Lisboa |
Visita Pastoral à Paróquia de Santo António de Nova Oeiras
“Não há evangelização sem comunhão entre nós”
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D. Joaquim Mendes incentivou os movimentos eclesiais da Unidade Pastoral de Nova Oeiras e São Julião da Barra para a vivência “de um caminho em comunhão”. Na Visita Pastoral à Paróquia de Nova Oeiras, o Bispo Auxiliar de Lisboa conheceu o centro social – uma obra que vive sem o apoio estatal – e desafiou os cristãos a tornarem-se “portadores do amor de Deus” para “alcançar a todos”.

 

Vivência em unidade pastoral. Foi esta a tónica da mensagem que D. Joaquim Mendes deixou durante toda a Visita Pastoral que realizou à Paróquia de Santo António de Nova Oeiras. “Em todos os encontros com a comunidade cristã, o senhor D. Joaquim focou sempre as suas palavras na unidade, na construção de uma Igreja que vive unida, que se encontra, que partilha e vive junto esta experiência de Jesus”, aponta o pároco, padre Nuno Westwood, ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Num encontro com os movimentos eclesiais da paróquia e também de São Julião da Barra, o Bispo Auxiliar de Lisboa referiu, por três vezes: “Unidade pastoral… Este é o caminho!”. “A diversidade, quando vivida na comunhão, constitui uma riqueza”, observou D. Joaquim Mendes, sublinhando a necessidade de os cristãos destas paróquias terem consciência de que são “membros de um Corpo”, e reforçando o sentido de eclesialidade. “Que vos sintais verdadeiramente coesos num Corpo, unidos ao Senhor e uns aos outros. Somos a mesma Igreja”, garantiu.

Neste encontro que decorreu na noite do passado dia 28 de fevereiro, no salão da paroquial de Nova Oeiras, o Bispo Auxiliar do Patriarcado começou por escutar a apresentação de cada um dos sete movimentos presentes nesta Unidade Pastoral (Escuteiros, Equipas de Nossa Senhora, Focolares, Schoenstatt, Caminho Neocatecumenal, Shalom e Carismáticos), e agradeceu “a partilha, que revela a riqueza dos dons do Espírito Santo”. “A Visita Pastoral é um encontro, um encontro para reforçar a fé, para reforçar a nossa comunhão com o Senhor, e entre nós, e para reforçar o sentido de pertença a uma comunidade ou a uma unidade pastoral, como acontece aqui entre São Julião e Nova Oeiras, que não têm baias entre elas. Este é o caminho, este é o caminho da comunhão”, apontou D. Joaquim Mendes, reforçando ser “importante esta abertura e esta comunhão, que é visibilizada pela Visita Pastoral”.

Na sua intervenção, o Bispo Auxiliar de Lisboa lembrou ainda que a Visita Pastoral permite que as paróquias “conheçam os seus movimentos”. “Quem são, quantos são, o que fazem. A diversidade não é, de modo nenhum, um obstáculo à comunhão, mas uma riqueza. Não há evangelização sem comunhão entre nós. Somos diversos, diferentes, mas isso não é problema. Onde está o Espírito de Deus, está a unidade. Não há evangelização sem comunhão e caridade”, reforçou, lembrando ainda o lema da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras, ‘Fazer da Igreja uma rede de relações fraternas’, que vai terminar precisamente nesta Paróquia de Nova Oeiras, a 28 de março próximo.

 

O caminho da unidade pastoral

O pároco de Nova Oeiras (e também de São Julião da Barra) destaca, ao Jornal VOZ DA VERDADE, a mensagem deixada pelo Bispo Auxiliar de Lisboa neste encontro com os movimentos, nomeadamente o convite à vivência em unidade pastoral. “Confirmados pelo nosso Bispo, queremos continuar a investir, a consolidar e a alargar esta unidade entre nós. De futuro, será cada vez mais esta a nossa orientação e cada vez mais trabalharemos em unidade pastoral”, garante o padre Nuno Westwood. “Pedimos a oração e empenho de todos para vivermos a unidade que Jesus nos pediu”, acrescenta o sacerdote, de 48 anos, que é membro da comunidade dos Apóstolos de Santa Maria.

O padre Nuno sublinha ainda que “foi a primeira vez que, na paróquia, se juntaram todos os movimentos” eclesiais. “Como diz a Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’, do Papa Francisco, no n.º 29, os movimentos ‘são uma riqueza da Igreja’. A tendência, e também aqui nas duas paróquias, é que eles são muito bons internamente, têm muita vitalidade e há uma espiritualidade comum que fortalece os laços entre todos, e um carisma semelhante, mas depois há dificuldades em articular com outros movimentos e inserir no programa pastoral”, lamenta o sacerdote, apontando que “há um caminho grande a fazer, para que se procure um sentido maior de Igreja”.

 

Conselho pastoral interparoquial?

De 25 de fevereiro a 1 de março, D. Joaquim Mendes visitou a Paróquia de Nova Oeiras e o pároco faz um balanço “bastante positivo”. “A expectativa era alta. As pessoas tinham a experiência do Bispo mais nas celebrações do Crisma, em que geralmente está um pouco mais distante, mas o facto de o Bispo estar no meio das pessoas, em conversa, permitir perguntas, passar parte do dia connosco, estar numa refeição, conhecer a realidade e as pessoas poderem-se apresentar, tudo isso foi muito importante e ajudou a consolidar a comunhão paroquial”, observa.

