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Moçambique: Cabo Delgado é uma região encurralada entre a fome e o terrorismo
“Precisamos de ajuda”
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Cabo Delgado, no norte de Moçambique, tem sido palco, desde há quase três anos, de constantes ataques por grupos armados. Nos últimos tempos, esses ataques têm sido reivindicados pelos jihadistas do Daesh, o Estado Islâmico. O povo, ameaçado, está em fuga. A situação é crítica. O Bispo de Pemba pede-nos ajuda.

 

Homens fortemente armados exibindo a bandeira negra dos grupos jihadistas ocuparam duas vilas na província de Cabo Delgado, a norte de Moçambique, no espaço de apenas 48 horas. Quase sem resistência. As forças de segurança, da polícia ou exército, sem capacidade de ripostar, abandonaram as povoações. Os ataques ocorridos em Mocímboa da Praia e Quissanga, nos dias 23 e 25 de Março, deixaram um rasto de medo e de perplexidade perante a forma ostensiva como estes grupos terroristas estão a agir e provocaram uma verdadeira debandada das populações locais. Fugiram essencialmente para Pemba, a cidade capital desta província. São pessoas de mãos vazias. Esse ataque ainda hoje é referido como um dos mais audazes que os terroristas já fizeram em Moçambique. Mas, desde então, não têm parado. E a Igreja tem sido um dos alvos.

 

Massacre de jovens

Em Dezembro, uma igreja foi vandalizada em Chitunda, em 7 de Abril, em Nangololo, a centenária Igreja do Sagrado Coração de Jesus foi atacada, em plena Semana Santa, imagens destruídas, bancos queimados e houve uma tentativa de incendiar o próprio edifício. Esse foi, aliás, um mês crítico em Cabo Delgado. Os terroristas massacraram mais de meia centena de jovens que se recusaram a integrar as suas fileiras. A notícia correu mundo. Ataque “cruel e diabólico”, “massacre” e “brutalidade” foram expressões usadas pelo The Guardian, BBC ou DW, por exemplo. Em Maio, a missão dos monges beneditinos, na aldeia de Auasse, foi atacada. Os monges tiveram de fugir, escondendo-se nas matas até conseguirem abandonar a região rumo à Tanzânia, onde existe um convento da congregação.

 

Guerra sem fim

O Daesh, o grupo jihadista que expulsou os cristãos da Planície de Nínive, no Iraque, em 2014, tem reivindicado estes ataques em Moçambique. O objectivo é sempre o mesmo: criar um ‘califado’, expulsar os cristãos e os muçulmanos moderados e impor a ‘sharia’. A tragédia que aconteceu no Iraque em 2014 está a repetir-se agora em Cabo Delgado. No final de Maio, face aos rumores insistentes de novos ataques, as Irmãs Carmelitas Teresas de São José abandonam a casa onde viviam em Macomia. O ataque começou na madrugada de 28 de Maio e durou três dias. Mais tarde, as Irmãs regressaram ao local para ver a dimensão dos estragos. Segundo a Irmã Blanca Nubia Castaño, o ataque “foi forte e cruel”. Como resultado “desta barbárie”, escreveu a Irmã, “temos a zona urbana totalmente destruída, a maioria das infraestruturas do Estado danificadas e a zona comercial reduzida a cinzas”. No passado sábado, dia 27 de Junho, novo ataque dos jihadistas, novamente a Mocímboa da Praia. A guerra parece não ter fim. Desde Outubro de 2017, quando começaram os ataques, já houve centenas de mortos, talvez mesmo mais de mil, e mais de 200 mil deslocados. No Domingo de Páscoa, o Papa Francisco falou mesmo numa “crise humanitária” em Cabo Delgado.

 

Gente aflita

Há um grito de angústia que nos chega de Moçambique, mas o mundo parece não querer ouvir os pedidos de ajuda de tanta gente em lágrimas. D. Luiz Fernando Lisboa, o Bispo de Pemba, fala de pessoas desesperadas. “São pessoas que estão a fugir de uma situação de insegurança total. Ninguém sabe o que vai acontecer. Por isso, estão a fugir.” A situação é dramática. Uma das consequências directas desta violência por vezes com contornos brutais – aldeias reduzidas a cinza e pessoas, normalmente simples aldeões, decapitadas num cenário de horror – é a fuga das populações.

 

Campanha da Fundação AIS

Que fazer com tanta gente aflita? Procurar ajudar. A Igreja tem tentado nestes dias secar as lágrimas de um povo que perdeu tudo e que passa já fome. “Há situações de fome desde há muito tempo”, esclarece o Bispo. Fome por causa dos ataques que levaram ao abandono dos campos, as “machambas”, situação que se agravou também por causa da pandemia do coronavírus. “Estamos numa situação muito preocupante.” O Bispo reconhece que esta vai ser uma batalha muito difícil: “Vamos precisar mesmo de muita ajuda”. Face a esta situação dramática, a Fundação AIS lançou uma campanha de emergência para a Igreja que sofre em Moçambique. D. Luiz Fernando Lisboa, o Bispo de Pemba, escreveu-nos a agradecer esta iniciativa. “Queridos amigos da Fundação AIS em Portugal: peço-vos orações e ajuda para o meu povo. Obrigado a cada um de vós!” Tal como na Síria, tal como no Iraque, também em Moçambique se consegue ver já o longo braço do terror jihadista. Os cristãos de Cabo Delgado precisam muito da nossa ajuda. E precisam da nossa ajuda agora! 

 

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A Fundação AIS lançou uma campanha de ajuda de emergência para a Igreja em Moçambique. A situação é desesperada. Se quiser ajudar, contacte-nos hoje mesmo: www.fundacao-ais.pt | 217544000. A sua ajuda vai fazer toda a diferença!

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