Lisboa |
José Pedro Costa, da Paróquia de Mafra, vai ser ordenado diácono permanente
“Abraçar o serviço com disponibilidade”
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Sobrinho do último bispo português de Macau, José Pedro Costa, da Paróquia de Mafra, vai ser também ordenado diácono permanente neste Domingo. Diz que não está nervoso, mas assume “expectativa” e vontade “de servir”.

 

Esteve no seminário, em Angra, durante quase uma década, mas acabou por sair. Concluiu, no entanto, o curso de Teologia e, durante toda a vida, tem sido professor de EMRC (Educação Moral e Religiosa Católica). Agora, vai ser ordenado diácono permanente. “A única coisa que posso dizer é que estou disponível e, agora, é abraçar aquilo que me for pedido. Não há outra forma. Se não, eu não podia dar este passo”, resume José Pedro Costa, da Paróquia de Mafra, ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Casado há 32 anos, e pai de dois filhos (um rapaz e uma rapariga), José Pedro é natural da ilha do Pico, nos Açores, mais concretamente da freguesia de São Mateus. “Fiz todo o percurso normal de catequese, de frequência da Igreja à medida que fui crescendo. Entrei no grupo dos chamados meninos do coro, que era o grupo de acólitos, e tenho na família outras referências que também foram importantes no despertar para outras realidades. O meu tio Arquimínio [Rodrigues da Costa], que foi o último bispo português de Macau, era o meu tio padre e, de tempos a tempos, vinha lá de longe e trazia um presente para cada um dos sobrinhos. Era uma festa. Foi um tio especial na minha vida”, recorda este (ainda) leigo, hoje com 57 anos. “Com 12 anos, cheguei-me ao pé dele e disse que queria ir para Macau. Ele percebeu e orientou-me para o seminário menor de Angra”, lembra, destacando ainda “a influência” de duas tias, “já falecidas”, que “eram franciscanas”.

Com 21 anos, sai do seminário, “por motivos de saúde”, e vem “para Lisboa, pelos mesmos motivos”. “Demorei um tempo a pensar e a tomar uma decisão, porque não tinha a certeza, mas acabei por sair. Nesse processo, Alguém me inspirou e continuei a fazer a licenciatura em Teologia e, na sequência disso, abracei esta profissão de ser professor de EMRC e me dedicar ao ensino, no Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa”, acrescenta.

 

Acompanhado pela comunidade

José Pedro Costa foi proposto ao diaconado pela Paróquia de Mafra, através do pároco, padre Luís Barros. “Passei por várias paróquias antes de chegar a Mafra, há quase 11 anos, e tanto eu como a Fátima, minha esposa, fomos sempre colaboradores nas comunidades por onde passámos. Não conseguíamos ficar quietos. Fomos conhecendo a comunidade de Mafra, com as várias capelas – nós moramos mais próximo do Sobreiro – e fomo-nos integrando naquela pequenina comunidade. Entrámos no coro, fomos parar à catequese, depois ao grupo de jovens”, conta.

Mais recentemente, em 2015, o padre Luís Barros pede a este casal uma colaboração no acompanhamento e na preparação de noivos. Mas este convite trazia um outro. “Dissemos que seria com muito gosto e quando o padre Luís foi a nossa casa para planificar e sabermos, em concreto, o que era pretendido, quase no final da refeição, diz-me: ‘Já pensou em ser diácono permanente?’ Fiquei sem palavras. Fiquei completamente surpreendido. Lembro-me que o que eu estava a engolir ficou a meio caminho. E lembro-me da pergunta que lhe fiz: ‘Tenho que responder já?’ Ele respondeu: ‘Não, não, mas tem de me dar a resposta até amanhã’. Fiquei a pensar no tema e depois escrevi-lhe a dizer que nunca disse que não a um chamamento, a um desafio, e não podia dizer que não à partida e, portanto, que iria fazer esse percurso de discernimento para ver se era por aí o caminho”, resume, hoje, este futuro diácono.

Há cinco anos, com a notícia da (re)entrada no seminário, as reações não se fizeram esperar. “Da parte da família, foi tudo muito natural, muito pacífico, muito tranquilo. Um dos problemas, muitas vezes, são as esposas, que têm dificuldade em ver o marido fora de casa. Comigo e com a Fátima, sabemos o que é esta disponibilidade que é necessária”, garante, recordando também o sogro, “que faleceu há pouco tempo”, mas que acompanhou “com gosto” este percurso. “Ele foi do primeiro grupo de diáconos permanentes de formação, mas não chegou ao fim. Portanto, sabia o que era”, frisa. A nível da comunidade, tanto do Sobreiro como de Mafra, o pároco “teve sempre o cuidado de ir progressivamente apresentando este caminho”. “Ele foi fazendo, de forma muito sábia, esse acompanhamento e a comunidade sempre acarinhou, desde muito cedo e com uma vontade grande. Sinto-me muito amparado, de facto, pela comunidade onde estou”, manifesta.

 

Missão de servir

A formação para o diaconado permanente decorreu ao longo dos últimos cinco anos, aos sábados, durante todo o dia, e “foi muito importante”, segundo José Pedro. “Não é só formação do ponto de vista intelectual. É um caminho que se percorre. E o caminho é importante e faz-se caminhando, como dizia o poeta. Foi importante não só pelas pessoas com quem convivemos, como pela partilha que se foi fazendo”, refere, explicando: “O primeiro ano é de discernimento, de estudar os documentos que falam do diaconado permanente e da restauração do diaconado, a partir do Concílio Vaticano II, e depois temos três anos mais intensos, de estudo na área Bíblico-teológica, que foi muito importante, mas também Direito Canónico, como funcionam as paróquias, etc. O último ano, que é chamado o ano pastoral, é mais experiencial, de contacto com algumas realidades”.

Sobre a ordenação diaconal deste Domingo, José Pedro Costa não esconde um sentimento “de expectativa”. “Já comentei com alguns colegas que não estou nervoso, mas que, de vez em quando, me arrepio um pouco. Vou dar um passo decisivo, para uma missão que, teoricamente sei, sei como é que é o ministério, sei qual é o apelo de configuração com Cristo servo, a missão de servir, a Igreja diocesana… Mas quando o bispo disser ‘Preciso de ti para isto’, há que abraçar isso com disponibilidade”, deseja este futuro diácono permanente.

 

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Cardeal-Patriarca preside à ordenação diaconal

A Sé Patriarcal de Lisboa recebe neste Domingo, 13 de setembro, às 16h00, a ordenação de dois diáconos permanentes, que vai ser presidida pelo Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente. A celebração vai ser transmitida online, e em direto, a partir do site e redes sociais do Patriarcado de Lisboa.

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