Domingo |
À procura da Palavra
Um salto para o alto
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DOMINGO V COMUM Ano A

“Eu, porém, digo-vos:

Todo aquele que se irar contra o seu irmão

será submetido a julgamento?”

Mt 5, 22

 

Já o filme “Corpus Christi”, do realizador polaco Jan Komasa, caminha para o seu epílogo quando o jovem saído do reformatório que assumiu o papel de padre daquela aldeia, trespassada por uma tragédia, inicia a missa com estas palavras: “Eu sou um assassino. Eu matei. Matei nos meus pensamentos. Matei no que fiz. Matei no que não fiz. Sabem no que somos bons? Em desistir das pessoas. Em apontar o dedo para elas. Perdoar não significa esquecer. Não significa fingir que não aconteceu. Perdoar significa amar. Amar alguém apesar da sua culpa. Não importa que culpa.”

 

No alto da montanha, Jesus apresenta seis antíteses como um salto em frente e para o alto da lei que Israel guardava como tesouro. Uma lei que era colocada diante do homem, para que ele a pudesse escolher, como bem diz o livro de Ben-Sirá: “Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade.” Tem na sua base o que S. Agostinho descreverá como “livre arbítrio”, a possibilidade que existe em todo o homem normal de dizer sim ou não. Mas também S. Agostinho fala de uma liberdade maior (libertas) que conduz o homem a realizar-se na harmonia, na gratuidade, numa altura que toca o infinito. Assim, a lei de Israel, e de modo peculiar os mandamentos, são apresentados por Jesus como preparação para a medida maior e a transbordar da vida de Deus em nós. “Ouvistes o que foi dito…Eu, porém, digo-vos”!

 

Jesus inicia este contraponto com o quinto mandamento: “Não matarás!” Não se trata apenas da agressão física ou da eliminação de alguém. O homicídio parte sempre do coração: as palavras, os olhares, a excomunhão, a impossibilidade de reconciliação, que geram distância e indiferença são “pequenas-grandes mortes”. É preciso desarmar os corações. Recusar a facilidade de destruir quem fez o mal. No fundo, como insiste Jesus, o outro é um irmão: por quatro vezes assim é referido. Então, a possibilidade de reconciliação é o único caminho que liberta da prisão da morte. Porque quem está morto não é aquele que fez o mal mas aquele que recusa a reconciliação. Ela é mais importante até do que o acto religioso de fazer uma oferta a Deus: pode o Pai acolher com alegria a oferta de um filho que odeia o irmão?

 

Não basta “não matar”; é preciso “dar vida”. Promovendo o encontro com a verdade, denunciando as prisões do egoísmo e do facilitismo, cultivando a proximidade e a atenção mútua, partilhando os bens e os dons mútuos, recusando desistir dos outros. Assim o fez o “falso padre” naquela comunidade ferida. Assim o fazemos quando não defendemos apenas ideias mas nos gastamos, e gastamos tudo, para o maior bem de todos. O salto para o alto que o Evangelho propõe é difícil. Mas é aquele que levanta a nossa vida!

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