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‘3 DICAS’ – FAMÍLIA
“Estes tempos difíceis, de muita pressão, não são tempos para desistir do outro”
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Pedir ajuda e esperar, sem desistir do outro. É este o conselho que o assistente da Pastoral Familiar de Lisboa dá aos casais que estejam em rutura. Devido ao tempo de confinamento, tem sido noticiado que poderão aumentar os casos de separação, e o padre Duarte da Cunha, durante o programa ‘3 DICAS’ de hoje, dedicado à ‘Família’, sublinhou a importância de os casais “não deixarem as coisas azedar demasiado”. “Quando é preciso ajuda, peçam ajuda o quanto antes. Que ninguém se arme em herói, que vai conseguir resolver os problemas quando as coisas já estão desgastadas. É preciso ter a humildade de pedir ajuda, pedir ajuda a Deus, pedir ajuda aos amigos, pedir ajuda à família alargada, conversar. Não deixar que as coisas entrem num caminho que depois já não é fácil de resolver”, referiu o sacerdote, lembrando depois que “os tempos difíceis, de muita pressão, não são tempos para tomar decisões graves e definitivas na vida”. “São tempos para esperar. Com custo, e às vezes sacrifício, mas seria imprudente qualquer coisa que tenha carácter definitivo. É melhor esperar, se for preciso um vai para a casa da mãe e outro para a casa do pai, mas não se separem, não desistam uns dos outros”, aconselhou o padre Duarte da Cunha.

 

“Perceber que a família é uma Igreja doméstica”

Neste tempo de pandemia e isolamento, as chamadas Igrejas domésticas ganharam particular destaque, frisou o sacerdote, que é também pároco de Santa Joana, Princesa. “A Igreja doméstica é uma experiência dos tempos apostólicos, mas esta expressão é sobretudo do Concílio Vaticano II e faz parte da Pastoral da Família perceber que a família é uma Igreja doméstica. E é bom que isso se torne claro”, salientou, explicando: “Uma Igrejas domésticas é uma Igreja porque é uma comunidade, é uma comunidade onde Deus está presente – ‘Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio de vós’ –; é Igreja porque é um sacerdócio comum, próprio dos leigos, que oferece sacrifícios de louvor a Deus, na vida quotidiana, na oração comum; e é uma Igreja porque pertence a uma Igreja maior, é uma célula da Igreja”.

Sublinhando que “a Igreja doméstica também é o lugar onde os membros se entreajudam, se compreendem, se escutam” – “bem ou mal, é o grande desafio”, apontou –, o padre Duarte da Cunha lembrou que “faltou a esta Igreja doméstica” a “Eucaristia de maneira eficaz”, mas também “a confissão, os sacramentos”. “Por isso, esta experiência não foi completa, diria assim, mas valorizou muito as coisas e isso era importante sublinhar, desde que não se tenha perdido a consciência do que falta, para agora retomar essa vida”, observou.

 

Retiro online “tocou as famílias”

A Pastoral Familiar de Lisboa organizou, no passado sábado, um retiro online, onde participaram mais de 100 famílias. O objetivo, segundo o padre Duarte, foi “ir ao encontro das famílias que estão em casa confinadas” e que, por isso, “também sentiam a falta de um certo alimento e de um certo espaço de reflexão”. “Há muitas propostas, mas achámos que havia ainda espaço para uma proposta que fosse um dia de oração e que tivesse esta pretensão de ser uma coisa para a família toda, para pais e filhos”, referiu o sacerdote, que pregou o retiro online para as famílias, sublinhando que “os mais pequenos tiveram umas propostas” e os adultos, fossem pais ou filhos, tiveram outras, “mais de oração”. “Houve certas fases que eram comuns”, referiu. “Pelos ecos que tivemos, julgo que foi uma experiência que muitos casais agradeceram. Foi uma medida que tocou algumas destas famílias que estão confinadas, sobretudo aquelas que estão com desejo de aproveitar este tempo para dar um passo na sua fé”, acrescentou.

 

“Um dos hábitos que criámos cá em casa foi a oração do terço”

Rute e João Casimiro, têm três filhos, pertencem às Equipas de Nossa Senhora e participaram neste retiro online das famílias. “Qualquer tentativa de sairmos da realidade do dia a dia é positiva, mesmo que isso não implique uma saída física. Com a impossibilidade de irmos à Missa e de participarmos de forma mais ativa na vida da Igreja, procuramos aproveitar qualquer momento para sairmos um bocadinho e aproximarmo-nos um pouco mais. Quando vimos o retiro, para nós era interessante, ainda para mais porque o podíamos fazer em família, com atividades para crianças”, explicou João, nesta emissão do ‘3 DICAS’.

