Lisboa |
Trabalho de investigação da historiadora Maria Adelina Amorim
Culto a Santo António presente em todo o mundo e com muito por descobrir
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O trabalho de investigação da historiadora Maria Adelina Amorim, sobre a missionação da Ordem Franciscana em terras brasileiras, levou-a a descobrir um culto a Santo António que se reverte de “fascínio”, sobretudo pela “adaptabilidade” do santo “às múltiplas religiosidades do Brasil”.

“O culto a Santo António é muito dúctil, muito plástico, permite todas as possibilidades”, garante, ao Jornal VOZ DA VERDADE, a historiadora, que aponta o culto como o segundo mais importante no Brasil, apenas precedido do culto a Nossa Senhora da Nazaré. “No Brasil, rara é a casa que não tenha a Senhora da Nazaré e o Santo António. O Santo António está em tudo, até no nome de muitos”, justifica a historiadora, que apresentou, no passado dia 9 de junho, uma conferência, em ligação com o Brasil, sobre a vida do santo franciscano, por ocasião das Festas de Santo António de Lisboa.

Maria Adelina Amorim, doutorada em História, especialidade em História e Cultura do Brasil, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, destaca a associação do santo à questão militar – uma das associações mais comuns. “Em Portugal, temo-lo como protetor das companhias de infantaria e, no Brasil, essa dimensão é maior. Vamos encontrar em todos os municípios e antigas vereações coloniais sempre um Santo António a mais, na infantaria. Isto tem uma lógica”, aponta. “Era quase uma espécie de um mutualismo, porque Santo António entrava como se fosse um soldado a mais e recebia um soldo, pago por Portugal. Quando um dos soldados adoecia ou morria, o dinheiro servia para fazer face”, explica Maria Adelina Amorim.

 

Santo António, uma figura pública

Para além da dimensão militar, a investigadora doutorada integrada do CHAM – Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa, encontrou ainda uma outra dimensão do culto que considera ser de grande interesse para uma investigação que ainda está ainda por fazer: Santo António “enquanto vereador”. “Acho que até é mais surpreendente, porque aqui joga a questão pública, a história real e política e, ao mesmo tempo, o aspeto miraculoso”, considera. “Santo António entra, no tempo da administração colonial portuguesa, como vereador em várias câmaras brasileiras. Não se tratava de um pelouro atribuído, com funções específicas, mas tinha esta mesma duplicidade. Também recebia o soldo, que ficaria na câmara e servia para fins sociais ou outros. Nunca averiguei se ele teria capacidade de veto ou desempate nalguma decisão porque aí, isso seria ainda mais fascinante”, aponta Maria Adelina Amorim, destacando uma de muitas tradições que atualmente são possíveis encontrar em territórios que fizeram parte do império português. “Ainda hoje, em Macau, no dia de Santo António, a imagem vai fazer a vistoria aos muros da antiga fortaleza”, descreve. Também “em Goa, no tempo do Marquês de Pombal, um dos governadores decidiu destituir, por decreto, o Santo António das suas funções militares”. “Aconteceu que, passado uns dias, ele deu uma monumental queda do cavalo e o povo atribuiu essa queda ao facto de ter dispensado o santo. Imediatamente, o governador mandou que Santo António retomasse o lugar”, conta. “Mistura-se muito este aspeto do lendário, do histórico, do real. É por isso que Santo António tem ainda este fascínio”, considera Maria Adelina Amorim.


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Exposição temporária

O Museu de Lisboa – Santo António criou um programa para assinalar o jubileu da criação de Santo António como franciscano. De entre várias iniciativas, destaca-se a representação artesanal da procissão de Santo António, composta por 330 peças, da autoria da oficina Irmãos Baraça, de Barcelos. Pode ser visitada no núcleo museológico dedicado a Santo António, em Lisboa.

 

Museu de Lisboa – Santo António

Largo de Santo António da Sé, 22

Aberto de terça-feira a Domingo, das 11h00 às 17h00 (horário temporário)

texto e foto por Filipe Teixeira
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