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‘3 DICAS’ – Empresários cristãos na pandemia
“Fazer da liderança um serviço”
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O presidente da ACEGE - Associação Cristã de Empresários e Gestores lembrou que “ser líder empresarial é uma vocação, e é uma nobre vocação”, e “um serviço”. “Esta pandemia é uma grande oportunidade para transformar a sociedade numa sociedade melhor”, considerou João Pedro Tavares, na emissão do ‘3 DICAS’ dedicada aos ‘Empresários cristãos na pandemia’, que contou ainda com a presença de Cristina Vaz Tomé, da Comissão Executiva do grupo Impresa, e de Armindo Monteiro, empresário e vice-presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal.

 

Na décima emissão do ‘3 DICAS’, o presidente da ACEGE sublinhou que a crise trazida pela pandemia é “uma oportunidade” para “uma sociedade melhor”. “Há que tomar este momento como uma grande oportunidade para transformar a sociedade numa sociedade melhor, mais justa socialmente, mais equitativa, com maior criação de valor e distribuição de valor e não tirar partido de posições de força perante famílias, colaboradores ou perante terceiros, nomeadamente fornecedores”, desejou João Pedro Tavares.

Este responsável recordou que, “logo no início desta pandemia e deste tempo de crise”, em março, a associação teve uma tomada de posição, numa nota intitulada ‘Construir a esperança na crise’, onde procurou “dar uma mensagem de esperança, não só aos empresários e gestores, como aos trabalhadores, aos desempregados, a toda a sociedade, no sentido de construírem essa esperança fundamentados na fé, no amor e nos valores cristãos”. “Ser empresário, ser gestor, ser líder empresarial é uma vocação e é uma nobre vocação, diz-nos o Papa Francisco. Portanto, não é o exercício de um cargo, mas é muito mais um exercício e um serviço. E esta tomada de posição é muito assente no bem comum – uma imagem do bem comum, hoje em dia, são as máscaras que trazemos na cara, que são um sinal para proteger o outro e não para me proteger a mim próprio. O bem comum é precisamente o estar disponível para que, comunitariamente, todos possamos ter mais. Nesse sentido, abordámos os empresários e gestores a fazerem da sua liderança um serviço”, explicou, no programa transmitido online, em direto, na noite da passada segunda-feira, 15 de junho.

 

Relação família-trabalho

A pandemia levou a que muitos trabalhadores ficassem em teletrabalho, muitos deles com filhos em aulas escolares, também, a partir de casa. Uma nova realidade que “vem aumentar a preocupação da ACEGE” com a relação família-trabalho. “É muito importante que as famílias sejam consideradas como um importante ‘stakeholder’ [em português, parte interessada ou interveniente] das empresas. Um líder empresarial não pode olhar apenas para o número de colaboradores, mas tem que olhar para o número de famílias que estão à sua responsabilidade e qual é o impacto social que representam essas famílias”, observou o líder da ACEGE, partilhando uma das recomendações desta associação cristã: “Uma das nossas recomendações é que não se despeça absolutamente ninguém de uma família que não tenha outra forma de sustento. Porque sabemos que há pessoas pobres, mas há sobretudo famílias pobres. E sessenta por cento da pobreza em Portugal está em famílias de desempregados”.

Para João Pedro Tavares, a nova realidade é “um desafio muito grande para os empresários e gestores”, que deve ser “assumido em conjunto com outros parceiros sociais, nomeadamente as associações, o próprio Estado”. “É uma responsabilidade que é conjunta. Este momento é o momento de soluções coletivas e de busca de soluções que, de facto, criem um valor conjunto muito superior àquele que vínhamos a criar no passado”, apontou.

Sobre o tipo de apoio que a ACEGE pode prestar aos empresários e gestores, este responsável sublinhou que a missão da associação é “inspirar os líderes empresariais a viver o amor e a verdade como critérios de gestão, para, com isso, transformar as suas empresas e influenciar a sociedade”. João Pedro Tavares recordou diversas iniciativas recentes, como as “webinars de apoio, com mais de 150 a 200 pessoas em cada uma delas”, e os grupos ‘Cristo na empresa’. “Procuramos meditar o que significa esta unidade de vida, como é que eu posso ser cristão 24 × 7, este estar no mundo sem ser do mundo para transformar o mundo e como é que, a partir dessa realidade, posso, em conjunto com outros, transformar a minha vida e transformar a vida dos outros, através de um compromisso pessoal muito mais forte”, explicou.

