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Pensar a vida pela vida

Por estes dias, motivado pela dificuldade que algumas pessoas têm em fazer uso da máscara social, questionei a assembleia celebrante que tinha à minha frente: “Sabem para que serve o nariz?”. Logo alguém, quase que em surdina ou com medo de uma resposta que seria tão óbvia, diz: “Para respirar”. “Não!”, repostei. “Serve para segurar a máscara”. Como é natural, a gargalhada surgiu e, logo de seguida, continuámos a celebração, mas o efeito pretendido aconteceu. Quem não tinha máscara bem colocada, ou quem simplesmente ‘fingia’ usar máscara, corrigiu a sua posição. Mas, de facto, essa é a grande dificuldade de hoje, neste novo normal de que agora tanto se fala. Estamos diante de uma pandemia que afeta a todos, e não só alguns, como alguns podem pensar. E porque afeta todos, precisamos, todos, de contribuir para este combate silencioso.

O vírus é, também ele, silencioso, mas provoca muitos efeitos ruidosos que acabam por ofuscar tudo o resto que pode ser importante.

No meio desse ruído, enquanto se fazem esforços e sacrifícios para defender e proteger a vida de todos e cada um, na Assembleia da República corre o processo que poderá levar à despenalização daquilo a que chamam morte medicamente assistida, o mesmo é dizer ‘eutanásia’. No dia em que fechamos esta edição, e conforme noticiámos durante a semana, no programa ‘3 DICAS’, a Associação dos Médicos Católicos Portugueses foi recebida pela Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, numa audição conjunta com outras entidades. É curioso que, numa altura em que se fazem esforços para lutar pela vida, procuram-se encontrar formas de terminar com a vida. Enquanto se diz que os idosos devem ficar resguardados em casa, porque são grupo de risco, quer-se chegar a um projeto de lei que preveja a eutanásia. Enquanto os médicos lutam para salvar vidas, querem pôr médicos a contrariar o juramento que fazem de salvar vidas. São muitos contrassensos, e só com o tempo vamos perceber o modo como o novo vírus está, ou não, a mudar o modo de pensar a vida pela vida.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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