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“Para sair de uma pandemia, é preciso cuidar-se e cuidar uns dos outros”
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O Papa Francisco voltou a abordar o tema da pandemia. Na semana em que o Papa pediu aos políticos que ouçam a população, o Vaticano lembrou que é hora de voltar à Missa presencial. Francisco diz que estamos “doentes de consumo” e falou de migração.

 

1. O Papa considera que “para sair de uma pandemia, é preciso cuidar-se e cuidar uns dos outros”. Na catequese da audiência-geral de quarta-feira, 16 de setembro, Francisco começou por apoiar os “cuidadores”, que acompanham os mais frágeis, dos doentes e dos idosos, cujo papel é “essencial na sociedade de hoje, embora com frequência não recebam o reconhecimento nem a remuneração que merecem”.

Desde que a audiência geral das quartas-feiras é aberta aos fiéis, num espaço mais reduzido dentro do Vaticano, o Papa tem abordado o tema da pandemia, em várias perspetivas. Desta vez, Francisco relacionou o cuidado dos outros com o cuidado da criação, pois “todas as formas de vida estão interligadas e, por isso, os abusos contra a nossa casa comum são um pecado grave que causa danos e doenças”. O Papa convidou à contemplação, como “um antídoto contra uma visão que encara a criação como um mero recurso e nos coloca como dominadores absolutos de todas as criaturas, fruto de uma visão distorcida, desequilibrada e soberba, que acaba por arruinar a harmonia do desígnio divino.”

Francisco não esqueceu “os povos indígenas e certos grupos populares, que têm muito a nos ensinar”, uma vez que “com o seu modo de cuidar da terra inspirado nos valores naturais e culturais, contribuem com uma revolução pacífica a revolução do cuidado em que cada pessoa reconhece a sua missão de ser guardião da casa comum”.

No final da audiência, o Papa rezou pelo padre Roberto Malgesini, da diocese italiana de Como, que “ontem foi morto por uma pessoa necessitada, que ele ajudava por ser pobre e afetada por um desequilíbrio mental”. Francisco considerou-o “um verdadeiro mártir da caridade” e pediu orações por ele “e por todos os que trabalham pelas pessoas descartadas”.

 

2. O Papa acompanha as manifestações de crescente “mal-estar” da sociedade civil, em vários países, perante situações políticas e sociais que considera “particularmente críticas”. Na sua intervenção, após a recitação do Angelus, no passado Domingo, 13 de setembro, sem se referir diretamente a qualquer situação específica, Francisco pediu “a todos os que têm responsabilidades públicas e de governo que ouçam a voz dos seus concidadãos e que vão ao encontro das suas justas aspirações, assegurando o pleno respeito dos Direitos Humanos e das liberdades civis”, e convidou as comunidades católicas a trabalharem “em favor do diálogo, sempre em favor do diálogo, e em favor da reconciliação”.

O Papa destacou ainda que os católicos devem perdoar sempre, sem guardar rancor, seguindo o ensinamento de Jesus, admitindo que “não é fácil” colocar em prática esta intenção. “Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio”, apelou Francisco, citando uma passagem do livro de Ben-Sirá.

 

3. A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, da Santa Sé, enviou uma carta aos presidentes das Conferências Episcopais, defendendo o regresso à celebração presencial da Missa, após as limitações provocadas pela pandemia. “Assim que as circunstâncias o permitirem, é necessário e urgente regressar à normalidade da vida cristã, que tem o edifício da igreja como casa e a celebração da liturgia, em particular a Eucaristia, como meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força”, refere o texto assinado pelo cardeal Roberth Sarah, prefeito da congregação.

A missiva, intitulada ‘Voltemos com alegria à Eucaristia!’, destaca que participar numa Missa através dos meios de comunicação não é equiparável à participação física, na igreja. “A pandemia criou transtornos” não somente na dinâmica social e familiar, “mas também na vida da comunidade cristã, incluindo a dimensão litúrgica”, assinala o colaborador do Papa, destacando a colaboração da Igreja com as autoridades civis, neste contexto.

“A comunidade cristã nunca procurou o isolamento e nunca fez da igreja uma cidade de portas fechadas. Formados para o valor da vida comunitária e na busca do bem comum, os cristãos sempre procuraram a inserção na sociedade”, destaca a carta.

 

4. O Papa Francisco criticou que as pessoas estão de “doentes de consumo”, destacando a importância de “encontrar o silêncio” e de se “libertar da prisão do telemóvel”. “Estamos ansiosos com a última ‘app’, mas já não sabemos os nomes dos vizinhos, menos ainda se sabe distinguir uma árvore da outra”, observou. “O que é mais grave, com esse estilo de vida, perdem-se as raízes e a gratidão pelo que existe e por quem o deu. Para não esquecer, é preciso voltar a contemplar; para não nos distrairmos com mil coisas inúteis, há que reencontrar o silêncio; para que o coração não adoeça, é urgente parar. Não é fácil. Precisamos, por exemplo, de nos libertar da prisão do telemóvel, para olhar nos olhos os que estão ao nosso lado e a criação que nos foi dada”, disse o Papa, num encontro com representantes das ‘Comunidades Laudato Si’, no Vaticano.

A intervenção, a 12 de setembro, considerou ainda “escandaloso” que, nos países industrializados, sejam desperdiçados mais de mil milhões de toneladas de alimentos comestíveis. “Ajudemo-nos, juntos, na luta contra o descarte e o desperdício, exijamos opções políticas que combinem progresso e equidade, desenvolvimento e sustentabilidade para todos, para que ninguém seja privado da terra em que vive, do ar bom que respira, da água que tem o direito de beber e dos alimentos que tem o direito de comer”, apelou Francisco.

 

5. O Papa afirmou que “é fundamental mudar a maneira” como se vê e conta “a migração”, colocando “pessoas, rostos e histórias no centro”. “Trata-se de colocar pessoas, rostos e histórias no centro. Portanto, é importante projetos, como o que vocês promovem, que propõem diferentes abordagens, inspiradas na cultura do encontro, que são o caminho para um novo humanismo”, frisou Francisco, na Sala Clementina, no Vaticano, no dia 10 de setembro, numa audiência aos participantes do projeto europeu ‘Vozes e experiências das fronteiras’. “As fronteiras, que sempre foram consideradas barreiras de divisão, podem-se tornar ‘janelas’, espaços de conhecimento mútuo, de enriquecimento recíproco, de comunhão na diversidade. Lugares onde os modelos são experimentados para superar as dificuldades que os recém-chegados representam para as comunidades autóctones”, desejou.

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