Roma |
Roma
“Tragam sempre com vocês uma edição de bolso dos Evangelhos”
<<
1/
>>
Imagem

O Papa Francisco sublinhou a importância da leitura diária da Bíblia. Na semana em que se manifestou “triste” com uma decisão da Turquia, o Papa enviou uma saudação às gentes do mar, dirigiu uma mensagem aos párocos de bairros populares de Buenos Aires e nomeou o antigo presidente do Banco Central Europeu para uma instituição da Santa Sé.

 

1. O Papa sublinhou a importância da leitura da Bíblia, em particular dos Evangelhos, na vida dos católicos. “Tragam sempre com vocês uma edição de bolso dos Evangelhos, na mala, e leiam cada dia uma passagem, para que se habituem a ler a Palavra de Deus e perceber bem qual é a semente que Deus oferece e pensar com que terra a recebo”, recomendou Francisco, durante o Angelus do passado Domingo, 12 de julho.

A intervenção partiu da passagem do Evangelho lida nesse dia, nas igrejas de todo o mundo, a “parábola do semeador”, que lança a semente da Palavra de Deus em quatro solos diferentes. “Podemos fazê-lo como um caminho, onde as aves vêm imediatamente e comem as sementes. É a distração, um grande perigo do nosso tempo”, indicou o Papa, falando também no solo pedregoso, do entusiasmo momentâneo que acaba por ser superficial: “Nele a semente brota depressa, mas também seca rapidamente, porque não consegue criar raízes profundas”. “Podemos ainda acolher a Palavra de Deus como um solo onde crescem arbustos espinhosos. E os espinhos são o engano da riqueza, do sucesso, das preocupações mundanas… Aí a Palavra permanece sufocada e não dá fruto”, acrescentou. Para ser um “bom terreno”, concluiu Francisco, é preciso acolher esta Palavra e colocá-la em prática “na vida quotidiana”.

Na janela do apartamento pontifício, perante algumas centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, agradeceu ainda a todos os que acompanharam, e continuam a ajudar, os doentes durante a pandemia de covid-19. “Saúdo com gratidão os representantes da Pastoral da Saúde da Diocese de Roma, pensando nos muitos sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos que estiveram e estão ao lado dos doentes, neste período de pandemia. Obrigado pelo que fizeram e pelo que estão a fazer. Obrigado”, referiu Francisco, após a recitação do Angelus.

 

2. O Papa está magoado com decisão da Turquia em transformar o museu de Santa Sofia (Hagia Sophia) em mesquita. No final da oração do Angelus de Domingo, após uma saudação a propósito da jornada internacional do mar, Francisco afirmou: “O mar leva-me um pouco para longe com o pensamento: para Istambul. Penso em Santa Sofia, e sinto-me muito triste!”

Construída no século VI, a antiga basílica, que já foi a maior catedral do Cristianismo, foi convertida em mesquita no século XV, após a captura de Constantinopla em 1453 e viria a ser transformada num museu, em 1934. Os muçulmanos mais conservadores nunca aceitaram bem a mudança de estatuto, que agora foi revertida pelo Conselho de Estado. O mais alto tribunal administrativo da Turquia declarou que o edifício volta a ser mesquita a partir de 24 de julho, sexta-feira. A postura do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, tem preocupado a comunidade internacional, na medida em que tem levado a uma postura mais hostil nas relações com os países vizinhos e a um clima de crescente islamização da sociedade e da vida política no país, com consequências para as comunidades cristãs e de outras minorias religiosas que vivem na Turquia.

O Papa Francisco junta-se assim a outros líderes cristãos que têm manifestado a sua tristeza com a decisão de Erdogan e do Governo turco. Depois do Governo Grego e da Igreja Ortodoxa da Rússia, no sábado, dia 11 de julho, foi a vez do Conselho Mundial de Igrejas, que reúne 350 confissões cristãs, reagir com “tristeza e consternação” à alteração. O secretário-geral da organização, Ioan Sauca, que é membro da Igreja Ortodoxa da Roménia, escreveu a Erdogan lamentando que assim a Hagia Sophia deixe de ser “um lugar de abertura, de encontros e inspiração para pessoas de todas as nações e religiões”. A decisão de transformar o edifício num museu era, diz, uma prova da adesão à laicidade da Turquia e “o seu desejo de deixar para trás os conflitos do passado”, sendo por isso de lamentar que Erdogan tenha “invertido esse sinal positivo da abertura da Turquia, para torná-lo um sinal de exclusão e divisão”.

 

3. O Papa assinalou o Dia Internacional do Mar. “Dirijo uma saudação afetuosa a todos os que trabalham no mar, especialmente os que estão longe dos seus entes queridos e do seu país”, frisou Francisco, após a recitação do Angelus, a 12 de julho.

No ‘Domingo do Mar’, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé, lembrou que o confinamento não se aplicou à indústria marítima, “acrescentando uma infinidade de desafios” à vida dos trabalhadores, “já por si problemática, colocando-os na vanguarda da luta contra o coronavírus”. “Os navios que transportam cerca de 90 por cento dos produtos que nos são necessários para continuar a viver normalmente nessas circunstâncias difíceis, como os produtos farmacêuticos e os equipamentos médicos, continuaram a navegar”, assinalou o texto, assinado pelo prefeito do organismo, cardeal Peter Turkson.

O colaborador do Papa anunciou ainda que, em agosto, a intenção da oração universal do Papa vai manifestar “a grande preocupação” de Francisco “pela humanidade e a missão da Igreja é dedicada ao mundo marítimo”. “As comunidades católicas do mundo serão convidadas a rezar por todos aqueles que trabalham e vivem no mar, incluindo marítimos, pescadores e as suas famílias”, adiantou.

 

4. O Papa Francisco dirigiu uma mensagem aos párocos de bairros populares de Buenos Aires, na Argentina, conhecidos como ‘curas villeros’, que estão infetados pelo covid-19. “Quero dizer-lhes que estou perto de vós, que estou a orar e que estou com vocês neste momento… Sei que estão a lutar, com a oração e com a ajuda dos médicos”, disse o Papa, num vídeo publicado no Twitter, pedindo ainda a todos que “agradeçam a Deus pelo testemunho destes sacerdotes e rezem pela sua saúde”.

 

5. O Papa Francisco nomeou o italiano Mario Draghi, antigo presidente do Banco Central Europeu, como membro da Academia Pontifícia das Ciências Sociais. O economista passa a integrar a instituição da Santa Sé criada em 1994, pelo Papa João Paulo II, que tem nos seus objetivos a investigação académica e a “preocupação com a responsabilidade ética e ambiental da comunidade científica”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
A OPINIÃO DE
António Bagão Félix
Há poucos meses, a actual legislatura começou com a excitada prioridade dada à eutanásia travestida de morte clinicamente assistida.
ver [+]

P. Manuel Barbosa, scj
Na normalidade possível da situação de pandemia que vivemos e das férias para quem delas puder usufruir,...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES