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“Atividades escutistas estão suspensas, mas o escuteiro não é suposto estar inativo”

O chefe regional de Lisboa do CNE - Corpo Nacional de Escutas assumiu, no programa ‘3 DICAS’, que se o foco de covid-19 se mantiver na capital portuguesa as “atividades escutistas na Região vão manter-se suspensas”. O que não quer dizer que “o escuteiro esteja inativo”, salientou João Esteves. A emissão contou ainda com o testemunho de uma chefe de agrupamento, uma pioneira e um chefe de núcleo, e abordou a forma como tem sido vivido o escutismo durante a pandemia.

 

No início da pandemia, em março, a Região de Lisboa do CNE cancelou todas as atividades escutistas. No entanto, não deixou de haver colaboração dos escuteiros com a sociedade civil, e o escutismo passou a ser realizado a partir de casa. “Aos olhos de alguns, se calhar não temos andado a fazer nada de jeito; mas, por outro lado, parece-me, a julgar pela grande maioria, que temos andado a fazer muitas coisas”, referiu o chefe regional de Lisboa do CNE, no programa ‘3 DICAS’ do passado dia 22 de junho, explicando depois as “várias dinâmicas” propostas pelo “CNE, a nível nacional e a nível de Lisboa” para os escuteiros continuarem em atividade. “De todas as maravilhas do método [escutista], a vivência na natureza ao ar livre é, sem dúvida, aquela que ficou mais beliscada, porque fomos convidados a ficar em casa. Mas tudo resto, nós fizemos. Foi criado um site de escutismo em casa [www.escutismoemcasa.pt], que tem uma série de dinâmicas, houve um ‘Scout Talent’, houve e tem havido tertúlias, houve inclusivamente um acampamento nacional, na vertente em casa, portanto acantonamento, chamado ‘AcantoNac’… portanto, temos feito mesmo muitas coisas”, observou João Esteves.

Mostrando “uma grande alegria” por participar nesta emissão do ‘3 DICAS’ e “testemunhar o que os escuteiros do CNE, e mais concretamente os da Região de Lisboa, têm andado a fazer nestes três meses”, este responsável partilhou as “duas preocupações” que quiseram fazer chegar a cada escuteiro, no início da pandemia. “A primeira preocupação que tivemos foi de apelar aos nossos jovens e adultos do CNE da Região de Lisboa para que se protegessem, que evitassem locais de cinemas, de praias, de restaurantes, de centros comerciais… Em segundo lugar, ficando em casa para uma maior proteção, que evitassem ficar no sofá, inativos. As atividades realmente estão suspensas, mas o escuteiro não é suposto estar inativo”, sublinhou o chefe João.

 

“Se a situação se mantiver, mantemos a suspensão”

A nível nacional, a suspensão das atividades escutistas terminou no passado dia 18 de junho, sendo que, neste desconfinamento, cada agrupamento define a sua jornada de regresso às atividades presenciais. Em Lisboa, que vive atualmente um maior foco da pandemia, esta região do CNE confirmou que, até dia 2 de julho, as atividades escutistas mantêm-se suspensas. Depois dessa data, haverá nova avaliação. “Quando o CNE, a nível nacional, há uma semana, levantou a suspensão das atividades, fê-lo numa perspetiva de que a nação é grande, tem 20 regiões do CNE que não estão todas na mesma fase do covid. A Região de Lisboa, conhecendo os números que conhece e analisando a situação, viu-se ‘obrigada’ – não era, necessariamente, essa a nossa vontade – a continuar com a suspensão das atividades mais algum tempo. Se a situação se mantiver hoje como há uma semana atrás, ficamos ‘chateados’, mas não teremos problemas em continuar com a suspensão, porque se pudermos que haja menos casos de covid por causa desta suspensão, pois que seja. Não é uma decisão fácil e não é uma decisão a pensar nos exploradores que querem fazer reuniões de patrulha, nos pioneiros que querem fazer acampamentos e atividades com os seus pares, neste verão…”, assumiu o chefe regional.

 

A colaboração com as paróquias

Em diversas paróquias do Patriarcado de Lisboa, os escuteiros têm integrado as novas equipas de acolhimento das Missas. Para João Esteves, tem sido importante esta colaboração, na missão de serviço dos escuteiros nas paróquias. “A suspensão das atividades esteve, e está, prevista para ser para todos os escuteiros em termos de atividades escutistas, à exceção – como achamos que não podia deixar de ser – de participar em duas vertentes: a primeira, nas atividades da paróquia, a pedido e combinado com o pároco, o assistente do agrupamento, que articula com os escuteiros o que é que é necessário para o acolhimento, arrumar os lugares, limpar a igreja; por outro lado, a vertente que não nos podemos esquecer, de todas as atividades da proteção civil – de alguma necessidade que surja a nível de proteção civil local, municipal, regional –,  e de campanhas, do Banco Alimentar, por exemplo”, referiu.