Rute testemunhou depois como este tempo de confinamento mudou os hábitos de oração em família. “Procuramos sempre criar alguns hábitos de oração em família, mesmo antes da quarentena. Mas não é fácil, e quando são pequenos às vezes parece mais fácil envolvê-los – porque parece que ainda temos o domínio sobre eles –, mas outras vezes não é. Nesta fase, um dos hábitos que criámos cá em casa foi a oração do terço. O objetivo era conseguirmos rezar todos os dias – e tem sido rezado por mim e pelo pai – mas, com as crianças nem sempre é fácil, porque elas ainda resistem um bocado”, assume esta leiga, revelando que já tentaram “várias estratégias”. “Uma delas foi que eles aprendessem músicas, e eu toquei viola para os cativar”, partilhou.

Rute e João Casimiro, que são casal formador dos CPM – Centros de Preparação para o Matrimónio e Ministros da Comunhão, na Paróquia de Torres Vedras, destacaram ainda que os filhos “estão habituados” a ir à Missa, desde bebés de alcofa”, mas que, em casa, “tem sido mais difícil eles perceberem que, apesar de ser pela televisão, nós estamos na Missa na mesma”. “Torna-se difícil, mas eles perceberam que é um hábito que nós continuamos a fazer”, sublinhou esta mãe, desejando poder “retomar alguns destes hábitos, com presença física”. “Sinto essa falta e tenho essa esperança de poder retomar algumas destas situações”, afirmou Rute. João reforçou que, deste tempo de isolamento, as famílias podem “tirar alguns ensinamentos”, que possam “dar alguns frutos”.

 

A importância de “manter o sentido de comunidade”

Mariana e Francisco Borges Coutinho, da Paróquia do Estoril, testemunharam ao programa ‘3 DICAS’ como o tempo de confinamento mudou os hábitos de oração em casal. Começando por referir que sentiram “muita falta” de poder ir à igreja, em especial à Missa, Francisco destacou como procuraram, “nestas diferenças, formas de estar em comunidade”. “Uma das coisas que fizemos, desde o início, foi percebermos que faria mais sentido assistir à celebração da Missa via Zoom, uma plataforma onde podemos ver outras pessoas e de alguma forma há um sentido de comunidade que não se perde, enquanto pela televisão realmente só vemos o padre. Este sentido de comunidade fazia falta e optámos por celebrar a Missa assim e tem sido muito bom”, contou, referindo que procuraram “manter sempre as mesmas coisas” que fariam durante uma Eucaristia, se estivessem presencialmente.

Este casal está, este ano, envolvido na organização da Feira Vocacional, para a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, mas até ao ano passado fizeram parte dos campos de férias da paróquia, ‘Cravas’, onde eram chefes, e integraram também a Missão País. Este ano, tiveram de abrandar, porque a Mariana está grávida do Duarte, que nasce daqui a duas semanas. “Somos muito abençoados por termos à nossa volta muitos grupos, que tiveram um lado jovem – e isso foi muito bonito de se ver – e foram muitos os grupos que surgiram e quiseram manter um nível de oração quase mais elevado do que se não existisse este tempo de paragem, dando assim mais tempo a Jesus”, destacou Francisco Borges Coutinho.

Neste programa em direto, Mariana, que está à espera do primeiro filho, disse depois ser “uma graça muito grande” ter tido o marido, Francisco, “tão próximo” de si neste tempo em que aguardam a chegada do Duarte. “Dentro do cenário estranho que estamos a viver, isso é claramente um ponto muito positivo: esta vivência conjunta de esperar que o Duarte saia cá para fora para o conhecermos. Isso vai ser, sem dúvida, uma coisa que vamos querer passar aos nossos filhos: no meio dos cenários mais estranhos e mais assustadores – porque a verdade é que há muitas circunstâncias difíceis neste tempo –, há coisas boas e Deus faz o bem no meio do mal”, assegurou esta jovem.

 

Novas tecnologias “mantêm a presença da Igreja viva”

São e José Paulo Romero, da Paróquia de Caldas da Rainha, têm dois filhos e já são também avós. Questionados, durante o ‘3 DICAS’, sobre a forma como têm procurado viver a fé com as novas tecnologias, este casal sublinhou a importância das redes sociais, em particular o WhatsApp. “As novas tecnologias têm permitido chegar a mais gente, com distanciamento, mas de uma forma muito própria. No dia 15 de março, vimo-nos confrontados com o encerramento das igrejas, não podíamos ir à Missa, não podíamos estar junto dos irmãos, o que nos causava uma grande tristeza. Mas imediatamente pusemos em marcha a possibilidade de comunicar uns com os outros através de grupos do WhatsApp. Foi a nossa preferência e, hoje, temos três grupos em atividade: o grupo da Pastoral Familiar de Caldas da Rainha, o grupo de noivos, porque estávamos com o CPM a decorrer, e o grupo de catequese de adultos. Ao todo, temos mais de 100 pessoas que são tocadas por estas mensagens que fazemos chegar, de uma forma que nos parece útil e oportuna. Ou seja, mantemos a presença da Igreja viva, até porque a fé não se impõe – a fé vive-se, a fé anuncia-se, a fé testemunha-se”, respondeu José Paulo Romero, que é diácono permanente e colabora atualmente na Paróquia de Caldas da Rainha.

