Família |
Testemunho
“O Matrimónio é o primeiro filho do Casal”
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Foi no nosso curso de Preparação para o Matrimónio que ouvimos um outro casal dizer que “o Matrimónio é o primeiro filho do Casal”. Naquela altura, a frase pareceu-nos muito óbvia e fácil de concretizar, afinal o nosso amor um pelo outro era, sem dúvida, o foco para o qual tendia toda a nossa atenção, o nosso tempo, os nossos afectos.

Com a vinda dos filhos e o crescimento da família, percebemos finalmente o alcance daquela frase, pois ser Pai e Mãe e continuar a ser Casal é de facto muito desafiante.

A exigência dos nossos quatro filhos ao longo do seu crescimento nas várias idades pode, de facto, absorver-nos por completo; desde quando são bebés e nos tiram tantas noites de sono, quando começam a não querer deitar-se tão cedo e nos tiram aquele único e precioso momento a dois que já tínhamos planeado para aquele dia, quando já gostam de estar à mesa connosco até mais tarde a conversar ou a jogar um jogo, quando precisam de ajuda na escola, quando o nosso tempo em casal é quase na totalidade absorvido por filhos mais crescidos e todas as peripécias e adversidades destas novas fases.

Como encontramos então o espaço para ser Casal? Começando por inverter o título deste testemunho: “Como ser Casal e continuar a ser Pai e Mãe?” e, realizando que, tal como um filho, o nosso amor precisa de tempo, espaço, de atenção e muita dedicação.

Temos encontrado este espaço em passeios que damos junto ao rio Tejo,  jantares que regularmente fazemos a dois, nas idas a discotecas ou a um concerto (sim, adoramos dançar os dois!), nos 3 ou 4 dias todos os anos em que deixamos os nossos filhos com os avós ou irmãos e partimos para umas mini férias em casal.

Estes programas são fundamentais para redescobrirmos e aprofundarmos o nosso amor, pois são momentos em que nos libertamos de preocupações e angústias do dia-a-dia e nos centramos naquilo que verdadeiramente nos une: o nosso Amor.

No nosso caso, estes momentos acontecem com regularidade e estão devidamente marcados na agenda, pois sabemos que se assim não for, a azáfama dos afazeres profissionais e dos filhos toma totalmente conta deste tempo. Não só estão marcados, como são ansiosamente esperados e devidamente preparados! Afinal de contas é o nosso Amor em Casal que dá origem à nossa família e aos nossos 4 filhos.

Também nestas ocasiões procuramos dar maior atenção e espaço Àquele que caminha connosco, esse Bom Pastor que sempre nos tem conduzido a águas refrescantes, mesmo nos momentos mais difíceis desta nossa vivência em casal. A Oração, seja individual, em casal ou em família, faz parte do nosso dia, mas é na intimidade destes momentos a dois que este diálogo com Deus é mais profundo, mais sincero, mais verdadeiro. Tantas vezes damos por nós a rezar o terço numa praia da Costa Alentejana ou no paredão em Carcavelos, colocando as nossas preces a Deus Pai, por intermédio de Nossa Senhora, que tantas vezes se tem mostrado presente e actuante na nossa vida e no nosso Matrimónio, tal como lhe pedimos quando a Ela consagrámos o nosso amor, há já 15 anos.

É também em alguns movimentos da Igreja – como as Equipas de Nossa Senhora ou os Carraças – que temos encontrado este “alimento” para continuar a ser Casal para além de Pai e Mãe, pelo testemunho e alegria desta vivência em Cristo que, por outros casais, nos são transmitidos.

Cada ano que passa, sentimos uma certeza cada vez maior no cuidado e atenção que este nosso maravilhoso 1º filho merece ter, na também certeza que a nossa missão como marido e mulher é levar à Santidade um do outro e que, num abrir e fechar de olhos, os nossos filhos serão adultos, partirão para as suas vidas e ficaremos, se Deus quiser, os dois novamente em Casal.

texto por Mariana e João Horta e Costa


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Ser mãe e ser pai e… continuar a ser casal!!

Quando uma mulher e um homem se amam – quando se ama com o corpo e com a alma – desejar um(a) filho(a) é o que há de mais natural. ‘Ser mãe’ e ‘ser pai’ é, para muitos, a experiência existencial mais profunda da sua vida. Um filho é um dom de Deus. E, olhar para cada filho, não como um direito, mas como um dom muda completamente a forma como se é mãe e pai e se continua a ser casal.

Em termos científicos esta mudança é designada por transição da conjugalidade para a parentalidade (maternidade e paternidade). Tal transição faz-se através do desempenho de um conjunto de tarefas de desenvolvimento das quais podemos destacar quatro: ajustamento conjugal de modo a criar um espaço biológico, psicológico e social para os filhos, reforçando a relação de amor conjugal; aprendizagem, de parte a parte, entre criança e pais -“ser pai”, “ser mãe”, “ser filho”; divisão das responsabilidades quanto aos cuidados e educação dos filhos, com “renegociação dos acordos” da fase anterior (transição para a maternidade e paternidade é a altura de maior confronto com os papéis sexuais tradicionais e com os padrões multigeracionais); estabelecimento de novas relações de parentesco na família alargada, ou seja, como o nascimento de uma criança origina novos estatutos e papéis - alguns, pela primeira vez, vão conhecer a realidade do que é “ser avós”, “ser tios”, “ser primos” de alguém.

Somos mãe e pai para toda a vida, sendo que à medida que o ciclo de vida familiar vai evoluindo, as tarefas de desenvolvimento vão sendo diferentes para cada fase e os papéis e funções esperados também se vão alterando, tanto para pais como para filhos.

Amar à imagem e semelhança de Deus é também participar desta realidade de podermos ser co-criadores. Cada filho é um dom mas os filhos não são nossos: Deus confia-nos os filhos para os educarmos com amor para a sua própria vida! A designação de “Paternidade e Maternidade Responsável” é, para muitos, sinónimo de definir o momento e o número de filhos que se deseja ter… Mas é muito mais do que isso: é uma missão do casal, dada por Deus, que nos quis tornar participantes na Sua criação; é sermos chamados a ser generosos, a ter uma família fecunda, que tenha “Vida em abundância” (qualquer que seja o número de filhos); é termos responsabilidade na criação dos nossos filhos na sua totalidade como pessoas (dimensões biológica, psicológica, social e espiritual). É também “Ser Dom para os filhos…”. E a melhor forma de o fazer é continuar a ser verdadeiramente casal. Os terapeutas familiares são unânimes em alertar para o risco dos casais que, ao longo do ciclo de vida familiar, se vão tornando cada vez mais “pai e mãe” e cada vez menos “marido e mulher”. É vital para a família, continuar a cuidar do casal, “acarinhar o casal”. O projecto de família começa por um projecto de casal, ou seja, efectivamente, o casal é a estrutura de suporte da família (material, emocional e espiritual).

texto por Maria Teresa Ribeiro

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