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Os quatro “sonhos” do Papa para a Amazónia
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O Papa Francisco publicou a exortação apostólica pós-sinodal ‘Querida Amazónia’. Na semana em que o Papa convidou à oração pelas vítimas do coronavírus, foi anunciada nova viagem papal internacional. Francisco alertou ainda para “a praga” do tráfico de seres humanos e foi publicado um novo ‘O Vídeo do Papa’.

 

1. O Papa Francisco tem um sonho para a Amazónia. Melhor, o Papa Francisco tem quatro sonhos para a Amazónia – que abrangem a dimensão social, cultural, ecológica e eclesial da região a que a Igreja dedicou um Sínodo dos Bispos, em outubro de 2019 –, e foram expressos na exortação apostólica pós-sinodal ‘Querida Amazónia’, publicada no dia 12 de fevereiro.

“Sonho com uma Amazónia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida”, começa por dizer Francisco, afirmando que é necessário a Igreja, e a humanidade, indignarem-se perante os crimes e as injustiças que são cometidos naquele lugar.

“Sonho com uma Amazónia que preserve a riqueza cultural que a carateriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana”, refere o segundo capítulo da exortação, onde Francisco pede a preservação das culturas amazónicas e responde aos críticos que tentam contrapor o cristianismo à cultural local da Amazónia, como se os missionários que levam o Evangelho aos povos da floresta amazónica fossem responsáveis por prejudicar a cultura dos povos indígenas. “O objetivo é promover a Amazónia; isto, porém, não implica colonizá-la culturalmente, mas fazer de modo que ela própria tire fora o melhor de si mesma”, escreve, garantindo que o Evangelho não pretende substituir, mas sim enriquecer a cultura local.

“Sonho com uma Amazónia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas”, frisa o Papa, que dedica boa parte da sua exortação apostólica à questão ecológica, dando particular destaque às ameaças globais da destruição da Amazónia, incluindo as irremediáveis perdas para a humanidade que resultam da destruição e extinção de espécies, até as mais pequenas.

“Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazónia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazónicos”, é o último sonho do Papa, que explica no texto da exortação que quer uma Igreja insculturada na Amazónia, em que as tradições locais, o Evangelho e a liturgia se possam enriquecer mutuamente. Neste capítulo, Francisco descarta a possibilidade de ordenar homens casados, como chegou a ser proposto no documento final do Sínodo, bem como a clericalização das mulheres, e recorda aos missionários que o seu papel é partilhar o Evangelho e não impor culturas alheias.

O Papa conclui a exortação apostólica ‘Querida Amazónia’ com um apelo ao diálogo ecuménico e inter-religiosos e, apesar de reconhecer que a devoção mariana separa os católicos de outros cristãos, fecha o texto com uma longa oração a Nossa Senhora.

 

2. O Papa apelou à oração pelas vítimas do coronavírus, agora conhecido como Covid-19, que já provocou mais de mil mortos, em particular na China. “Uma oração pelos nossos irmãos chineses que sofrem com esta doença cruel. Que eles encontrem o caminho da recuperação o mais rapidamente possível”, desejou Francisco, no final da audiência-geral de quarta-feira, 12 de fevereiro, no auditório Paulo VI, no Vaticano.

Antes, o Papa tinha refletido sobre mais uma bem-aventurança, ‘Felizes os que choram, porque serão consolados’. “Irmãos e irmãs, como é precioso o dom das lágrimas! Há pessoas aflitas que precisam de consolação; mas existem também pessoas regaladas, consoladas que precisam de ser despertas, desinquietadas, afligidas: têm um coração de pedra, já não sabem chorar. Mantêm os outros à larga; ora, é importante deixar os outros abrirem brecha no meu coração. A segunda Bem-aventurança, sobre a qual nos debruçamos hoje, fala sobretudo de um sofrimento, um pesar, uma tristeza interior que abre para uma relação autêntica com o próximo e com o Senhor”, apontou.

 

3. O Papa Francisco vai a Malta no próximo dia 31 de maio. A notícia foi divulgada dia 10 de fevereiro, pela Sala de Imprensa da Santa Sé, segundo a qual a visita será apenas de um dia. O programa detalhado ainda não foi divulgado, mas o serviço informativo do Vaticano adianta que o Papa incluirá a cidade de Gozo, situada na segunda maior ilha do arquipélago, junto da qual naufragou o Apóstolo Paulo. Na visita de maio, o Papa deverá abordar o fenómeno das migrações para a Europa, os desafios humanitários ligados ao Mediterrâneo e ainda a proteção do ambiente.

 

4. O Papa pediu vigilância dos meios tecnológicos como forma de ajudar a acabar com “a praga” do tráfico de seres humanos. “Importa assinalar que várias investigações confirmam que as organizações criminais usam sempre os mais modernos meios de comunicação para levar a vítima ao engano. Portanto, é necessário, por um lado, educar ao uso saudável dos meios tecnológicos e, por outro lado, vigiar e chamar à responsabilidade os fornecedores de tais serviços telemáticos”, lembrou Francisco, após a recitação do Angelus, no passado Domingo, 9 de fevereiro, na Praça de São Pedro. O Papa referiu ainda que o tráfico de seres humanos, que classificou como “uma verdadeira praga”, explora “os mais fracos” e que para combater o fenómeno “é necessário o empenho de todos: instituições, associações e sectores educativos”.

Na janela do apartamento pontifício, na Praça de São Pedro, o Papa manifestou também a sua preocupação com a “escalada militar” na Síria, apelando à intervenção da comunidade internacional para travar nova crise humana. “Continuam a chegar notícias dolorosas do noroeste da Síria, em particular sobre as condições de tantas mulheres e crianças, das pessoas obrigadas a fugir por causa da escalada militar”, afirmou.

 

5. O Papa Francisco pediu que seja escutada a voz das vítimas do tráfico humano. Todos os meses, Francisco escolhe uma intenção diferente de oração e em fevereiro pede: “Rezemos para que o clamor dos irmãos migrantes vítimas do tráfico criminoso seja escutado e considerado”. No vídeo que acompanha o lançamento do tema do mês, o Papa culpabiliza as pessoas que se deixam corromper e que estão dispostas a fazer tudo para enriquecer. “O dinheiro dos seus negócios sujos e dos seus delitos é dinheiro manchado de sangue. Não estou a exagerar, é dinheiro manchado de sangue”, diz Francisco, em mais um ‘O Vídeo do Papa’.

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