O diácono Romero, que durante quatro anos, entre 2009 e 2013, foi diretor do Sector da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, destacou ainda “dois momentos muito importantes”, que foram “repercutidos de forma mais intensa nestes grupos do WhatsApp”. “A 25 de março, tivemos o pedido do Papa para o Pai Nosso, para estarmos junto de todos os irmãos em Cristo; e neste dia também, tivemos a consagração de Portugal e de Espanha ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. Foram eventos muito importantes e que transmitimos, celebrámos e partilhámos”, frisou, testemunhando ainda uma iniciativa que tiveram logo no início da quarentena: “No dia 15 de março, Domingo, não podíamos estar com a família, fisicamente, e fizemos um pequeno vídeo, uma pequena mensagem, uma oração, e enviámos para a família”.

A esposa, São, não escondeu que o distanciamento social e familiar, “no princípio, mexeu muito” consigo, e partilhou a história da sua mãe, atualmente com 92 anos, e que está numa residência assistida, a somente “cinco minutos” de sua casa. “Ela está muito debilitada e foi a nossa primeira preocupação. Depois, pedimos para fazer uma videochamada com a família, os filhos, os netos e os bisnetos. Portanto, a preocupação é muita, mas temos que acreditar que o nosso auxílio vem do Senhor. Temos de confiar n’Ele e tudo se há de compor”, testemunhou.

São e José Paulo Romero têm um filho no Canadá e uma filha que é médica, no nosso país, e que “todos os dias sai [de casa] para trabalhar”. “É uma preocupação grande”, assumiu. “Entregamo-nos diariamente a Nossa Senhora e acreditamos que tudo se vai compor e tudo vai caminhando para que, um dia, possamos estar juntos – e já estivemos juntos, com distância, com máscaras, com todos os procedimentos que agora temos que adotar, mas foi uma alegria imensa podermos revê-los”, acrescentou.

Sobre a forma como procuram transmitir, hoje, a fé aos netos, São garantiu “ser fácil” porque “a vivência da fé tem que ser uma vivência de família”. “As crianças replicam essa vivência”, considerou esta mãe e avó, referindo que procuram fazer “um complemento da catequese”. O avô, semanalmente, “prepara uma pequena aula de catequese” para a neta – o segundo neto tem somente 9 meses –, com base na Bíblia para as crianças, e manda desenhos para pintar. “Nunca nos quisemos substituir à catequese dos pais, nem do colégio, mas encontrámos nas videochamadas a forma de fazermos esta catequese, estimulando determinados aspetos daquilo que a compreensão da criança alcança. Começamos sempre com aquela ideia, que muitas vezes também transmito na catequese de adultos: fala-se de Jesus lá em casa? Jesus pertence à tua família? Fala-se de Jesus como se fala do avô, dos primos? Isso, para nós, é importante, é manter viva, sempre, essa chama no espírito da criança”, garantiu o diácono Romero, nesta sexta emissão do ‘3 DICAS’. 

 

As ‘3 DICAS’

Nesta emissão dedicada à ‘Família’, foi o padre Duarte da Cunha, assistente da Pastoral Familiar de Lisboa, quem deixou as três dicas.

- 1.ª DICA: “Reunir notas sobre estes meses de confinamento. Notas pessoais, que tenham a ver com a unidade da família ou da pessoa, porque vai ser bom, daqui a uns anos, recordar coisas que se tenham conseguido conquistar.”

- 2.ª DICA: “Preparar bem a confissão. Agora que se vai retomar a vida pública da Igreja, é importante preparar-se bem para a confissão para retomar com vigor a vida sacramental – certamente não vai ser necessário confessar que faltei à Missa durante o confinamento, porque esse é um pecado dispensado.”

- 3.ª DICA: “Olhar para os outros. Olhar para os outros que mais sofrem, sobretudo, quer dentro da família, quer das outras famílias, e tentar, com criatividade, ver o que a minha família pode fazer para ajudar as que mais precisam.”

O programa ‘3 DICAS’ regressa na próxima quarta-feira, dia 27 de maio, às 14h30, com um novo tema.

 

texto por Diogo Paiva Brandão
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