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‘3 DICAS’ - Juventude
“Jovens têm sido protagonistas nesta pandemia”
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Os jovens têm tido um papel de “protagonistas” nesta pandemia, na ajuda aos idosos e nas equipas de acolhimento das Eucaristias, considerou o diretor do Serviço da Juventude de Lisboa, João Clemente. Programa ‘3 DICAS’ foi dedicado à ‘Juventude’ e contou ainda com os testemunhos de jovens de uma equipa vicarial e de um movimento juvenil.

 

“O que nos tem chegado, por parte das paróquias, é que os jovens tiveram um papel muito importante naquilo que foi, por um lado, o integrar inúmeras iniciativas de apoio a quem estava mais isolado, pessoas idosas que não podiam sair de casa – em que os jovens tomaram um papel de protagonistas na ajuda a estas pessoas –, e, por outro, nesta reabertura das celebrações da Eucaristia, muitas das equipas de acolhimento são constituídas por jovens. Portanto, jovens que se dispuseram, a nível paroquial, a ajudar para que fosse possível retomarmos as celebrações”, explicou o diretor do Serviço da Juventude de Lisboa, a propósito das atividades dos jovens católicos durante a pandemia.

No programa ‘3 DICAS’, transmitido na noite da passada segunda-feira, 13 de julho, João Clemente sublinhou igualmente as “inúmeras atividades online” dos grupos de jovens, que decorreram na quarentena, como “as peregrinações, as catequeses, as reuniões de grupos de jovens”. Por parte do Serviço da Juventude, este responsável destacou as “três propostas distintas de oração para os jovens” apresentadas neste tempo de pandemia. “Uma preparava a Páscoa, e foi lançada na Semana Santa; outra foi lançada na semana que precedeu o 13 maio; e finalmente a caminhada espiritual até ao Pentecostes”, precisou.

 

Haver “sintonia” e ser “ponte”

A pandemia adiou por um ano a Jornada Mundial da Juventude, que Lisboa vai agora receber em 2023. Questionado sobre a forma como a preparação para a jornada tem mexido com a pastoral juvenil na diocese, o diretor do Serviço da Juventude de Lisboa sublinhou o desejo de haver “sintonia”. “Há uma clara vontade de haver uma sintonia muito grande, como não podia deixar de ser, entre aquilo que são as propostas, sejam a nível paroquial, vicarial e dos movimentos, e o afinar de um caminho conjunto de preparação para a Jornada Mundial de Juventude”, manifestou. “É verdade que, nestes últimos meses, este contexto de pandemia fez com que muito daquilo que está a acontecer de preparação ficasse em ‘hibernação’, porque havia outras prioridades”, acrescentou. Este responsável deu como exemplo a Jornada Diocesana da Juventude (JDJ) – “que é, digamos assim, o maior encontro de jovens da nossa diocese” –, que ia ter lugar em março passado, em Queluz, e teve de ser cancelada, devido ao novo coronavírus. “Muito daquilo que tínhamos pensado e programado para a JDJ vinha já neste seguimento de preparação da Jornada Mundial da Juventude. Este ano, tínhamos pensado uma jornada de dois dias, sábado e Domingo, em que os quatro pontos chave desta Jornada Diocesana da Juventude são também os marcos da Jornada Mundial da Juventude: tínhamos o momento cultural, um momento festivo, a vigília de oração – que é um ponto alto da JMJ e, este ano, queríamos também, de alguma maneira, fazer essa experiência – e, na manhã de Domingo, toda a parte catequética, com workshop’s, o encontro com o senhor Patriarca e a Missa. Como tantas outras iniciativas, tivemos que cancelar a Jornada Diocesana da Juventude”, lamentou.

João Clemente foi nomeado diretor do Serviço da Juventude de Lisboa em julho do ano passado. “Neste primeiro ano, tivemos de esperar para perceber que caminho de preparação seria proposto a nível da estrutura da Jornada Mundial da Juventude. Contudo, fizemos um programa pastoral alicerçado no que foi feito nos últimos anos, a nível de atividades em si, seja a Vigília Ecuménica Jovem, os Conselhos Diocesanos de Pastoral Juvenil, a Jornada Diocesana da Juventude, a Vigília de Pentecostes ou o Festival Diocesano. Portanto, os grandes acontecimentos vinham dos anos anteriores. Por causa da pandemia, este programa teve de ser repensado, mas a nossa prioridade, agora que estamos a preparar o próximo ano pastoral, nesta incerteza, é uma grande proximidade às realidades locais, às equipas vicariais e aos movimentos e institutos. Portanto, o conhecer a realidade”, evidenciou este responsável, manifestando ainda o desejo de o Serviço da Juventude de Lisboa ser “uma ponte” com “a proposta de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, seja pelas catequeses, seja pela dinâmica de oração que será proposta”.