 

Dar tranquilidade e confiança às pessoas

Cristina Vaz Tomé, da Comissão Executiva da Impresa, grupo de comunicação que detém a SIC e o Expresso, esteve também neste ‘3 DICAS’ e sublinhou que, no início da pandemia, “a grande preocupação foi dar tranquilidade e confiança às pessoas”. “Dizer aos trabalhadores que a empresa está lá e não os iria abandonar. Foi uma situação muito rápida. Recordo-me que cinquenta por cento de nós ficaram em teletrabalho entre sexta-feira e segunda, e a principal mensagem foi: ‘Nós estamos convosco, com todos os trabalhadores, com as suas vicissitudes. A empresa precisa de vós e não vos vai abandonar’”, contou, lembrando que a Impresa “não recorreu aos mecanismos do Estado, nomeadamente o lay-off”. “Tentámos sempre, com base nos nossos recursos, porque somos um grupo de comunicação que vive das receitas que consegue recolher no investimento publicitário, e mantivemos sempre toda a nossa atividade, apoiando as pessoas sem qualquer sinal de que vamos cortar, vamos reduzir, vamos eliminar postos de trabalho”, observou, lembrando que “a empresa só existe porque existem pessoas”. “Ainda para mais, porque somos um grupo familiar”, reforçou.

Esta gestora recordou depois que “já se falava na crise dos media antes da pandemia”. “É uma sombra que vem pairando sobre nós, há alguns anos”, assumiu. “Não vivemos de subsídios do Estado, mas do reconhecimento do público sobre o nosso trabalho, o trabalho que os jornalistas produzem. E a realidade é que é um mercado difícil. Estamos a sentir que, com a entrada na normalidade, de facto aquilo que era o consumo de notícias e a compra de jornais está a voltar ao normal, ao que seria normal antes desta pandemia”, observou, sublinhando que “é um tema interessante” a forma “como o financiamento desta indústria se fará”. “Provavelmente, se o investimento em publicidade continuar a baixar, vamos ter que reajustar-nos. Não tenho soluções, nem eu, nem a nível internacional. Andamos todos a testar como fazer”, manifestou.

 

ACEGE tem sido “uma ajuda muito relevante”

Cristina Vaz Tomé pertence à atual direção da ACEGE, mas começou por integrar os grupos ‘Cristo na empresa’. “Por vezes, no mundo empresarial, é muito difícil partilharmos com outros – que nós não sabemos se são cristãos ou não – que somos cristãos. Parece que os outros vão olhar de lado para nós e pensar que somos estranhos, porque vamos à Missa e rezamos”, começou por partilhar esta gestora católica, assumindo que o facto de pertencer à ACEGE e aos grupos ‘Cristo na empresa’ a ajuda “a reconhecer” que “há pessoas como nós, católicos, cristãos praticantes”, que também “partilham das mesmas dificuldades e dos mesmos dilemas”. “É essencialmente um local onde nós podemos partilhar essas nossas dúvidas, essas nossas dificuldades e como devemos ultrapassá-las. E também como é que, num contexto empresarial, eu posso de facto partilhar o que é a minha vida cristã e aquilo que é a minha forma de pensar, os meus valores, junto dos meus colegas. Tem sido uma ajuda muito relevante, para mim”, assegurou Cristina Vaz Tomé.

 

“Nunca tantos dependeram de tão poucos”

Para Armindo Monteiro, empresário e vice-presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, a pandemia “fez aumentar” nas empresas a preocupação pela responsabilidade social. Começando por referir que “esta crise trouxe várias coisas novas”, este empresário sublinhou ser necessário “ter esta visão social”. “Porventura mais do que nunca, nunca tantos dependeram de tão poucos. E os líderes empresariais devem ter essa consciência, os líderes empresariais podem ser ‘céu’ e podem ser ‘inferno’, pelas decisões que tomam e pelas suas ações. Neste contexto, é necessária uma consciência muito grande para que as ações e as decisões não sejam um ‘inferno’ para muitos. É necessário, agora, uma grande resiliência dos empresários”, apontou, reforçando que “o momento obriga todos a ter humildade e a pedir inspiração para que as ações não sejam de curto prazo e de desespero”. “Se conseguirmos evitar esse momento de desânimo e desespero, temos mais tempo para resolver as coisas e temos a perspetiva de que vamos encontrar uma solução”, frisou.

