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“Que os cristãos não percam tempo a lamentar-se do mundo”
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Menos lamentações e mais orações, é o pedido do Papa Francisco aos cristãos. Na semana em que o Papa falou da imprensa, morreu Georg Ratzinger, irmão de Bento XVI, o Papa Francisco ofereceu 35 ventiladores e o Vaticano publicou o novo Diretório para a Catequese.

 

1. O Papa Francisco apelou à unidade dentro e fora da Igreja. Na missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que celebrou na basílica vaticana nesta segunda-feira, 29 de junho, considerou “inútil, e até chato, que os cristãos percam tempo a lamentar-se do mundo, da sociedade, daquilo que está errado”. E acrescentou, a propósito do exemplo dos apóstolos Pedro e Paulo: “As lamentações não mudam nada. Aqueles cristãos não culpavam, rezavam. (…) Não falavam por trás, mas com Deus. Hoje, podemos interrogar-nos: ‘Guardamos a nossa unidade com a oração? Rezamos uns pelos outros?’ Que aconteceria se se rezasse mais e murmurasse menos?”, questionou o Papa.

O apelo à oração é um convite também a rezar por quem governa. “Rezemos pelos governantes que precisam de oração. É uma tarefa que o Senhor nos confia. Temo-la cumprido? Ou limitamo-nos a falar?”, perguntou o Santo Padre. “Quando rezamos, Deus espera que nos lembremos também de quem não pensa como nós, de quem nos bateu com a porta na cara, das pessoas a quem nos custa perdoar. Só a oração desata as algemas, só a oração deixa livre o caminho para a unidade”, sublinhou.

Francisco quer uma Igreja onde “não são necessárias manifestações miraculosas, mas vidas que manifestam o milagre do amor de Deus. Não potência, mas coerência; não palavras, mas oração; não proclamações, mas serviço”.

Mais tarde, durante a oração do Angelus, o Papa afirmou que “a coisa mais importante na vida é fazer da vida um dom. E isso aplica-se a todos: é para os pais em relação aos filhos e para os filhos em relação aos pais idosos”. E não só. É também “para aqueles que são casados e para aqueles que são consagrados; aplica-se a todos os lugares, em casa e no trabalho e a qualquer pessoa próxima a nós”, acrescentou.

 

2. O Papa enviou uma mensagem à Associação Católica de Imprensa dos Estados Unidos e Canadá, destacando os desafios de “informar e unir” para vencer “as doenças do racismo, da injustiça e da indiferença”. “É essencial a missão dos meios de comunicação para manter as pessoas unidas, encurtando distâncias, fornecendo as informações necessárias e abrindo as mentes e os corações à verdade. As nossas comunidades precisam dos meios de comunicação para informar e unir”, referiu Francisco, desejando que os meios de comunicação sejam capazes de “construir pontes, defender a vida e derrubar muros, visíveis e invisíveis, que impedem o diálogo sincero e a verdadeira comunicação”.

O Papa espera ainda que os media possam ajudar “as pessoas, sobretudo os jovens, a distinguir o bem do mal, a fazer julgamentos corretos, baseados numa apresentação clara e imparcial dos factos, a compreender a importância do compromisso com a justiça, a concórdia social e o respeito pela casa comum”.

 

3. Georg Ratzinger, o irmão mais velho do Papa emérito, morreu esta quarta-feira, 1 de julho, em Regensburg, cidade alemã onde viveu a maior parte da sua vida. Com 96 anos e doente há algum tempo, Georg Ratzinger recebeu há duas semanas a visita de Bento XVI, que se deslocou à Baviera para se despedir dele. Joseph Ratzinger perde, assim, o último membro da sua família. Os dois irmãos, ordenados sacerdotes no mesmo dia, sempre se mantiveram próximos, mesmo após a eleição de Bento XVI.

Em 22 de agosto de 2008, ao receber a cidadania honorária de Castelgandolfo, Bento XVI afirmou, referindo-se ao seu irmão, com quem passava férias regularmente: “Desde o início da minha vida, o meu irmão sempre foi para mim não só um companheiro, mas também um guia fiável. Ele foi para mim um ponto de orientação e referência, pela clareza e determinação das suas decisões. Ele sempre me mostrou o caminho a seguir, mesmo em situações difíceis”.

Por sua vez, Georg Raztinger, no seu livro ‘O meu irmão e eu’, recordou: “Éramos ambos acólitos e ajudávamos na missa. Ficou logo claro, primeiro para mim e depois para ele, que a nossa vida seria ao serviço da Igreja”. Quando Joseph foi eleito Papa, em 2005, Georg comentou: “Devo admitir que não esperava e até fiquei um pouco preocupado. Tendo em conta os seus compromissos, compreendi que a nossa relação teria de ser muito reduzida. Em todo o caso, por detrás da decisão humana dos cardeais está a vontade de Deus, e a ela devemos dizer que sim”.

 

4. O Papa Francisco ofereceu 35 ventiladores a países afetados pela pandemia covid-19 onde o sistema de saúde está em “maiores dificuldades”. Num comunicado de imprensa da Esmolaria Apostólica, o ‘braço da caridade’ do Papa, é afirmado que Francisco expressa a sua proximidade para com os países atingidos pela pandemia oferecendo, através das Nunciaturas Apostólicas, os respiradores de emergência. De acordo com o Vaticano, os ventiladores foram oferecidos para o Haiti (4), República Dominicana (2), Bolívia (2), Brasil (4), Colômbia (3), Equador (2), Honduras (3), México (3), Venezuela (4), Camarões (2), Zimbábue (2), Bangladesh (2) e Ucrânia (2).

 

5. Publicado em várias línguas, com 300 páginas e 23 capítulos, o novo Diretório para a Catequese é dirigido especialmente aos bispos e a todos os envolvidos na transmissão da fé, incluindo aos catequistas espalhados pelo mundo. Este documento, publicado dia 26 de junho pelo Vaticano, é o resultado de muito tempo de trabalho e de uma vasta consulta internacional que envolveu todas as conferências episcopais.

Na apresentação deste novo documento coordenado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, o seu presidente, D. Rino Fisichella, justificou que “o processo de inculturação que caracteriza de modo particular a catequese, sobretudo nos nossos dias, obrigou a uma atenção particular na composição deste novo Diretório”. E perante o fenómeno da cultura digital, “a Igreja está diante de um grande desafio, que se impõe como global e que obriga todos os que têm responsabilidades na formação a evitar subterfúgios”, acrescentou.

O novo documento estruturado em três partes, aborda múltiplos temas como a formação dos catequistas, os diversos tipos de linguagem, o papel da família, o acolhimento e a inclusão, a realidade dos pobres, o pluralismo cultural e religioso, as questões da ciência e bioética, a conversão ecológica e a realidade do trabalho e empenho social.

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