Lisboa |
Ordenações presbiterais
A revelação de Cristo “torna-se missão, para chegar a muitos”
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Aos cinco novos sacerdotes, o Cardeal-Patriarca de Lisboa apontou a “opção preferencial pelos pobres ou o celibato por amor do Reino dos Céus” como “grande serviço da Igreja ao mundo”. No Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, D. Manuel Clemente alertou ainda para “ideologias” ou “preconceitos” que “contrariam a formação e o crescimento num quadro geral de valores humanizantes”.

 

Na primeira celebração de ordenações sacerdotais, no Patriarcado de Lisboa, em tempo de pandemia, o Cardeal-Patriarca desafiou os ordinandos a deixarem-se interpelar pelo exemplo de São Paulo, que, “naquela estrada de Damasco, em que o Ressuscitado o começou a ressuscitar a ele”, “encontrou-se a si próprio como significado e destino”. Segundo D. Manuel Clemente, este reconhecimento de que a presença de Deus ia para além da sua condição humana, deverá projetar todos cristãos para além dos bons “exemplos de solidariedade” que se vão encontrando e reconhecendo no mundo. “Cristo foi muito além desta ordem natural das coisas e do limite espontâneo dos afetos, preferindo os últimos e amando a todos por igual, de coração indiviso. É neste sentido que a opção preferencial pelos pobres ou o celibato por amor do Reino dos Céus assinalam o que vai além ‘da carne e do sangue’. Exigindo conversão permanente, são grande serviço da Igreja ao mundo, para que este não se encerre em si mesmo. Para que o mundo se converta na matéria do Reino e todo o bem se eternize, naquele amor que nunca acabará”, afirmou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, na tarde do passado Domingo, 28 de junho, no Mosteiro dos Jerónimos.

Transformar a “revelação” em “missão, para chegar a muitos”, foi também outro dos apelos deixados por D. Manuel Clemente na Missa da Vigília da Solenidade de São Pedro e São Paulo. “Como Deus nos chega em Cristo, assim Cristo chega aos outros através de nós, quando somos realmente seus”, sublinhou, dirigindo-se, depois, aos novos sacerdotes. “Estais aqui em consequência do muito que vos chegou e cativou de Cristo na vida e exemplo de discípulos autênticos. E assim há de ser através de vós, agora, com a graça do sacramento apostólico. Com São Paulo, não vos ficareis pelo modo mundano de considerar as coisas. O horizonte que se abriu na estrada de Damasco, há de rasgar-se também nas que trilhareis agora”, observou o Cardeal-Patriarca. “Assim realizareis uma vocação que é muito mais do que mera escolha profissional”, prosseguiu.

 

“Respeito pela vida”

Na Igreja de Santa Maria de Belém, preparada para receber os fiéis segundo as orientações da Conferência Episcopal, o Cardeal-Patriarca alertou, na homilia, para “limitações” de ordem “educativa e cultural, quando alguma ideologia ou preconceito contrariam a formação e o crescimento num quadro geral de valores humanizantes”. “Valores como os que incluem o respeito pela vida, concebida ou fragilizada que esteja, a complementaridade essencial homem – mulher, a igual dignidade de todos, ou a abertura à religião transcendente. Omitir ou contrariar tais valores deforma e entorpece qualquer um e desde muito cedo infelizmente”, afirmou D. Manuel Clemente, citando o Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium’ (n.º 64): ‘Com a negação de toda a transcendência, produziu-se uma crescente deformação ética, um enfraquecimento do sentido do pecado, e tudo isso provoca uma desorientação generalizada, especialmente na fase tão vulnerável às mudanças da adolescência e da juventude’.

 

“Resposta de Deus ao mundo”

No início da homilia da celebração que decorreu no Mosteiro dos Jerónimos, com os “atuais condicionamentos” e onde foram ordenados cinco novos sacerdotes (Artur Delgado, Mendo Ataíde e Tomás Castel-Branco, do Seminário dos Olivais, e Eduardo López e Gonzalo Palacios, do Seminário ‘Redemptoris Mater’), o Cardeal-Patriarca apontou ao “essencial”. “Porquê a Igreja e porquê os padres?”, questionou. “Porque sim Cristo, porque sim o Evangelho e porque sim a tradição viva e católica em que nos incluímos”, argumentou. “Porque sim Cristo, como resposta de Deus ao mundo. (...) Como crentes, sabemos que é a criação divina, a respeitar e compartilhar. Sabemos e correspondemos, quando tomamos conta dos outros e das coisas, na medida da responsabilidade e competência próprias. Sempre que não é assim – e às vezes muito pelo contrário –, o mundo passa de possibilidade a impossibilidade, face ao que a vida exige, concebida ou enfraquecida que esteja, para a subsistência capaz e saudável de multidões inteiras”, avisou D. Manuel Clemente.

 

Caridade

No final da homilia, o Cardeal-Patriarca dirigiu-se àqueles que seriam ordenados sacerdotes, dentro de alguns minutos, para apelar a que, nas suas vidas, “ressalte” sempre a caridade. “Para que na vossa própria conduta e pregação, na resposta que dareis a tanto brado, ressalte sempre e em tudo o nome de Jesus, a verdade do Evangelho e o fulgor da caridade mais atenta. Tal sucederá pela razão de aqui estardes: o amor verdadeiro, intenso e pleno a Cristo, que vos toca o coração, com a vontade de lhe corresponder em tudo. É esta a única razão do vosso ministério, que só assim vos é sacramentalmente concedido”, frisou.

 

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Desconfinamento “sem alarmismo e sem distração”

No final da celebração das ordenações, o Cardeal-Patriarca de Lisboa garantiu acompanhar com “precaução e cuidado” o recomeço das atividades sociais e religiosas. “Sem alarmismo, e também sem distração, havemos de vencer esta crise”, disse D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos, em declarações à Agência Ecclesia. Segundo referiu, “as pessoas estão disponíveis para o que for preciso, desde que seja claro, persuasivo”. “Toda a gente quer o bem de toda a gente, o próprio e o alheio, das famílias, dos grupos, dos amigos. Se as indicações forem claras, se forem sanitariamente comprovadas, toda a gente vai cumprir, como se tem cumprido até aqui”, afirmou.

Questionado sobre o recomeço do culto público católico, o Cardeal-Patriarca de Lisboa disse que, pelas informações recebidas, “tem tudo corrido bem”. “Há uma ou outra coisa que pode ser emendada, porque nós nunca fizemos isto. Estamos a fazer uma coisa completamente inédita. Estamos a tentar acertar, sem exageros, mas com aquilo que for necessário”, referiu. “Em geral, temo-nos portado muito bem”, considerou D. Manuel Clemente, lembrando uma “realidade tão larga” com é o catolicismo português, nas “suas 20 dioceses, com situações geográficos e culturais distintas”.

 

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A celebração das ordenações presbiterais foi transmitida online e em direto a partir do site e redes sociais do Patriarcado de Lisboa e teve mais de 11 mil visualizações.

- Veja a gravação em: https://youtu.be/3JD322pu4iw

- Vejas todas as fotos em: https://flic.kr/s/aHsmP8DXSa


texto por Filipe Teixeira; fotos por Arlindo Homem/Patriarcado de Lisboa
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