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“Vamos reencontrando o nosso lugar, no lugar de todos”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa enviou uma carta aos padres, assinalando o dia de oração pela santificação dos sacerdotes, onde sublinhou as dificuldades criadas pela pandemia do novo coronavírus e enalteceu a criatividade para chegar “a todos”.

“Os últimos meses, marcados pela pandemia que grassou, foram particularmente exigentes para o nosso povo em geral e o nosso ministério em particular. Chamados e formados para acompanhar as comunidades, não o pudemos fazer presencialmente e alguns viveram em isolamento custoso. Superámos como pudemos essa grande limitação, usando os atuais meios de comunicação, com bastante criatividade até. Garantimos catequeses, transmissões eucarísticas e tempos de oração, ações solidárias de vário tipo. Estamos agora em desconfinamento paulatino, retomando cautelosamente as celebrações e ações comunitárias. Vamos reencontrando o nosso lugar, no lugar de todos”, salienta a carta de D. Manuel Clemente, enviada aos “caríssimos irmãos sacerdotes do clero secular e regular, ao serviço do Povo de Deus no Patriarcado de Lisboa”.

Na missiva publicada por ocasião da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (19 de junho), o Cardeal-Patriarca recordou a importância do acompanhamento mútuo entre os sacerdotes. “Vários me testemunharam como foi importante a companhia de colegas, mesmo por telefone ou internet, ao longo destes meses. Será ótimo se tal continuar, também presencialmente, em oração, partilha e convívio. Rezo muito especialmente por isso, porque o acompanhamento mútuo é indispensável para o bom exercício do ministério. Assim começou com Cristo e os doze e assim aconteceu nos melhores períodos da Igreja”, destacou.

D. Manuel Clemente desafiou ainda os sacerdotes a dedicarem algum tempo a “lembrar e agradecer” a quem lhes deu a conhecer Jesus. “Por razões que só Deus sabe, o amor de Cristo tocou-nos fortemente. Ao ponto de fazer de nós sacramentos da sua entrega (sacerdotes) e da sua compaixão (pastores), para bem de todos. Por isso aqui estamos e assim continuamos. Dediquemos algum tempo a lembrar e agradecer quantos nos assinalaram a presença do Ressuscitado e nos fizeram crescer na comunhão com Ele. Imitaram assim aqueles primeiros discípulos, que depois chamaram outros ao primeiro grupo apostólico”, frisou.

A carta, que pode ser lida na íntegra em www.vozdaverdade.org, é acompanhada pela informação de que as ordenações sacerdotais deste Domingo, 28 de junho, vão ter participação limitada, face à pandemia, e adianta, ainda, a supressão da Missa Crismal deste ano, tal “como na Diocese de Roma”.

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Caríssimos irmãos sacerdotes do clero secular e regular, ao serviço do Povo de Deus no Patriarcado de Lisboa:

 

A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, também dia de oração pela santificação dos sacerdotes, concentra-nos uma vez mais no cerne da nossa vida sacerdotal e pastoral. Tudo reside em Cristo e no seu “coração”, ou seja, no que tem de mais íntimo e determinante, que nos toca também como vocação e ministério.

Detenhamo-nos aqui um pouco. Como os primeiros discípulos, que ficaram com Jesus naquele dia. Logo a seguir, um deles chamou outro e seguiram-se mais (cf. Jo 1, 17 ss). Todos eles viveram do encontro com Cristo. Assim começou a Igreja, precisamente como anúncio e experiência de Cristo vivo e convivente.

Como sucedeu com eles, também sucedeu connosco, sacerdotes de hoje, mais velhos ou mais novos, alcançados por Cristo de modo tão sedutor e forte, que o nosso coração não pretende outra coisa senão anunciar o seu. Nasce aqui a nossa vocação pastoral e celibatária, como entrega à missão e coração indiviso.

Aconteceu há mais ou menos anos, agora como há séculos. Podemos verificar, nas biografias e hagiografias de sacerdotes de muitas latitudes, épocas e culturas, como a motivação profunda é sempre a mesma, que Paulo traduziu assim aos filipenses: «Corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus» (Fl 3, 12). A estrada de Damasco, em que o Ressuscitado o alcançara, abriu-lhe as estradas do mundo, para que todos O alcançassem também.  

Para eles e para nós, houve momentos difíceis e tempos conturbados. Outras tantas ocasiões para aprofundar a relação, que sempre cresce na prova. Também sucedeu com Cristo, que não desistiu dos que chamou, mesmo quando o entusiasmo deles arrefeceu. Assim mesmo os recuperou, dando a vida por eles.

Por razões que só Deus sabe, o amor de Cristo tocou-nos fortemente. Ao ponto de fazer de nós sacramentos da sua entrega (sacerdotes) e da sua compaixão (pastores), para bem de todos. Por isso aqui estamos e assim continuamos. Dediquemos algum tempo a lembrar e agradecer quantos nos assinalaram a presença do Ressuscitado e nos fizeram crescer na comunhão com Ele. Imitaram assim aqueles primeiros discípulos, que depois chamaram outros ao primeiro grupo apostólico.

Os últimos meses, marcados pela pandemia que grassou, foram particularmente exigentes para o nosso povo em geral e o nosso ministério em particular. Chamados e formados para acompanhar as comunidades, não o pudemos fazer presencialmente e alguns viveram em isolamento custoso. Superámos como pudemos essa grande limitação, usando os atuais meios de comunicação, com bastante criatividade até. Garantimos catequeses, transmissões eucarísticas e tempos de oração, ações solidárias de vário tipo.

Estamos agora em desconfinamento paulatino, retomando cautelosamente as celebrações e ações comunitárias. Vamos reencontrando o nosso lugar, no lugar de todos. Entretanto, vários me testemunharam como foi importante a companhia de colegas, mesmo por telefone ou internet, ao longo destes meses. Será ótimo se tal continuar, também presencialmente, em oração, partilha e convívio. Rezo muito especialmente por isso, porque o acompanhamento mútuo é indispensável para o bom exercício do ministério. Assim começou com Cristo e os doze e assim aconteceu nos melhores períodos da Igreja.

Podemos também retomar, neste dia de oração pela santificação dos sacerdotes, a belíssima carta do Papa Francisco de 4 de agosto passado, no 160º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars. Nela acentua sentimentos essenciais do próprio Coração de Jesus, que hão de ser também nossos: gratidão ao Pai, misericórdia acolhedora, compaixão solidária, vigilância atenta e coragem para prosseguir com todos, colegas e fiéis em geral.

Irmãos e amigos, dou muitas graças a Deus pela vossa vida e ministério, assinalando a presença de Cristo Sacerdote e Pastor no mundo de hoje. O vosso lugar é o seu Coração, «no íntimo do mundo como um fogo», segundo um inspirado verso da nossa Liturgia.   

Convosco, em oração e muita estima,

+ Manuel, Cardeal-Patriarca

          

Acrescento duas breves notas:

Sobre as próximas Ordenações de cinco novos sacerdotes, no Domingo 28 de junho: As condições atuais limitam o número de presbíteros participantes aos cónegos não jubilados, o secretariado permanente do Conselho Presbiteral, os vigários da vara, os membros das equipas formadoras dos seminários e os párocos das paróquias dos ordinandos ou onde estagiaram. Não poderão participar os diáconos e os acólitos, exceto os de serviço na celebração, nem consagrados e leigos em geral, à exceção dos que forem convidados.

Sobre a Missa Crismal, que não pudemos celebrar em Quinta Feira Santa, faremos como na Diocese de Roma, suprimindo-a este ano.

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