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À procura da Palavra
Inventar beleza
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DOMINGO XIV COMUM

“Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos,

e Eu vos aliviarei.”

Mt 11, 28

 

Certamente já nos encontrámos em situações que considerámos insuportáveis, com inimigos por todo o lado e tentados a desistir. Pensávamos que sabíamos tudo e podíamos tudo e, inesperadamente, ou fruto de escolhas erradas, tudo se virou contra nós. Lembro a história daquele rei a quem um grande sábio tinha dado um anel que o ajudaria na maior das aflições. Um dia, cercado de inimigos por todos os lados, foi-lhe então possível girar a pedra do anel e ler o conselho que estava escrito debaixo dele: “Também isto há-de passar”! Mas enquanto não passa, o que fazer?

 

Francesco Alberoni no livro “A esperança”, escreve, a dado momento, sobre a importância de inventar. E diz que, para isso, é preciso cultivarmos cinco qualidades. A primeira é a da “aceitação, até ao fim, da ideia de que nem sempre se pode conservar o passado, nem sequer ajustá-lo, e de que é preciso abandonar um dado modo de vida e de pensar.” É talvez a mais difícil, porque é nega às expectativas e põe em causa as seguranças habituais. Depois, é preciso “desenvolver uma atitude positiva em relação à vida, em direcção ao futuro”. Trata-se da esperança, o movimento de nos abrirmos para diante, como uma “autoviolência criadora”. A terceira qualidade é “saber ver o que outros realizaram” em contextos semelhantes ao nosso, e descobrirmos “que o mundo é incrivelmente rico e oferece-nos infinitas possibilidades”. Trata-se de abrir a mente e o olhar.  Em seguida vem a “humildade”, pois “é necessário também abrir o nosso coração. Porque, muitas vezes a solução está debaixo dos nossos olhos e nós não a vemos por uma questão de preguiça ou por presunção.” Por fim, é preciso cultivar “a procura do ponto essencial. Cada problema, mesmo o mais complexo, tem sempre um nó crucial.”

 

Sabemos pouco deste futuro que julgávamos linear e sem grandes sobressaltos. O dia a dia tornou-se critério para viver com mais autenticidade o que somos e temos. “O pão nosso de cada dia” é de uma evidência interpeladora. E ganha maior sentido o convite de Jesus a “ir ter com Ele” e a aprender d’Ele, que é “manso e humilde de coração”. Não para nos oferecer soluções mágicas, mas para inventarmos caminhos novos de humanidade. Não para cruzar os braços, mas para descobrir com Ele, por entre os obstáculos que não mudam de um momento para o outro, os pequenos passos das necessárias mudanças em nós. Sim, pois com Ele abandonamos a tentação fácil do “salve-se quem puder” e passamos a criar todas as possibilidades de “salvar quantos pudermos”.

 

No meio das dificuldades parece estranho falar em beleza. Alberoni diz que “a beleza permite-nos ajuizar”: a grandeza das civilizações manifesta-se na beleza da arte que deixaram. Distanciados ainda mais sede temos da beleza de numerosas manifestações artísticas, não é verdade? Por entre os perigos que vivermos não esqueçamos as palavras de Dostoiévski: “Seguramente não podemos viver sem pão, mas também é impossível existir sem beleza.”

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