 

Passar testemunho aos jovens

Na Vigararia de Mafra, os grupos de jovens procuraram manter alguma atividade, mesmo durante o confinamento. A garantia foi deixada por Tiago Póvoa, da Equipa Vicarial de Jovens, durante o ‘3 DICAS’. “Dentro de cada grupo, as dinâmicas foram muito diferentes. Houve grupos que conseguiram rapidamente passar a reunir-se digitalmente e participar em iniciativas, outros ficaram num impasse até poderem arrancar, mas depois disso as coisas começaram a ganhar a dinâmica possível”, partilhou este jovem, referindo que, contudo, “não puderam manter” tudo o que estava previsto. “Em termos vicariais, tivemos a sorte de poder ter feito o nosso encontro vicarial de jovens no fim-de-semana em que estivemos em missão em Lisboa, mesmo antes de a pandemia ser decretada, e vínhamos todos com um balão de oxigénio enorme para poder levar para as nossas paróquias”, lembrou.

Tiago Póvoa recordou depois “uma atividade vicarial, a Semana da Caridade, onde todas as pastorais estariam envolvidas e em que os jovens tinham preparado uma noite de testemunhos”. “Como a semana foi cancelada, não quisemos deixar de assinalar esta iniciativa, criámos redes sociais e organizámos uma semana de testemunhos e, em cada dia, lançámos o testemunho de uma pessoa, ligado ao amor e à caridade. Dessa forma, cumprimos a nossa missão de passar testemunho aos jovens”, apontou. Outra iniciativa vicarial na quarentena, destacada por este jovem, foi “a atribuição de uma semana a cada um dos grupos, definindo um tema para cada dia e, todos os dias, os jovens receberam um testemunho, uma proposta de um filme, um jogo, uma missão ou uma partilha de um dos sacerdotes”. “Isto permitiu que todos os grupos pudessem participar, que fosse uma tarefa diária e que não ficássemos fechados nas redes sociais e nos encontros virtuais, mas que pudéssemos levar para as nossas vidas um desafio e uma missão que nos pudesse fortalecer”, explicou, garantindo que a Equipa Vicarial de Jovens da Vigararia de Mafra está “a tentar dar o passo seguinte, entre o virtual e o presencial”, para “não desfazer os laços” e para que “a fé não esmoreça e se fortaleça ainda mais”. “Esta é a nossa realidade, temos que nos adaptar a ela e ainda assim viver a nossa fé. Queremos que os jovens possam ter oportunidades de viver a fé”, desejou.

Sobre o envolvimento de jovens da vigararia nas novas equipas de acolhimento das Missas, Tiago Póvoa referiu “ser ótimo”, porque permite “participar de forma ativa na paróquia”, mas “é um desafio”. “Por outro lado, também permite que quem vai à Eucaristia possa ser acolhido. É uma experiência muito bonita e que dá vontade que não se perca, mesmo que a pandemia passe, porque poder chegar a uma celebração e ser recebido, mesmo que seja só com um ‘Bom dia’ ou um ato simbólico, é uma boa experiência”, considerou.

Tiago Póvoa não escondeu que o confinamento mudou os hábitos de oração dos jovens. “Numa fase inicial, muitos de nós estranhámos esta ideia de assistir à Missa pela televisão – o que para nós não é uma situação habitual – e rezar no computador. Mas há bonitos testemunhos de jovens que aproveitaram esta quarentena como se fosse uma Quaresma e houve uns dias de longo deserto com frutos produtivos”, garantiu. Àqueles que “durante o tempo de maior isolamento ficaram ansiosos e receosos”, o papel da Equipa Vicarial de Jovens da Vigararia de Mafra foi “tentar ajudá-los a sair confortavelmente, num caminho passo a passo”. “Queremos que os jovens estejam confortáveis e, com isso, possam também ajudar outros jovens a estarem também confortáveis, animados na fé e na sua vida em geral”, observou.

 

“Não faz sentido pararmos”

No início da pandemia, também o Movimento Juvenil Salesiano (MJS) sentiu, “mais ou menos, as mesmas dificuldades e oportunidades” de outros grupos de jovens paroquiais. “Algumas atividades conseguimos realizá-las no formato online, recorrendo a estas plataformas, mas é bonito ver como também este formato online possibilitou a construção de uma nova comunidade”, observou João Fialho, do MJS. No programa ‘3 DICAS’, este jovem, que é animador pastoral no colégio Salesiano de Lisboa, contou que, “numa atividade de quatro ou cinco dias, diariamente os jovens lá estavam para receber os conteúdos, para partilhar, para fazer os desafios, para rezar em conjunto, para estarem disponíveis para ouvir os outros e dar, ao longe, um pouco da sua ajuda”. “É engraçado como esta comunidade, de atividade em atividade, se foi formando, conseguindo-se solidificar durante este tempo”, frisou.

