações, é previsto que em junho/julho haja mais novidades, até, se calhar, luz verde no fundo do túnel”, deseja o sacerdote, garantindo que “a autarquia foi um parceiro fundamental para que este processo se desenvolvesse mais rápido”.

Na noite do primeiro dia de Visita Pastoral, a 23 de janeiro, o Bispo Auxiliar de Lisboa teve um encontro com os diversos movimentos paroquiais (comunidades neocatecumenais, irmandade, CNE), onde deixou o apelo à união. “Os cristãos precisam de se unir, como Paulo dizia, para, como comunidade cristã, ter força e fazer propostas para o espaço da Cartuxa. Há a necessidade de criarmos corpo eclesial, para podermos propor”, referiu D. Joaquim Mendes.

O padre António Tavares refere que também o Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, “tem sido incansável” com este assunto. “Temos todos a remar para o mesmo lado, o que é fantástico”, assegura o pároco de Laveiras-Caxias.

 

foto 4 por Casa de São Bento

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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