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“Não cantem vitória, cumpram as normas”, apela o Papa
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O Papa Francisco pediu prudência, para conter o coronavírus. Na semana em que se uniu a estrelas do desporto para promover um leilão solidário, o Papa enviou uma carta ao Presidente da Colômbia, pelo Dia Mundial do Ambiente, defendeu a educação e a cultura para superar a crise e anunciou as intenções de oração para este mês de junho.

 

1. O Papa apelou à prudência, para evitar que o novo coronavírus se propague. Francisco apelou ainda a que se cumpram as regras sanitárias, apesar da fase aguda da epidemia estar superada em Itália. “Não cantem vitória, cumpram as normas que ajudam a evitar que a epidemia avance”, pediu, no passado Domingo, 7 de junho. “Infelizmente, noutros países o vírus ainda continua a fazer muitas vítimas. Só na sexta-feira passada, num país morreu uma pessoa por minuto. Terrível”, comentou, provavelmente a pensar no Brasil. Francisco exprimiu depois a sua “proximidade a essas populações, aos doentes e seus familiares e a todos os que cuidam deles.”

Durante a oração do Angelus, que proferiu da janela do palácio apostólico, o Papa falou do amor de Deus que “ama o mundo, apesar dos seus pecados e ama cada um de nós, mesmo quando erramos e nos afastamos d’Ele”. No Domingo da Santíssima Trindade, Francisco sublinhou que “a beleza, a verdade e a bondade inexaurível” de Deus, uno e trino, “está ao serviço do mundo, quer salvá-lo e recriá-lo”.

No final, o Papa recordou que neste, mês de junho, especialmente dedicado ao Coração de Jesus, este “Coração humano e divino de Jesus é a fonte onde podemos alcançar a misericórdia, o perdão e a ternura de Deus”. E pediu aos fiéis presentes que repetissem com ele, uma oração que a sua avó lhe ensinou: “Jesus, fazei o meu coração semelhante ao Vosso”.

 

2. O Papa Francisco uniu-se a estrelas do desporto para promover um leilão solidário, destinado a ajudar hospitais que enfrentaram a crise da covid-19 no norte da Itália. A iniciativa tem como lema ‘We run together’ (‘Corremos juntos’) e conta, entre os seus organizadores, com a ‘Athletica Vaticana’, a equipa de atletismo do Estado da Cidade do Vaticano, e o ‘Átrio dos Gentios’, projeto do Conselho Pontifício da Cultura para o diálogo entre crentes e não-crentes.

O montante recolhido com a venda de objetos – incluindo camisolas da equipa de atletismo do Vaticano, assinadas pelo Papa – e de experiências com atletas visa apoiar as equipas de saúde dos hospitais de Brescia e Bérgamo, que estiveram na linha da frente do combate à pandemia.

Francisco ofereceu alguns objetos que recebeu de desportistas de topo, ao longo das várias audiências do seu pontificado, como uma bicicleta personalizada – com as cores da Santa Sé –, um presente de Peter Sagan, campeão do mundo de ciclismo.

Até dia 8 de agosto, é possível participar nesta “corrida da solidariedade”, em www.charitystars.com.

 

3. “Proteger o meio ambiente e respeitar a biodiversidade do planeta são questões que dizem respeito a todos”, escreveu o Papa Francisco, numa carta ao Presidente colombiano, Ivan Duque Márquez. A missiva foi divulgada por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, que este ano deveria ter ocorrido em Bogotá, mas é assinalado apenas de forma virtual por causa da pandemia de covid-19. “Não podemos fingir-nos saudáveis num mundo doente. As feridas causadas à nossa Mãe Terra são feridas que também sangram em nós”, escreveu Francisco.

O Papa recorda ainda que “não podemos ficar calados diante desse clamor quando verificamos os custos muito altos da destruição e exploração do ecossistema. Não é hora de continuar a olhar para o outro lado, indiferentes aos sinais de um planeta que está a ser saqueado e violado, pela ganância pelo lucro e em nome – muitas vezes – do progresso”. “Está dentro de nós a possibilidade de inverter a marcha e apostar num mundo melhor e mais saudável, deixando-o como um legado para as gerações futuras. Tudo depende de nós; se realmente quisermos”, acrescentou Francisco.

A carta recorda as comemorações do quinto aniversário da Encíclica Laudato Si’, chama a “atenção para o grito que a Mãe Terra nos dá” e convida todos a participarem no ano especial de reflexão sobre esta encíclica, que decorre até maio de 2021.

 

4. O Papa Francisco pediu um reforço da educação e da cultura para a humanidade superar a crise gerada pelo coronavírus, que, na sua opinião, pode ser uma oportunidade de criar um futuro melhor. O Papa fez estas reflexões numa mensagem enviada aos participantes num evento organizado pela Fundação Scholas Occurrentes, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente.

Francisco disse que as crises são necessárias à humanidade, porque sem elas estaria “enferma e adormecida”. Destacou que os momentos de dificuldade podem significar rutura e perigo, mas também oportunidade e abertura. O Papa sublinhou que Scholas é uma comunidade que educa e ajuda jovens e adultos de todo o mundo a promover a cultura do encontro e do diálogo e citou três imagens: o filme italiano de Fellini ‘A Estrada da Vida’, o quadro de Caravaggio ‘A Vocação de São Mateus’ e o romance de Dostoevski ‘O Idiota’. Francisco fez estas evocações para destacar três conceitos – a gratidão, o sentido e a beleza, necessários para que a humanidade acredite num futuro melhor.

No encontro digital organizado por esta fundação, participaram nove primeiras damas da América Latina e do Caribe, que leram diferentes passagens da encíclica Laudato Si’ sobre o cuidado com o meio ambiente.

Scholas Occurrentes é uma Organização Internacional de Direito Pontifício presente em 190 países, incluindo Portugal, mais concretamente em Cascais, e que integra mais de 400 mil centros educativos.

 

5. ‘O vídeo do Papa’, neste mês de junho, tem como intenção especial os que sofrem e os que passam por todos os tipos de dificuldades. Francisco deseja que “encontrem caminhos de vida, deixando-se tocar pelo Coração de Jesus”. Em tempos de pandemia, o Papa recorda que este “caminho cheio de compaixão, transforma a vida das pessoas e aproxima-as do Coração de Cristo, que nos acolhe a todos na revolução da ternura”.

Esta é uma iniciativa da Rede Mundial de Oração do Papa que, neste mês de junho, vai ao encontro da tradicional devoção ao Coração de Jesus. Esta tradição tem por base as revelações a Santa Margarida Maria Alacoque no século XVII e no posterior culto ao Sagrado Coração no século XIX. A devoção surgiu reforçada com as revelações da Divina Misericórdia, a Santa Faustina Kowalska no início do século XX.

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