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Estar à altura das exigências do momento presente

Através de uma insistente comunicação dirigida às paróquias da Diocese de Lisboa, durante o período de confinamento, a Cáritas Diocesana de Lisboa (CDL) procurou defender e proteger crianças e idosos, orientar e apoiar migrantes e melhorar a capacidade de resposta de paróquias e de outras organizações aos efeitos, a vários níveis, da pandemia, numa disponibilidade que se desdobra em continuados e novos apoios num pós-confinamento.   

 

Em atendimento à distância, os pedidos não pararam de chegar ao Gabinete e Ação Social (GAS) e ao Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM Cascais), com a maioria a solicitar apoio alimentar e ajuda no pagamento de rendas de casa. Imigrantes provenientes de Angola, Brasil, Cabo-Verde e Guiné-Bissau foram os que mais se fizeram presentes, com um deles em situação de sem-abrigo.

A CDL distribuiu por paróquias, Grupos Paroquiais de Ação Social, Cáritas Paroquiais, Centros Sociais, congregações religiosas e outras instituições, equipamentos de proteção individual e alimentos, como os que lhe foram doados pela marca DIA e os comprados diretamente ao Recheio.

E mulheres, que se preparavam para serem mães, também puderam fazer o enxoval do seu bebé com roupa doada à Loja Solidária.

Com cerca de 300 mil euros, instituições como o Banco Alimentar, a Refood, a Casa do Gaiato, a Comunidade Vida e Paz, Centros Sociais e paróquias em grande dificuldade, viram a sua capacidade de resposta melhorada.

 

A aposta na educação e na info-inclusão

O ensino à distância, com o encerramento das escolas, foi certamente uma boa medida para que o ano letivo não ficasse totalmente comprometido e sobretudo os mais novos não ficassem sem saber o que fazer em suas casas. Mesmo assim, cerca de 55% dos professores dizem não ter conseguido contactar com todos os seus alunos. E uma das razões, também reveladoras do nível de infoexclusão de que padece o país, deveu-se precisamente ao facto de nem todos terem acesso à internet em casa, muito menos a equipamento informático à altura de mínimos de exigência, no acompanhamento das aulas. A pobreza, que facilmente se tem por sinónimo de falta de alimentos, vestuário ou rendimentos, tem de facto outras dimensões ignoradas pela generalidade do público, quando se ouve dizer que o número de telemóveis em Portugal é de 2 ou 3 por cada residente.

Com a Jornada Mundial da Juventude adiada para 2023, o Comité que preside à sua organização local decidiu doar à CDL 35 portáteis que lhe tinham sido oferecidos, afirmando, em comunicado, que era “mais útil e pertinente” coloca-los “à disposição daqueles que mais necessitam”. Em entrevista à Agência Ecclesia, o próprio D. Américo Aguiar, um dos Coordenadores-gerais da JMJ – que é também, ao nível do Patriarcado, quem acompanha atividade da Cáritas na diocese de Lisboa – dizia que “a urgência” e o “foco” estavam na pandemia, e que “tudo o resto” passava “para segundo lugar”. E a verdade é que, assim que se soube que a CDL iria começar a ter computadores para dar, como apoio ao ensino à distância, os pedidos não se fizeram esperar.

Licenciados, garantido o acesso à internet e o acompanhamento, seja do ponto de vista informático como da informação de que se precisa e é relevante aos trabalhos da escola e ao crescimento individual de cada um, os computadores começaram a ser entregues às paróquias que os solicitaram com resposta a situações muito concretas e por elas acompanhadas.

Crianças que faziam os trabalhos da escola através do telemóvel da mãe; computador avariado e sem dinheiro para o conserto; mãe que perdeu o emprego por causa da pandemia e sem poder adquirir um computador para o filho; filha de imigrante brasileira grávida e ainda sem direito ao RSI; criança a viver com a avó com uma pequena reforma; famílias apoiadas pela Paróquia de Camarate e pelo Projeto Jovem Despertar.