Também o Dia Nacional do Movimento Juvenil Salesiano, em maio, em Fátima, e que recebe “algumas centenas de jovens vindos de todo o país, das escolas salesianas, das paróquias salesianas, dos centros juvenis, dos serviços sociais – de tudo aquilo onde está a pastoral juvenil salesiana – teve de ser rearranjada”, segundo João Fialho. “Passámos para um formato online, onde privilegiámos a questão dos testemunhos, dos jovens que se fazem próximos e dão a sua palavra a outros jovens, intercalando com pequenos momentos musicais e outras performances artísticas, e com a recitação do terço e a Eucaristia”, explicou.

O Acampamento Nacional do MJS – “uma atividade que é também um marco do movimento e que costuma reunir cerca de 300 jovens, nesta última semana de julho” – este ano “também não se realizará nestes moldes e será substituída por uma atividade de verão MJS, utilizando as plataformas, mas não abusando delas”. “Percebemos que se chega a uma fase em que é difícil conseguir a atenção e é contraproducente estar a propor muito tempo de plataforma online, muito tempo de ecrã, muito tempo ao computador, quando, se calhar, através de outras vias, lançando um desafio, propondo uma partilha e, no final do dia, uma oração em conjunto, conseguimos atingir o nosso objetivo e não cansar”, salientou este animador.

Em relação ao próximo ano pastoral, o Movimento Juvenil Salesiano está a “trabalhar sobre duas planificações”, com encontros presenciais e online. “Não faz sentido fazermos uma pausa, não faz sentido pararmos, não faz sentido ficarmos de braços cruzados à espera que tudo se resolva e pôr também em pausa a nossa vida de comunidade jovem dentro da Igreja”, garantiu.

Sobre a mobilização do movimento para apoiar os mais necessitados, neste tempo de pandemia, João Fialho destacou que “o MJS está presente nas várias regiões onde estão os Salesianos e as Salesianas também, as Filhas de Maria Auxiliadora”, e que esses “grupos locais, embebidos deste espírito cristão, estão bastante inseridos na sua comunidade” e colocaram-se “ao dispor, não só nestas equipas de acolhimento nas paróquias, mas também na organização de cabazes, na distribuição das refeições, no estar próximo daquelas pessoas do bairro que são mais idosas”. “Mesmo aqui, nos Salesianos de Lisboa, estão a ser distribuídas várias centenas de refeições por dia, em colaboração com a Comunidade Vida e Paz, para fazer chegar, a quem está em situação de sem-abrigo, uma refeição quente, uma refeição digna que possa também aconchegar um pouco o coração e o estômago”, destacou. Este animador considerou, por isso, que “os jovens tiveram uma abertura grande para poderem também tomar algum lugar de destaque, de protagonismo, na sociedade”. “Faz todo sentido que o façam, levando também o carisma do nosso fundador, São João Bosco, a cada pessoa que encontram no caminho. É uma experiência muito positiva e muito bonita”, partilhou João Fialho.

 

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As ‘3 DICAS’

Nesta emissão dedicada à Pastoral Juvenil, foi o diretor do Serviço da Juventude de Lisboa, João Clemente, quem deixou as três dicas, no final do programa em direto.

 

1.ª DICA: “A primeira dica não é dirigida aos jovens, mas àqueles que os acompanham: é muito importante que haja uma escuta consequente dos jovens, seja na vida paroquial, seja na vida da Igreja nas suas diversas formas. É importante a dica de escutar os jovens, mas que seja uma escuta consequente.”

 

2.ª DICA: “Esta sim, mais dirigida aos jovens: o exercício da comunhão na Igreja. É muito interessante ver a riqueza de caminhos que há na Igreja, seja a nível dos movimentos, das paróquias, de todos os dons que a Igreja tem recebido. É um desafio grande a nível da comunhão.”

 

3.ª DICA: “Tem a ver com as duas dicas anteriores: como o Papa Francisco diz na exortação pós-sinodal ‘Cristo vive’, que os jovens, de facto, tenham protagonismo na vida das comunidades, que tomem a dianteira. Não porque são o futuro, mas, como diz o Santo Padre, porque são o presente, hoje. Esta pandemia, se alguma coisa boa trouxe, é que os jovens, de facto, são protagonistas na vida da Igreja.”


texto por Diogo Paiva Brandão
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