 

“Não foi fácil a adaptação ao escutismo em casa”

Ao longo da pandemia, o Agrupamento 1401 - São Pedro de Lousa tem procurado estar sempre ativo. “O nosso agrupamento fez questão de continuar ativo, com o escutismo em casa. Não é o ideal, como foi bem dito pelo chefe João, não é aquilo que nós idealizamos e aquilo pelo qual os elementos estão no escutismo – eles gostam de estar no campo, o nosso fundamento vem de campo, de rua e de natureza, mas, sem dúvida, que aprendemos muito ao estar em casa”, frisou a chefe do agrupamento, Marisa Coelho. No entanto, segundo assumiu esta responsável no programa ‘3 DICAS’, o estar a realizar as atividades a partir de casa permitiu uma maior “aproximação aos nossos elementos”. “Quando estamos em atividade, acaba por ser mais difícil este contacto tão individual, algo que é possível agora, ao trabalharmos em grupos pequenos, através do Zoom”, apontou Marisa, salientando ainda a importância do “contacto mais próximo com as famílias” que a pandemia proporcionou. “Somos um agrupamento que tivemos a sorte de ter um apoio muito grande dos pais, por trás. Desde a alcateia até aos mais velhos, conseguimos que participassem ativamente em todas as reuniões. Ponderámos se seria ou não produtivo ter mais atividades, devido às escolas, e chegámos à conclusão que sim, que para estes elementos é necessário haver qualquer coisa de diferente da rotina da escola e percebemos que, se calhar agora não fazemos o nosso escutismo habitual, mas servimos um pouco de apoio até para as famílias, para ouvir as crianças. Nem que seja ouvir dizer que estão fartos de estar em casa, ou para explicar vinte vezes que têm de estar em casa e que, mais tarde, vamos todos agradecer o facto de estarmos protegidos”, destacou, assumindo que “não foi fácil a adaptação ao escutismo em casa”. “Não estamos habituados a não ter contacto físico, a não nos vermos e a não podermos olhar e abraçar as pessoas”, confessou.

Esta chefe destacou ainda que o Agrupamento 1401 - São Pedro de Lousa “está numa freguesia privilegiada”, porque “está escondida na zona do Oeste”, e tem “muito, mas mesmo muito, pinhal à volta” para atividades ao ar livre. “Não queremos criar expectativas de ser possível reiniciar as atividades presenciais ainda este ano. Tão cedo não teremos as atividades a que estamos habituados, com o agrupamento inteiro, mas assim que for possível estamos preparados para ter atividades por bandos ou por patrulhas, que são pequenos grupos de 6-7 elementos, com um dirigente, para que eles voltem à normalidade possível”, assegurou Marisa, referindo “estar certa” que “o escutismo não vai sair prejudicado” desta pandemia. “O escutismo existe há 100 anos e já passámos por tantas crises. Esta, é só mais uma. Poderá acontecer alguns elementos ficarem mais fragilizados e termos que voltar ao contacto com eles, mais tarde”, observou esta responsável.

 

Um escutismo “diferente”

Este programa em direto do Jornal VOZ DA VERDADE contou também com o testemunho de uma jovem escuteira, Ana Carolina Rodrigues, que pertence à secção dos pioneiros do Agrupamento 485 - Ajuda e não escondeu que “foi diferente” viver o escutismo neste tempo de pandemia. “Não era uma coisa que estávamos à espera. Nos pioneiros, estamos entre os 14 e os 18 anos e começa a ser uma idade mais difícil para estarmos todos presentes nas atividades, mas conseguimo-nos habituar e começar a trabalhar depressa. Sentimos todos que precisávamos de ter alguma coisa para nos distrair, para nos ajudar e para nos apoiar, e notámos que éramos cada vez mais pessoas nas reuniões e tínhamos quase cem por cento de presença nas reuniões. Todos criámos dinâmicas novas e jogos, para continuarmos a trabalhar, mesmo que de maneira diferente”, partilhou.

