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“O Reino de Deus pertence aos pobres em espírito”
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O Papa Francisco refletiu sobre a primeira das bem-aventuranças. Na semana em que o Vaticano enviou centenas de milhares de máscaras para a China, por causa do coronavírus, o Papa apelou à proteção da vida do início ao fim natural, alertou os religiosos e as religiosas para o “olhar mundano” e incentivou à valorização dos idosos.

 

1. O Papa considera que o caminho para a felicidade passa por reconhecer-se pobre e “aceitar os próprios limites”. “Pobre em espírito significa pobre no mais íntimo e mais profundo de si, onde todos nos temos de reconhecer incompletos e vulneráveis”, referiu, na audiência-geral de quarta-feira, 5 de fevereiro, ao refletir sobre a primeira das bem-aventuranças. No auditório Paulo VI, no Vaticano, Francisco destacou o “poder da fraternidade, da caridade, do amor, o poder da humildade”, convidando a “procurar sempre a liberdade do coração, a que tem raízes na nossa própria pobreza”. “Todos somos pobres em espírito, somos mendigos. É a condição humana. O Reino de Deus pertence aos pobres em espírito. Há aqueles que têm os reinos deste mundo: têm bens e comodidades. Mas esses são reinos que terminam. O poder dos homens, mesmo os maiores impérios, passa e desaparece”, advertiu, sublinhando que também as fortunas desaparecem: “Ninguém leva nada consigo, as riquezas ficam cá”.

 

2. O Vaticano enviou “centenas de milhares de máscaras” para a China, para “ajudar a limitar a propagação da infeção por coronavírus”. Segundo um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, as máscaras foram enviadas para as províncias de Hubei, Zhejian e Fujian. “Trata-se de uma iniciativa conjunta da Esmolaria Apostólica e do Centro Missionário da Igreja chinesa na Itália, com a colaboração da Farmácia Vaticana”, acrescenta a nota.

O vice-reitor do Pontifício Colégio Urbaniano, monsenhor Vincenzo Han Duo, em declarações ao jornal chinês ‘Global Times’, referiu esperar que as máscaras “cheguem onde são necessárias o mais rapidamente possível”, para que “as pessoas que sofrem da doença possam sentir a preocupação da Santa Sé”. “O mundo inteiro está unido para combater o vírus”, garantiu.

 

3. O Papa associou-se à celebração do Dia da Vida em Itália e insistiu na importância de proteger a vida humana desde o início até ao seu fim natural. “Espero que este dia seja uma oportunidade para renovar o compromisso de custodiar e proteger a vida humana desde o início até ao seu fim natural. Também é necessário combater qualquer forma de violação da sua dignidade, mesmo quando está em jogo a tecnologia ou a economia, abrindo as portas para novas formas de fraternidade solidária”, afirmou Francisco, depois da oração do Angelus, na Praça de São Pedro, no passado dia 2 de fevereiro.

Na festa litúrgica da Apresentação do Senhor, data em que a Igreja celebra o Dia Mundial da Vida Consagrada, o Papa saudou o “grande tesouro na Igreja daqueles que seguem de perto o Senhor, professando os conselhos evangélicos”. “Gostaria que todos nós, aqui juntos, na Praça, rezássemos pelos consagrados e consagradas, que trabalham tanto, muitas vezes de forma escondida”, pediu.

 

4. O Papa Francisco alertou os religiosos e as religiosas para o “olhar mundano” e para a “tentação que paira” na vida consagrada que procura o “sucesso, a consolação afetiva” e faz “o que quer”. “E sabemos o que acontece depois! Reivindicam-se os espaços próprios e os direitos próprios, deixamo-nos cair em críticas e murmurações, indignamo-nos pela mais pequena coisa que não funcione e entoamos a ladainha da lamentação acerca dos irmãos, das irmãs, da comunidade, da Igreja, da sociedade”, advertiu Francisco, durante a homilia da celebração eucarística com os membros dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida apostólica, no âmbito do XXIV Dia Mundial da Vida Consagrada. Na Basílica de São Pedro, no passado dia 1 de fevereiro, o Papa falou na rotina e pragmatismo que tomam conta de um religioso ou religiosa, que “já não vê o Senhor”. “No seu íntimo, aumentam a tristeza e o desânimo, que degeneram em resignação. A vida consagrada, se permanecer firme no amor do Senhor, vê a beleza. Vê que a pobreza não é um esforço titânico, mas uma liberdade superior, que nos presenteia como verdadeiras riquezas Deus e os outros. Vê que a castidade não é uma esterilidade austera, mas o caminho para amar sem se apoderar. Vê que a obediência não é disciplina, mas a vitória, no estilo de Jesus, sobre a nossa anarquia”, enumerou, a partir dos votos que os religiosos fazem.

Como consagrados, indicou Francisco, “homens e mulheres que vivem para imitar Jesus”, os religiosos “são chamados a tornar presente no mundo o olhar d’Ele, o olhar da compaixão, o olhar que vai à procura dos distantes, que não condena, mas encoraja, liberta, consola”. “Devemos pedir a graça de saber procurar Jesus nos irmãos e irmãs que recebemos. É aqui que se começa a praticar a caridade: no lugar onde vives, acolhendo os irmãos e irmãs com as suas pobrezas”, manifestou.

 

5. O Papa apelou à valorização dos mais velhos, numa intervenção que encerrou o I Congresso Internacional da Pastoral dos Idosos, no Vaticano, que contou com a presença de uma delegação portuguesa, onde se incluía D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família. “A desorientação social e, em muitos aspetos, a indiferença e a rejeição que as nossas sociedades manifestam em relação aos idosos chamam não apenas a Igreja, mas todos, a uma reflexão séria para aprender a compreender e apreciar o valor da velhice”, sustentou. Francisco sublinhou que, no século XXI, a velhice se tornou “uma das marcas da humanidade”, com uma inversão da pirâmide demográfica. “A enorme presença de idosos constitui uma novidade para todos os ambientes sociais e geográficos do mundo”, observou, convidando a superar uma visão economicista, assumindo o património de “valores e significados” da “terceira e quarta idade”.

Em relação às comunidades cristãs, o Papa defendeu a alteração de “hábitos pastorais”, para poder responder à presença de muitos idosos nas famílias e comunidades. “Não existe apenas o passado, como se, para os idosos, houvesse apenas uma vida por trás deles e um arquivo bolorento. Não. O Senhor pode e quer escrever com eles também novas páginas, páginas de santidade, de serviço, de oração”, apontou, frisando que “os idosos também são o presente e o futuro da Igreja”. “A velhice não é uma doença, é um privilégio! A solidão pode ser uma doença, mas com caridade, proximidade e conforto espiritual, podemos curá-la”, indicou o Papa.

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