Lisboa |
Celebrações pascais na Sé de Lisboa
“Páscoa de Cristo experimenta-se na caridade praticada”
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O Cardeal-Patriarca garantiu que a Páscoa de Cristo “é uma realidade total e englobante”, que se experimenta na “caridade praticada”, como acontece com os exemplos que surgem no combate ao covid-19. Ao longo de quatro dias, D. Manuel Clemente presidiu, numa Sé de Lisboa vazia de fiéis, ao Tríduo Pascal, e abençoou toda a cidade.


Domingo de Páscoa

Em Domingo de Páscoa, numa “catedral tão vazia de presenças físicas”, mas “tão repleta de Cristo, vencedor da morte”, o Cardeal-Patriarca de Lisboa começou por garantir que “nenhuma passagem bíblica escutada, nenhum trecho do Evangelho deste dia, se ficam por um eco do passado”. “Daquele sepulcro vazio jorrou uma vida inextinguível”, frisou D. Manuel Clemente. “Os inúmeros vazios deste mundo – estes mesmos do tempo que vivemos – são preenchidos pelo Ressuscitado, aqui e em qualquer lugar que seja. E nós, como o discípulo predileto, aí mesmo lhe entrevemos a presença”, acrescentou.

Na Sé de Lisboa, na manhã do passado dia 12 de abril, o Cardeal-Patriarca destacou depois que “a ressurreição de Cristo tudo garante e impele e a própria humanidade o reconhece, porque a notícia pascal lhe alargou o horizonte”. “Preenchendo a humanidade que salvou, o Ressuscitado refulge nestes dias no olhar e nos gestos de muitíssimos que em todos os domínios da vida eclesial ou pública, da saúde ao trabalho e a tantos serviços indispensáveis, protegem vidas no seu arco natural e face à pandemia que sofremos”, manifestou, numa alusão ao novo coronavírus.

Na sua homilia, D. Manuel Clemente lembrou também os colegas sacerdotes e as famílias. “Quando os ministros do culto hoje celebram, quase tão sós como naquele sepulcro esvaziado, é sempre a Ressurreição que se assinala, porque isso mesmo são os sacramentos, para a vida do mundo. Quando a oração redobra nas famílias, é também de Ressurreição que assim se trata, pois tudo é vida garantida, quando sobe com Cristo para o Pai”, apontou o Cardeal-Patriarca, sublinhando que a Páscoa de Cristo “experimenta-se na caridade praticada”. “Quando a solidariedade de facto se demonstra, é Cristo que aí mesmo se depara. Assim prometeu e assim cumpre. Referindo-se aos que não desamparam os peregrinos (também os emigrantes de hoje em dia), os que não tenham agasalho, saúde ou liberdade, declarou: «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes». A Páscoa de Cristo é uma realidade total e englobante e experimenta-se na caridade praticada”, observou.

D. Manuel Clemente salientou ainda que “desejar Santa Páscoa é impelir ao anúncio e à missão”. “Os sinos que nesta manhã ressoam cantam todo o bem que hoje é feito, sinal de ressurreição em Jesus Cristo. Desejar Santa Páscoa é impelir ao anúncio e à missão, porque a Páscoa acontece no que faz, e os primeiros que o souberam não pararam”. Neste sentido, frisou, “é um enorme compromisso celebrar a Páscoa”. “A verdade é esta e está patente, como aquela grande pedra destapada, porque a vida não coube no sepulcro. Saibamos entrevê-la e anunciá-la, como o discípulo que «viu e acreditou». Ainda ficaremos mais convictos, mais seguros e solidários de certeza, em Páscoa realmente partilhada”, terminou.

No final da Missa de Domingo de Páscoa, que foi transmitida pela RTP 1 e pela Renascença, o Cardeal-Patriarca deu a bênção, no adro da Sé, com o Santíssimo Sacramento, sobre a cidade, sobre a diocese e sobre todos quantos, privados da participação física da celebração nas suas comunidades, acompanharam a transmissão televisiva.

 

 

 

Vigília Pascal

Na noite de Sábado Santo, durante a Vigília Pascal, D. Manuel Clemente sublinhou os gestos que são, neste tempo preciso, “em que a pandemia se sofre”, sinais que “refletem” a presença de Jesus Ressuscitado. “Em muitas ações e lugares, em tempo de luta pela saúde e pelo futuro de tanta gente, são muitos os testemunhos de felicidade já pascal, nas entreajudas que se dão, nas curas que se fazem ou procuram, nas vizinhanças que se concretizam”, afirmou o Cardeal-Patriarca, na Sé de Lisboa, no passado dia 11 de abril. “Assim mesmo – e só assim – podemos nós alcançar alguma ‘experiência de Deus’, garantida e eterna”, acrescentou.

Na celebração, que foi transmitida em direto pelo site do Patriarcado (www.patriarcado-lisboa.pt), D. Manuel Clemente pediu ainda aos cristãos para não ofuscarem a luz recebida. “A Páscoa é uma iluminação total e pede-nos um exercício permanente. Não ofusquemos a luz recebida, não demoremos o anúncio vivo e convivente. Espera-nos bem perto a Galileia deste mundo, tão ansiosa de ressurreição também!”, assegurou.

