Lisboa |
Cardeal-Patriarca pede proteção para a cidade de Lisboa
“Que Nossa Senhora da Penha de França nos livre desta pandemia”
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O Cardeal-Patriarca pediu a Nossa Senhora da Penha de França, protetora da cidade de Lisboa, para livrar o mundo da pandemia do novo coronavírus. Na Solenidade da Santíssima Trindade, D. Manuel Clemente explicou o sentido desta invocação mariana.

“No ano de 1599, houve uma grande peste – uma pandemia, também –, muito centrada em Lisboa. Por iniciativa da Câmara da altura, encomendou-se a Nossa Senhora da Penha de França – que era uma devoção recente, trazida para aqui do seu sítio original, em Espanha – a proteção da cidade e o que é certo é que a pandemia passou. A partir daí, a Câmara de Lisboa proclamou Nossa Senhora da Penha de França como protetora da cidade de Lisboa. Nós também ainda temos uma pandemia, e por isso estamos aqui outra vez, na Penha de França, para pedir a Nossa Senhora que nos livre desta pandemia, a nós e a todos os que ela ataca, por esse mundo além”, explicou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, no início da Missa na Igreja de Nossa Senhora da Penha de França.

A celebração aconteceu na manhã deste Domingo, 7 de junho, na “primeira oportunidade” que D. Manuel Clemente “teve, após o confinamento começar a abrandar, com toda a cautela que é preciso”. Na homilia, o Cardeal-Patriarca recordou que, “durante muitos séculos”, foi “a própria Câmara de Lisboa, até ao século XIX, que organizou, todos os anos, uma procissão, aqui, à Senhora da Penha de França, como protetora da cidade”. “Nesta presente pandemia, que ainda não passou, mesmo aqui, nós temo-la, à Senhora da Penha de França, como uma presença e uma proteção muito próximas, e assim a invocamos e eu quis estar aqui, na primeira oportunidade deste cauteloso desconfinamento em que estamos, para invocá-l’A neste título, também, que a cidade lhe deu, de sua protetora”, acrescentou.

 

Viver no amor

Esta celebração decorreu no Domingo da Santíssima Trindade. “Celebrar a Santíssima Trindade, ou seja, Deus Pai, Filho e Espírito Santo, celebrar esta verdade de Deus que nós aprendemos de Jesus Cristo, é percebermos o que havemos de ser uns para os outros, para vivermos no amor e para termos paz, e nestas presentes circunstâncias”, desafiou, sublinhando que, “quem vive no amor, salva a cidade”. “À maneira de Deus, queremos ser um só, numa só cidade. À maneira de Deus, Pai, Filho, no amor do Espírito, somos vários, mas como um só, partilhando a mesma vida, dada e recebida, garantida em nós, garantida para todos”, concluiu D. Manuel Clemente.

No final da celebração, que foi transmitida em direto pela página da paróquia no Facebook (www.facebook.com/Paroquianossasenhorapenhafranca), o pároco da Penha de França, padre Bartolomeu Teixeira da Mota, agradeceu “a boa surpresa” que foi a visita do Cardeal-Patriarca e a proteção da cidade de Lisboa à padroeira da paróquia. “É uma honra, para nós, podermos ser paroquianos da protetora da nossa cidade. Rezamos por isso, e por todos aqueles que têm sido vítimas desta pandemia”, referiu o sacerdote, pedindo “um aplauso” a Nossa Senhora.

 

Consagração e prece a Nossa Senhora da Penha de França

Durante a celebração, o Cardeal-Patriarca pediu a proteção de Nossa Senhora da Penha de França, a quem a cidade de Lisboa recorreu na grande peste de 1599. “Nossa Senhora da Penha de França, esta consagração reforça-nos a certeza de que estais onde Cristo Vos colocou, como Mãe próxima e solícita de quantos trabalham na saúde e em todas as concretizações da solidariedade humana e cristã, para responder às múltiplas necessidades que a pandemia trouxe ou acrescentou”, rezou D. Manuel Clemente. A oração de consagração e prece a Nossa Senhora da Penha de França pode ser lida, e vista em vídeo, em www.vozdaverdade.org.

 

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Consagração e prece a Nossa Senhora da Penha de França:

 

 

Nossa Senhora da Penha de França, neste lugar tão venerada desde que a cidade de Lisboa a Vós recorreu na grande peste de 1599. Então Vos tomou como sua especial protetora e assim Vos olhamos também nós, nestes tempos que a pandemia tornou tão difíceis.

Sois a Mãe que Jesus compartilhou connosco no Calvário. Ali O acompanhastes, como agora aos que sofrem pessoalmente e às suas famílias. Estamos aqui para que a certeza da Vossa presença se torne ainda mais viva e consoladora para todos.

Sois a Mãe atenta às necessidades dos seus filhos, como mostrastes na Bodas de Caná, apresentando-as ao próprio Jesus, que não tardou em responder-lhes. Estamos aqui, consagrados ao vosso amor, com a mesma certeza da vossa atenção ao momento que vivemos. 

Na Ave Maria pedimos que rogueis por nós «agora e na hora da nossa morte». Assim o repetimos hoje, lembrando também os que foram vitimados e partiram.

Nossa Senhora da Penha de França, esta consagração reforça-nos a certeza de que estais onde Cristo Vos colocou, como Mãe próxima e solícita de quantos trabalham na saúde e em todas as concretizações da solidariedade humana e cristã, para responder às múltiplas necessidades que a pandemia trouxe ou acrescentou.

Necessidades que agora passam, com maior gravidade, pelas condições básicas de vida, habitação e trabalho, ainda tão precárias ou mesmo inexistentes para muitos habitantes da cidade. Avivai em nós, cidadãos e poderes públicos, a solicitude e o empenho em responder a estas urgências sociais, pois só assim nos reencontraremos numa cidade que seja de todos e para todos.

Nossa Senhora da Penha de França, protetora da cidade de Lisboa, por tudo isto Vos repetimos agora, em consagração e prece, a oração mariana, tão insistente e garantida, que tem acompanhado os crentes desde os tempos mais antigos: «À vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!»


Lisboa, igreja de Nossa Senhora da Penha de França, 7 de junho de 2020

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