Lisboa |
Carta de D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa
OBRIGADO, MUITO OBRIGADO A TODOS
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Meus caros amigos, irmãs e irmãos, permitam que seja deste modo,

Em 2005, iniciei funções de Capelão-Mor da Santa Casa da Misericórdia do Porto e foi então que tive a oportunidade de conhecer e valorizar o trabalho de tantos, tantíssimos. Dos mais mediáticos aos mais anónimos, dos mais aos menos graduados… todos importantes e indispensáveis na cadeia de serviços destinados a salvaguardar a dignidade, o conforto, a felicidade dos utentes, das mais diversas valências sociais da grande família que é a Misericórdia do Porto.

Volvidos todos estes anos, venho encontrar em Lisboa, a mesma entrega, dedicação e heroicidade de tantos, tantíssimos… sempre ao serviço dos mais desfavorecidos, em lares, creches, infantários, ensino especial, hospitais, serviços prisionais, apoio domiciliário e tantos outros serviços.

A esta entrega de hoje e de sempre, junta-se agora a Pandemia do maldito coronavírus. A fidelidade ao SIM de cada dia que nos permitia alegria matinal no acolhimento de cada irmão e irmã, ganha agora uma exigência e força suplementar. Ao medo de contagiarmos e de nos contagiarmos, respondemos com a Força que nos vem d’Ele… sabemos que ao servirmos os mais pequenos, os mais frágeis, os últimos, o servimos a Ele.

Quero neste momento em particular, dizer OBRIGADO a cada um de vós. Quero dizê-lo individualmente, às vossas famílias, aos vossos agregados familiares, mais ou menos alargados. E bem sei que a este vosso trabalho, missão de cada dia, tendes as preocupações da retaguarda familiar… obrigado aos maridos, às esposas, aos filhos, a todos os que ficam sozinhos em casa para que possais dizer presente no vosso posto de trabalho.

Se todas as valências sociais me emocionam, as dos lares, que agora têm o nome estranho de  ERPI, fazem-me chorar interiormente… Testemunhei o quanto trabalhais no limite da dignidade das pessoas que servis, das higienes pessoais à alimentação,  dos cuidados de enfermagem e médicos ao gigante muro das faltas de paciência… bem sei o quanto amais esses velhinhos, avós e pais de todos nós…

Vivo consciente de que ao final do mês, o vosso recibo de vencimento não traduz o quanto vos somos devedores como sociedade e como família alargada, mas olhai, perdoai-nos, não temos meios que possibilitem darmos mais. Mas podemos ser gratos, podemos e devemos cada dia, todos os dias, agradecer a todos e a cada um, a sua entrega, o seu saber, os seus afetos… sim, é de uma rede de afetos que falamos desde o início…  

É no reconhecimento do rosto e da voz do outro que nos vamos fazendo como pessoas. Cada um de vós tem no seu rosto, nas suas mãos, no seus cabelos brancos, o nome e a história de vida de cada um dessas irmãs e irmãos que servimos…  

Peço ao Pai do Céu que vos abençoes, fortaleça e proteja. Que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, a quem ontem nos consagramos sejam Presença ao lado de cada um e rosto dos que gritam por nós. 

Beijinhos e abraços, mesmo que digitais, sempre ao vosso dispor   

+ Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa

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