Ao longo de seis dias, D. Joaquim Mendes visitou o centro social e a loja social, mas também o GAF (Grupo de Apoio à Família), o Centro de Cultura Sénior, o Centro Nuno Belmar da Costa, um equipamento social da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, e o centro de estudos. Dos diversos encontros com a comunidade cristã, o padre Nuno destaca “o primeiro encontro, em Quarta-feira de Cinzas, com os dois conselhos pastorais, de Nova Oeiras e São Julião da Barra”. “Foi um momento forte, inspirador da criação de um único conselho pastoral no futuro”, refere, sublinhando que nesse encontro “foram lançadas as bases para isso mesmo”. “As palavras do senhor Bispo incentivaram muito a continuarmos a crescer em duas paróquias, com a sua independência, a sua autonomia, mas a trabalharmos em conjunto, em unidade”, reforça o pároco de ambas as comunidades. “Acredito que as pessoas estão motivadas nesse sentido”, acrescenta.

Outros dos pontos altos da Visita Pastoral, segundo o pároco de Nova Oeiras, foram “os encontros com os escuteiros e com a catequese”. “Foram muito interessantes, e foram pequenos grandes momentos”, observa o sacerdote, que conta com a colaboração do diácono permanente Vítor Lourenço.

 

Uma obra sem apoio estatal

A Paróquia de Santo António de Nova Oeiras foi constituída a 14 de abril de 1991, e conta com uma população de 8500 habitantes, sendo que cerca de 3500 pessoas têm mais de 65 anos. Durante a Visita Pastoral, o Bispo Auxiliar de Lisboa conheceu de perto o Centro Social Paroquial de Nova Oeiras, uma obra que tem a particularidade de não ter qualquer acordo com o Estado. José Pedro Câncio Reis, presidente da instituição, salienta ao Jornal VOZ DA VERDADE o “rigor da gestão dos meios e recursos” desta obra. “Todos os nossos serviços são desenvolvidos sem acordo de comparticipação com a Segurança Social, garantindo, porém, que a capitação dos nossos serviços é feita de acordo com os rendimentos ‘per capita’ dos beneficiários, apoiando todos aqueles que nos procuram. Esta situação educou-nos no rigor da gestão dos meios e recursos, bem como para a criatividade na angariação de receitas, de forma a tentarmos sempre garantir a nossa sustentabilidade, bem como a proximidade junto da nossa comunidade e qualidade no desempenho dos nossos serviços”, frisa este responsável.

O Centro Social Paroquial de Nova Oeiras tem “uma equipa multidisciplinar, com 26 colaboradores remunerados”, e disponibiliza, desde 2008, os serviços de centro de dia, serviço de apoio domiciliário, centro de estudos e ação social juntos dos mais carenciados. “Atualmente, apoiamos diariamente uma média de 143 beneficiários. Destaca-se que, ao nível das valências de centro de dia e de serviço de apoio domiciliário, grande parte dos encaminhamentos provêm das unidades de saúde, sendo reconhecido por estes o nosso papel na qualidade e no desempenho dos nossos serviços de retaguarda, tais como, hospitais e centro de saúde de referência”, aponta José Pedro Câncio Reis. Já o centro de estudos “destaca-se pelo apoio que é dado às crianças/jovens com necessidades educativas”.

O padre Nuno Westwood destaca a missão desta obra social e lembra que “a paróquia assumiu essa missão de ajudar o centro, pagando alguma das suas despesas”.

 

“Alcançar a todos”

No Domingo I da Quaresma, a 1 de março, D. Joaquim Mendes presidiu à Eucaristia de encerramento da Visita Pastoral a Nova Oeiras, onde crismou 23 membros da comunidade, tendo desafiado os cristãos a tornarem-se “portadores do amor de Deus” para “alcançar a todos”. “Na conclusão da Visita Pastoral, agradeço o acolhimento e as atenções recebidas. Dou graças ao Senhor por vós, pelo testemunho da vossa fé e compromisso cristão. Peço ao Senhor que vos ajude a crescer sempre mais em fraternidade, no empenho do anúncio do Evangelho e a sair ao encontro das periferias humanas e existenciais testemunhando o amor e a solicitude de Cristo em relação aos mais frágeis, aos sós e aos mais pobres, não somente de pobreza material, mas também pobreza espiritual. Sede para todos sinais e portadores do amor de Deus, que vos alcançou e que, através de vós, quer alcançar a todos. Que a rede de relações fraternas entre vós, alicerçada na comunhão Trinitária, se alargue e alcance a todos”, desejou o Bispo Auxiliar de Lisboa, no final da Visita Pastoral a Nova Oeiras.

 

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Módulo formativo do IDFC sobre caridade, em Nova Oeiras

‘A caridade na missão evangelizadora da Igreja’ é o tema do módulo formativo que o Instituto Diocesano da Formação Cristã (IDFC), do Patriarcado de Lisboa, vai promover na Paróquia de Nova Oeiras. Tendo como formador Juan Ambrosio, docente da Universidade Católica Portuguesa, e contando com a colaboração da Cáritas Diocesana de Lisboa, esta formação vai decorrer em quatro quartas-feiras seguidas, nos dias 18 e 25 de março e 1 e 8 de abril, sempre das 21h00 às 22h30, no Centro Social e Paroquial de Nova Oeiras. As inscrições são feitas no cartório da igreja paroquial.

Informações: 214431876

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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