O documento da ACEGE ‘Construir a esperança na crise’, publicado no início da pandemia, apela, no ponto n.º 6, à “cooperação entre todos – governo, organizações e pessoas”. Como vice-presidente da CIP, Armindo Monteiro considerou “absolutamente essencial” haver cooperação empresarial. “Estou na área associativa por convicção, e acredito que a eficiência coletiva é importante, mesmo sem ser em cenários de crise como esta, que estamos a viver. Em conjunto, somos sempre mais eficientes. Somos mais fortes se juntarmos esforços. Isto não é um chavão, é uma prática consolidada, sobretudo nas nossas empresas, que são micro e pequenas empresas”, explicou, garantindo que “se não houver cooperação uns com os outros, vamos ficar muito mais frágeis”. “Não é possível enfrentar uma onda com a dimensão desta que estamos a enfrentar se estivermos sozinhos”, manifestou, convidando ainda as empresas a “não encontrarem soluções de curto prazo”. “A esperança não pode ser uma palavra vã. Temos de acreditar que a esperança é inevitável, mas não pode ser inviável. Não podemos aceitar imitações de esperança, temos que acreditar na esperança real”, desafiou.

 

Utilizar bem o teletrabalho

Empresário com experiência na área das Tecnologias de Informação, Armindo Monteiro considerou ainda, durante o ‘3 DICAS’, que a evolução tecnológica pode trazer benefícios para a harmonia familiar e para o funcionamento das empresas. “Hoje, verifica-se que podemos ser igualmente produtivos sem ter que estar 16 horas no escritório. Podemos ser igualmente produtivos se conseguirmos conciliar, com a ajuda das tecnologias da informação, estas duas áreas tão fundamentais nas nossas vidas. De facto, as tecnologias não são obstáculo, são uma vantagem muito grande, se forem bem utilizadas, e permitem efetivamente dar essa realidade de conciliação entre trabalho e família”, referiu.

Este empresário acrescentou que “o teletrabalho obriga a uma disciplina muito grande”, e “obriga a que os horários das refeições sejam os mesmos, a que os horários de descanso sejam os mesmos”. “A diferença é que não há uma deslocação para o escritório, para a empresa, mas a disciplina tem de continuar a ser a mesma, porque se não é um risco muito grande”, alertou.

Já Cristina Vaz Tomé disse “crer que o teletrabalho pode ser uma oportunidade para as pessoas terem melhor qualidade de vida”, enquanto João Pedro Tavares sublinhou que “as coisas não são boas nem más, dependem é do uso que lhe dermos”. “Portanto, se dermos um bom uso à tecnologia, a tecnologia pode ser uma grande ajuda no desenvolvimento futuro”, assegurou o presidente da ACEGE.

 

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As ‘3 DICAS’

Na emissão do ‘3 DICAS’ dedicada aos ‘Empresários cristãos na pandemia’, foi o presidente da ACEGE - Associação Cristã de Empresários e Gestores, João Pedro Tavares, que deixou as três dicas sobre o tema.

1.ª DICA: “Para os empresários e gestores – não ficar à espera que tudo volte ao antigamente. Pôr-se a caminho e ser construtor do futuro. As coisas evoluem, vão surgir novas oportunidades, imensas oportunidades, questione os modelos antigos. É uma oportunidade única para fazer coisas diferentes, para promover uma sociedade mais justa, mais solidária e mais distributiva.”

2.ª DICA: “Para o mundo empresarial – considerar a família como um ‘stakeholder’ interveniente. As decisões já não são decisões gerais, são decisões particulares, em que tem que se tomar em consideração o contexto da família. Perceber que a dignidade das pessoas também passa pelas suas famílias, muitíssimo. Um líder empresarial tem que tomar em consideração a realidade das famílias, a pobreza de muitas famílias, a pobreza de muitos colaboradores, o drama do desemprego…”

3.ª DICA: “Buscar soluções conjuntas e não individualizadas. As tais soluções de bem comum, de médio e longo prazo, de construir uma esperança viável e não uma contrafação da esperança. E ter presente duas dicas do Papa Francisco: o tempo é superior ao espaço; e o todo é maior do que as partes. Fomentem o trabalho em rede, partilhem, peçam ajuda, a Governo, empresas, associações, famílias, para que possamos construir uma sociedade absolutamente diferente, tomando a liderança como um serviço. Inspirem-se no nosso Mestre, que formou e serviu, formando novos líderes e trabalhou em conjunto com todos eles.”


texto por Diogo Paiva Brandão
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