 

 

 

Celebração da Paixão do Senhor

Na homilia da Celebração da Paixão do Senhor, em Sexta-feira Santa, o Cardeal-Patriarca convidou a olhar para a Cruz de Cristo como um sinal de esperança. “Os seus braços alargaram-se até onde a vida humana se distende. Em todo o espaço e tempo, como o nosso agora, onde a sua Cruz se eleva. Tudo nela cabe: dores e esperanças, caminhos e descaminhos. Também o sofrimento que a pandemia trouxe e a grande coragem de quem a combate”, sublinhou.

Na Sé de Lisboa, na tarde do passado dia 10 de abril, D. Manuel Clemente frisou ainda que “a Cruz eleva-se sempre, na transcendência divina”. “Contemplamo-la hoje, seguindo o olhar de Jesus, que visa sempre o Pai, passando por nós todos. Acontece agora, quando entre tantos trabalhos e canseiras, entre tantos planos e percalços, a lembrança da Cruz nos reanima e alenta. Acontece agora, acontece sempre”, aferiu.

Assumindo que, “sempre acontece, depois de ouvir a Paixão do Senhor em Sexta-Feira Santa, ser difícil acrescentar alguma coisa, além do silêncio meditativo”, o Cardeal-Patriarca apontou que “aquilo a que chamamos geralmente ‘vida cristã’ deve ser, mais propriamente, ‘vida de Cristo em nós’. Lembrá-lo junto à Cruz do Senhor é o que mais importa nesta celebração. Toda a vida terrena de Cristo é orientada para este fim, que é entregar-se por nós, para nos levar aonde nunca chegaríamos sozinhos, tal a distância que entrepusemos com Deus. Falo de nós, como humanidade ferida e insarável por si só, como a história geral e particular tragicamente demonstra. As boas aspirações permanecem, mas as deceções também. É preciso mais do que boas intenções para encher o Céu…”, garantiu D. Manuel Clemente, sublinhando ainda que “Jesus foi realmente um de nós, para nos ensinar a ser inteiramente de Deus, como Ele próprio é inteiramente do Pai”.

Em tempo de pandemia do novo coronavírus covid-19, o Cardeal-Patriarca de Lisboa convidou a uma presença “orante e solidária” junto da Cruz. “A verdade do que ouvimos e contemplamos requer sempre, requer hoje, a nossa presença junto da Cruz que se ergue neste mundo, assolado por tão grave pandemia. Presença orante e solidária. Orante, pois com Cristo olhamos o Pai; solidária, pois com Cristo olhamos a todos. Fixemo-nos no Crucificado, que em cada um nos alcança”, concluiu, na celebração de Sexta-Feira Santa.

 

 

 

Missa da Ceia do Senhor

“Caríssimos, celebramos a Missa da Ceia do Senhor. Celebramo-la nas atuais circunstâncias, difíceis decerto, mas por isso mesmo mais necessitadas de Cristo, Sacerdote e Oferta, por nós e para nós. Sempre à luz da fé pascal, que ilumina a nossa existência, garantindo-lhe a vitória da vida – sendo a de Cristo em nós, para a vida do mundo”. Foi desta forma que D. Manuel Clemente iniciou a homilia da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, 9 de abril.

Na Sé de Lisboa, na celebração que dá início ao Tríduo Pascal, o Cardeal-Patriarca destacou os “bons exemplos de reinar servindo, como os que verificamos no combate à atual pandemia”. “São os que mais admiramos, reconhecendo o bem que fizeram e fazem. Reinam assim na nossa gratidão, que é o terreno mais sólido para um reino perdurar, como acontece ao de Cristo”, apontou.

D. Manuel Clemente meditou depois no gesto do ‘Lava-Pés’, que este ano foi suprimido devido ao novo coronavírus, mas que “resume uma atitude total, de Deus para nós e de nós para Deus”. “Traduzamo-lo nas necessidades de agora, tão inesperadas e acrescidas, para a humanidade próxima e global. Reconheçamos agradecidos a solidariedade de tantas pessoas, dos profissionais de saúde e outros setores fundamentais às autoridades e famílias. O Espírito divino prolonga neles o Lava-Pés de Cristo, reavivando-lhe a imagem e recuperando-lhe a semelhança. Assim acontece igualmente nas comunidades cristãs e nos seus ministros, que, mesmo sem a possibilidade de celebrar presencialmente, o fazem sempre por todos. Agradeçamos a Cristo Sacerdote a sua manifestação em tantos sacerdotes que nestes dias lhe reproduzem o cuidado pastoral, com grande generosidade criativa. Assim continua o Lava-Pés de Cristo, no sentido absoluto do termo, para compreendermos como Deus é e como atua. Assim a Santa Missa se faz Santa Missão”, reforçou.

 

fotos por Filipe Amorim, Diana Quintela, Filipe Amorim e Filipe Teixeira
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