Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Gestos de reencontro
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O dia de quarta-feira é, para a redação do Jornal VOZ DA VERDADE, um dia de trabalho mais intenso porque, normalmente, é o momento de fechar a edição deste semanário diocesano. Ao final da tarde de quarta-feira, o jornal é enviado para a tipografia Gráfica do Minho, em Braga, que, durante a noite, faz a sua impressão e, ao início da manhã, a sua expedição, por via postal e através de uma transportadora. Deste modo, o jornal chega, normalmente, aos nossos assinantes e às paróquias, para a sua distribuição local.

No entanto, esta quarta-feira foi diferente. Motivado por esta pandemia que estamos a enfrentar e pelas consequências a que já assistimos, tivemos de tomar a difícil decisão de suspender, temporariamente, a publicação em papel do Jornal VOZ DA VERDADE e, por isso, já esta semana não foi feita a publicação para este próximo Domingo, 22 de março.

Como sabemos, não há vida pastoral a acontecer e não há condições para a elaboração do nosso jornal e, sobretudo, para a sua distribuição que, na maioria dos casos, se faz nas paróquias da diocese. Os nossos assinantes terão, depois, a validade da sua subscrição prolongada, pelo tempo que esta suspensão possa durar.

Mas, nós, queremos continuar consigo. Queremos continuar a ser presença na sua casa, agora, e temporariamente, apenas em conteúdos disponibilizados aqui, neste site. Queremos dar-lhe um olhar de esperança, neste momento em que, muito facilmente, a tendência é a de desanimar.

Somos confrontados com uma doença, provocada por um novo coronavírus, que se propaga muito facilmente. Daí a necessidade da nossa vigilância, mas, mais do que isso, da nossa obediência no que nos vai sendo pedido pelas autoridades civis para evitar o seu alastramento.

Contudo, no meio de tudo isto, é curioso verificar que aquela liberdade que tanto proclamamos, em função da defesa da nossa vida e dos outros, fica condicionada. Não seria de olhar para este facto e pensar que a nossa liberdade não é, efetivamente, uma plena liberdade? Que, afinal de contas, não podemos fazer tudo o que queremos, e que a defesa de um bem maior como a vida, a nossa e a dos outros, deve levar-nos a conter os nossos atos e a olhar para os outros com amor? Que a liberdade deve levar-nos ao bem?

Estamos a assistir a uma situação provocada por algo tão minúsculo na sua forma, mas tão grande na sua ação e nas consequências que traz. É o poder de um vírus que estabeleceu uma ‘guerra’ contra o homem, revelando a sua fragilidade. A nossa vida é frágil e não depende de nada que possamos ter construído. A nossa vida não está nas nossas mãos, mas, cabe a nós defendê-la, em todas as situações e em todos os momentos.

Porém, este vírus tem feito vir ao de cima sentimentos de comunidade, de solidariedade, de fraternidade, um pouco por todo o lado, visíveis nos gestos de proximidade e de amor que se têm gerado entre todos. Talvez seja hora de nos reencontrarmos, connosco, com os outros e também com Deus. Possibilidades para este encontro divino não faltam nas redes sociais, com a ajuda dos padres que têm sabido usar a internet para continuar a alimentar as suas comunidades, agora virtuais.

Sejamos capazes de tirar bom proveito deste tempo, ainda quaresmal, em que nos é pedido maior isolamento social, e coloquemos na nossa oração aqueles que contribuem para o nosso bem-estar e lutam, a seu modo, nesta ‘guerra’.

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