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“Renovo o pedido de um cessar-fogo global e imediato”
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O Papa Francisco reforçou o apelo por um cessar-fogo e visitou a colónia de férias para filhos de funcionários da Santa Sé. Nesta semana, o Vaticano publicou três textos: um documento sobre as consequências da pandemia, um guia com 124 pontos para paróquias “missionárias” e um manual sobre “o que fazer em caso de abusos”.

 

1. O Papa reforçou o seu apelo em favor de um cessar-fogo global e imediato, que permita ajudar as vítimas da pandemia, em particular nos territórios mais pobres. “Neste momento em que a pandemia não parece abrandar, asseguro a minha proximidade com os que enfrentam a doença e as suas consequências económicas e sociais. Penso, em particular, nas populações, cujos sofrimentos são agravados por situações de conflito. Renovo o pedido de um cessar-fogo global e imediato, que permita a paz e a segurança essenciais para fornecer a assistência humanitária necessária”, pediu Francisco, na janela do apartamento pontifício, após a recitação do Angelus, no passado Domingo, dia 19, recordando que, neste mês de julho, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma resolução que pede um cessar-fogo global, de forma a facilitar a luta contra a covid-19.

Neste encontro público semanal, Francisco mostrou-se ainda preocupado com os confrontos fronteiriços entre as forças da Arménia e do Azerbaijão, que provocaram várias mortes nas últimas semanas. “Sigo com preocupação o agudizar, nos últimos dias, das tensões armadas na região do Cáucaso. Asseguro as minhas orações pelas famílias do que perderam a vida, durante os confrontos, e desejo que, com o empenho da comunidade internacional, e através do diálogo e da boa vontade das partes, se possa chegar a uma solução pacífica duradoura, que tenha no coração o bem daquelas amadas populações”, declarou.

 

2. O Papa visitou a colónia de férias para filhos de funcionários da Santa Sé, que decorria no auditório Paulo VI. Na passada segunda-feira, 20 de julho, Francisco esteve com as crianças e jovens quando estas tomavam o pequeno-almoço, tendo visitado os espaços de jogos montados no auditório e conversado com os participantes, refere um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé. Mais tarde, sentado com as crianças, o Papa “incentivou-as a fazer novos amigos”. “As pessoas que só sabem se divertir sozinhas são egoístas; para divertir-se é preciso estar juntos, com os amigos”, garantiu. Antes de regressa à Casa de Santa Marta, Francisco cumprimentou os animadores e agradeceu-lhes o seu trabalho.

 

3. O Vaticano publicou um novo documento, da Academia Pontifícia para a Vida, que reflete sobre as consequências globais da crise sanitária causadas pela covid-19. Com o título ‘Humana communitas na era da pandemia. Reflexões intempestivas sobre o renascimento da vida’, o texto assenta em três princípios-chave: desenvolver uma ética do risco, implementar a cooperação internacional e promover a solidariedade responsável. O documento destaca “a lição de fragilidade” que toca a todos, mas especialmente aos hospitalizados, os prisioneiros, os que vivem em campos de refugiados, e, ao mesmo tempo, a consciência de que a vida é um dom e que tudo está interligado, desde “a devastação da terra” e “as escolhas económicas baseadas na ganância e no consumo excessivo”, ao “abuso e desprezo pela criação”.

A Academia vaticana apela a “uma sinergia de esforços” para compartilhar informações, fornecer ajuda e disponibilizar recursos que permita “desenvolver tratamentos e vacinas” e recorda que “a pandemia aumentou ainda mais a diferença entre países ricos e pobres que estão a pagar o preço mais alto, pois já carecem de recursos básicos e são frequentemente atingidos por outras doenças letais, como a malária e a tuberculose”.

 

4. A Congregação para o Clero publicou a Instrução ‘A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja’, propondo paróquias centradas na sua ação missionária. “Um tal projeto missionário comum poderia ser elaborado e realizado em relação a contextos territoriais e sociais contíguos, isto é, em comunidades confinantes ou unidas pelas mesmas condições socioculturais ou em referência a âmbitos pastorais afins, por exemplo, no quadro duma necessária coordenação entre pastoral juvenil, universitária e vocacional, como já acontece em várias dioceses”, refere o documento, divulgado pelo Vaticano, no dia 20 de julho.

O texto leva em consideração a tradicional ligação das paróquias a um território específico, sublinhando que em muitos lugares as mesmas têm hoje “contextos sociais e culturais profundamente mudados”. A instrução defende que a paróquia seja um “lugar” que favorece “o estar juntos e o crescimento das relações pessoais duradoras”, desenvolvendo a “arte da proximidade”. As comunidades paroquiais, “casas no meio das casas”, são desafiadas à “criatividade” para que se tornem “centro propulsor da evangelização”. “A ação pastoral tem necessidade de ir além somente da delimitação territorial da paróquia, de fazer transparecer mais claramente a comunhão eclesial através da sinergia entre ministérios e carismas diversos e, não menos, de estruturar-se como uma ‘pastoral orgânica’ a serviço da diocese e da sua missão”, indica o Vaticano.

O guia para as paróquias, em 124 pontos, aborda a pastoral das comunidades paroquiais e os vários ministérios clericais e laicais, procurando maior corresponsabilidade, sem deixar de destacar o papel central do pároco como “pastor adequado” da comunidade.

 

5. Com o objetivo de “tornar mais clara a administração da justiça” e “devido às profundas feridas que infligem à comunhão eclesial”, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou, a 16 de julho, um documento que ajuda a “traduzir em ações concretas a normativa canónica relativa aos casos de abuso sexual de menores cometidos por clérigos”. Publicado em várias línguas e destinado, sobretudo, aos bispos e juristas das dioceses, institutos religiosos e conferências episcopais, este vade-mécum quer “dar resposta às inúmeras perguntas sobre os passos que se devem seguir nas causas penais da sua competência”. Trata-se de uma espécie de manual de instruções que “pretende tomar pela mão e conduzir passo a passo”, desde a denúncia “até à conclusão definitiva da causa, quem se achar na necessidade de proceder à averiguação da verdade no contexto dos mencionados delitos”. Lê-se, na introdução, que “não é um texto normativo, não inova a legislação sobre o assunto, mas visa tornar mais claro um percurso”.

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