Estas e outras as situações receberam e agradeceram os computadores doados pela CDL. Nunca é demais sustentar e defender que é pela educação que a pobreza persistente no nosso país pode ver o seu fim, o que significa que é pelo investimento na formação dos mais novos e dos jovens, que as famílias podem viver, já no aqui e agora, melhores condições de vida.      

 

Cuidar incondicionalmente do idoso

No período do confinamento, o Lar da Bafureira foi semanalmente desinfetado por uma equipa da CM de Cascais, tendo os vereadores Frederico Pinho de Almeida e Joana Balsemão, o Presidente da União de Freguesias de Carcavelos e o Pe. Nuno Alves visitado este equipamento da CDL. A oferta de artigos doados pela Associação de São Bartolomeu dos Alemães (Lisboa), Rotary Cascais-Estoril, e EDP Solidária também ajudaram a garantir maior segurança e proteção.

Como se costuma dizer, poderá existir sempre alguma dose de sorte ou de azar, mesmo quando todas as regras de segurança e proteção se cumprem, mas a verdade é que o Lar da Bafureira se deu sempre ao trabalho de evitar a presença de quem quer que fosse, num local errado e à hora errada.

E sem deixar de cuidar, de estar ainda mais próximo, por altura da Páscoa mimou os seus residentes e colaboradoras com um presente e comunicou com os familiares dos idosos, através de cartazes com mensagens e desenhos feitos pelos próprios.

Os colaboradores viram a sua proteção reforçada no percurso entre as suas habitações e o Lar e receberam da Direção CDL, muito recentemente, uma agradecida-gratificação pelo exemplar desempenho das suas funções.

E com o bom tempo e o sol a brilhar, os residentes começaram a sair para o espaço do jardim do Lar para respirarem fundo, conversarem, rirem e sentirem a natureza, as plantas, as árvores e o chilrear dos pássaros.  

 

Na Caridade, a relevância de cada um

A identidade da Igreja está na Caridade e só esta pode ser a sua força. Mobilizá-la, formá-la, dinamizá-la, acompanhá-la é missão da CDL. O que lhe é confiado, o que recebe em donativos e o que consegue angariar, servem esse mesmo propósito. E porque as necessidades são sempre muitas, e em tempos, como no atual, ainda mais abrangentes e gravosas, a CDL continuará a apelar à generosidade de quem ainda pode colaborar consigo a favor de quem voltou a ter fome, de quem está pobre pela primeira vez, de quem deixou de poder pagar a sua habitação e outras despesas fixas, de quem perdeu o trabalho ou nunca deixou de estar desempegado.

A Loja de Donativos da CDL, já aqui divulgada, tem precisamente esse objetivo: o de dar a conhecer necessidades muito concretas e urgentes a quem deseja fazer parte deste esforço-conjunto e solidário.

 

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“Os vales foram muito úteis, e a maioria das pessoas que usufruíram deles foram agregados novos, atingidos pela situação da pandemia. Como sabemos, nunca conseguimos dar a totalidade dos bens alimentares de que as pessoas mais precisam, e os vales dão a possibilidade de complementar essas carências, podendo as pessoas comprar o que mais necessitam, apesar do valor ser baixo. Mas como já diziam os nossos avós: mais vale pouco do que nada! Claro que são ajudas pontuais, mas as pessoas ficam na expectativa de poder haver mais. Os bens alimentares que levantámos em Lisboa foram uma grande mais-valia, numa altura em que o Banco Alimentar do Oeste não consegue responder eficazmente às necessidades das instituições. Também lançámos uma campanha na nossa comunidade de angariação de bens alimentares e está a ter uma resposta muito razoável. Dos 88 agregados familiares passámos para 118, de 220 pessoas apoiadas, passámos para 323 e de 45 crianças nestes agregados, passámos para 78. Mas Deus nunca nos falta e ninguém ficará sem o apoio de que precisa.”

Diácono Raúl Penha (Guias de São Lourenço - Óbidos)

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