Cáritas de Lisboa |
Recordar a missão em Alsácia (França)
Cáritas: o lugar dos jovens no testemunhar da fé
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Este era suposto ser o verão de um novo intercâmbio com a Cáritas da Alsácia (França), com mais de uma dezena de jovens prontos para uma ação de voluntariado, a acontecer, desta vez, na paróquia de Óbidos. Ainda compraram os bilhetes de avião, com chegada a Lisboa a 4 de julho. Mas a pandemia trocou-lhes as voltas, obrigando ao cancelamento de todo o programa, podendo, no entanto, o mesmo vir agora a realizar-se em 2021, se até lá as circunstâncias lhe forem favoráveis.

A relação entre a Cáritas Diocesana de Lisboa (CDL) e Cáritas da Alsácia (França) tem três anos. Em 2018 recebemos, na paróquia de Alcobaça, os primeiros jovens oriundos da paróquia alsaciana de Ferrette. No ano a seguir, foi a vez de um grupo de cinco jovens, de cinco paróquias diferentes (Agualva-Cacém, Falagueira, Camarate, Alcobaça e Óbidos) de Lisboa partirem para, no mesmo município de Ferrette, apoiarem a comunidade local no que houvesse a fazer – uma experiência que aqui narrámos, com algum detalhe, o ano passado.

O que é feito deles, num pós-Alsácia, é o que este artigo entende mostrar-lhe através do testemunho dos que estiveram disponíveis para o fazer, convictos da importância de mantermos e estabelecermos novos intercâmbios e colaborações com Cáritas de diferentes países, e do lugar que os jovens são chamados a ocupar nas Cáritas Nacionais, Diocesanas e Paroquiais, bem para lá de um seu pontual voluntariado. 

 

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«Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos»

“Um ano passou e toda uma nova vida aconteceu. A verdade é que a nossa vida muda cada vez que nos propomos a um novo desafio, e o tempo que passámos na Alsácia foi um desafio. Um desafio pessoal, de grupo e comunitário, que nos levou a crescer e a planear novos sonhos. Sonhos que geraram novos desafios e novas aventuras! O meu amor pelo voluntariado tem vindo a crescer a cada dia que passa, e dele brotaram vários projetos, como a primeira Missão País da Universidade do Algarve e a educação dos jovens da minha paróquia para a sustentabilidade e missão. Poderia contar muito sobre este ano que passou, mas o mais importante é que a experiência que tivemos em França deu-me ferramentas para abraçar o gosto de ajudar o próximo com ainda mais intensidade, para me pôr à prova. Tenho feito voluntariado em áreas em que achava não ser capaz de ajudar. Acima de tudo, aprendi que o amor pelo voluntariado e missão cresce quando nos sentimos confortáveis em estar fora da nossa zona de conforto. É provavelmente nessa altura que nos sentimos assustados, mas é aí que interessa perceber que “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”!”

Rita Marques, 21 anos, estudante de Biologia Marinha, escuteira e catequista

 

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«Cada um que passa na nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós; deixa um pouco de si e leva um pouco de nós» Antoine De Saint-Exupery

“Há exatamente um ano partia para uma das aventuras mais bonitas da minha vida com cinco pessoas muito especiais. Sei que nesta aventura, que recordo com muito carinho, fui transformado por cada um dos cinco que foram comigo e por cada um dos muitos com quem nos cruzámos e a quem fomos enviados.

Esta foi uma experiência que marcou profundamente o meu olhar e o meu entendimento sobre o que é servir, o que é o voluntariado, e, acima de tudo, o que é a Missão. Todas as vezes em que sou convidado a refletir e a partilhar sobre esta experiência, digo que o que levo, como seu grande legado, foram a aprendizagem do estar sem pretensiosismos e o de estar para servir, não o de estar para o serviço que quis e idealizei, mas o de estar disponível para o serviço que é necessário e me é pedido por aqueles a quem sou enviado.

Logo desde o primeiro momento, apesar de bastante entusiasmado, não criei expectativas, não idealizei nenhum cenário, nem pensei muito sobre o que me iria esperar, e penso que foi isso que me permitiu aproveitar a experiência ao máximo e voltar com o coração cheio de coisas que duram até hoje.”

Ronaldo Rodrigues, 22 anos, cresceu e vive na paróquia da Ameixoeira, mas frequenta a paróquia de Camarate, onde é catequista e colaborador do coro

 

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«Contribuir um pouco mais para tornar o dia de outros um pouco melhor»

“Ao voltar da Alsácia, tanto a comunidade que nos recebeu como as vivências que partilhámos acabaram por ficar para trás, à medida que os afazeres do dia-a-dia retomavam o lugar, já em Portugal. Contudo, o regresso trouxe uma certeza cada vez mais assente, de que continuaria a envolver-me noutros projetos onde pudesse ser voluntária.

Comecei, então, por me colocar mais aberta a ações de voluntariado que já conhecia, mas às quais sempre me tinha mantido ‘à margem’. Assim, no início do ano letivo, inscrevi-me como voluntária no Marca Mundos, um projeto com atuação nacional e internacional, dinamizado pela associação de estudantes da faculdade onde estudo. Foi aqui que, ao longo do ano letivo, participei em diversos rastreios médicos à população, e noutras ações pontuais, como a realização da triagem dos bens doados nos armazéns do Banco Alimentar. Atualmente, estou prestes a iniciar uma semana de voluntariado na ANPAR, uma associação de apoio a crianças com Síndrome de Rett, onde irei auxiliar na dinamização de atividades direcionadas aos mais jovens.

Adicionalmente, participei na Missão País, iniciativa em que um grupo de universitários faz missão durante uma semana numa localidade. Estivemos na Batalha (Leiria), em escolas, centros de dia e numa unidade de cuidados continuados, além de ainda proporcionarmos um teatro a toda a comunidade no final da missão.

Desde Alsácia a estes outros momentos, o objetivo, sendo distinto em cada, acaba por ser sempre o mesmo: contribuir um pouco mais para tornar o dia de outros um pouco melhor.”

Carolina Costa, 22 anos, estudante de Medicina

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