Entre as várias atividades deste tempo, Ana Carolina lembrou que fizeram “muitas coisas”, mas destacou “os scones feitos em comunidade, por videochamada, e que foi uma experiência deveras engraçada”, e “uma outra experiência” que a “marcou muito”. “Em equipa, fizemos um plano pessoal de vida. Fizemos, trabalhámos e depois falámos todos sobre o que cada um tinha respondido. Foi um momento muito forte de partilha e de ver o que queríamos melhorar”, contou.

Da vivência neste agrupamento da cidade de Lisboa, esta jovem pioneira garantiu que o que sente “mais saudades” é de “ir acampar”. “Fazer uma construção, fazer uma construção elevada, dormir na tenda, ir fazer um raid, o fogo de conselho – estarmos todos à volta da fogueira, naqueles momentos tão bons que partilhamos…”, testemunhou Ana Carolina Rodrigues.

 

“Centro Escutista do Oeste é a casa de todos”

O Centro Escutista do Oeste, situado em Salir do Porto, celebrou recentemente o 10.º aniversário. Presente no ‘3 DICAS’, o chefe do Núcleo do Oeste, Carlos Pacheco, sublinhou a importância deste lugar. “O Centro Escutista do Oeste é a casa de todos nós, é a casa onde qualquer escuteiro do Oeste se sente em casa e faz com que aquele espaço seja um espaço de pertença. O celebrar deste aniversário foi algo especial, porque foi há 10 anos que foi inaugurado oficialmente, mas é um sonho com mais de 40 anos. Foi importante celebrar, para este sentido de união e de pertença”, referiu, lembrando depois que este espaço “não é só uma casa ou um local para acampar”. “O Centro Escutista do Oeste é o sítio onde os jovens vão e sabem aquilo que podem fazer, sabem que foram eles que o construíram e que continuam a construir naquilo que é a vivência do núcleo; e, para os adultos, é o local de eleição para a formação. Os agrupamentos do núcleo também utilizam o centro escutista como um espaço privilegiado para poderem acampar e desenvolverem as suas atividades, quer de unidade, quer de agrupamento”, salientou este responsável, sublinhando que o Centro Escutista do Oeste acolhe também “escuteiros de toda a Região de Lisboa e de todo o país”. “Recebemos, em média, por ano, quatro mil escuteiros. Claro que desde março, até agora, o centro também está fechado, mas quando for permitida a realização de atividades no campo e nos centros escutistas, ele está preparado, e que toda a gente se sinta seguro em realizar as suas atividades no Centro Escutista do Oeste”, desejou.

Sobre a forma como têm decorrido as atividades escutistas no Oeste, durante a pandemia, Carlos Pacheco realçou que “os agrupamentos aproveitaram as dinâmicas criadas pela estrutura nacional e pela estrutura regional”. Depois, lembrou que, nesta zona da diocese, existem “realidades muito distintas”. “Há as realidades dos centros urbanos, das cidades, onde há uma determinada dinâmica, e há a dos centros mais rurais, em que, para termos o exemplo, há agrupamentos que foram contactados pelos planos municipais de proteção civil para criarem, eles, os kits, com o material fornecido pelas câmaras municipais, para serem distribuídos pela comunidade. Houve também iniciativas do banco alimentar, e a recolha de alimentos das misericórdias e das cáritas”, partilhou o chefe do Núcleo do Oeste, reforçando que os agrupamentos “estiveram na linha da frente” e, assim, “os jovens vão-se enriquecendo, com estas vivências tão distintas”.

 

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As ‘3 DICAS’

Na emissão do ‘3 DICAS’ dedicada aos ‘Escuteiros’, foi o chefe regional de Lisboa do CNE – Corpo Nacional de Escutas, João Esteves, que deixou as três dicas sobre o tema.

1.ª DICA: “Proteção/cautela: preocuparmo-nos com a proteção e com a cautela deste vírus. Não sabemos onde está, não sabemos quem já tem, não sabemos como encontrá-lo a olho nu, e por isso muita cautela, toda a cautela.”

2.ª DICA: “Resiliência, com muita ação: é importante contentarmo-nos com o que temos e tirar de tudo o que temos o maior proveito. Claro que a pandemia é muito má para todos, mas saibamos tirar as lições certas, saibamo-nos adaptar e viver com esta situação.”

3.ª DICA: “Muito otimismo: o slogan do ‘Vamos ficar todos bem’ é muito importante. Otimismo e o acreditar seriamente que vamos todos ficar bem. Só assim um escuteiro, que é positivo, que tem sempre boa disposição de espírito, pode encarar esta pandemia. De certeza que Deus nos vai ajudar a ultrapassar esta situação.”


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