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“Afeto à Sagrada Escritura é a herança que São Jerónimo deixou à Igreja”
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O Papa Francisco dedicou uma Carta Apostólica a São Jerónimo. Na semana em que falou de uma realidade sem “vírus socioeconómicos”, o Papa apresentou o tema para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, desejou a rápida recuperação do turismo “duramente” atingido pela pandemia e enviou uma mensagem vídeo para a 75.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

 

1. O Papa dedicou uma Carta Apostólica a São Jerónimo, com o título ‘Scripturae Sacrae Affectus’, onde valoriza a sabedoria do santo, no XVI centenário da sua morte. “Verdadeiramente Jerónimo é a ‘Biblioteca de Cristo’, uma biblioteca perene que, passados dezasseis séculos, continua a ensinar-nos o que significa o amor de Cristo, um amor inseparável do encontro com a sua Palavra”, lê-se na Carta Apostólica do Papa.

Francisco recorda o grande amor do santo pela Sagrada Escritura. “O afeto à Sagrada Escritura, um terno e vivo amor à Palavra de Deus escrita é a herança que São Jerónimo, com a sua vida e as suas obras, deixou à Igreja. Tais expressões, tiradas da memória litúrgica do Santo, dão-nos uma chave de leitura indispensável para conhecermos, no XVI centenário da morte, a sua figura saliente na história da Igreja e o seu grande amor a Cristo”, salienta.

“Para uma plena compreensão da personalidade de São Jerónimo – explica o Papa – é necessário combinar duas dimensões características da sua existência: por um lado, a consagração absoluta e rigorosa a Deus, renunciando a qualquer satisfação humana, por amor de Cristo crucificado (cf. 1 Cor 2, 2; Flp 3, 8.10); por outro, o empenho assíduo no estudo, visando exclusivamente uma compreensão cada vez maior do mistério do Senhor. É precisamente este duplo testemunho, admiravelmente oferecido por São Jerónimo, que se propõe como modelo, antes de tudo, para os monges, a fim de encorajar quem vive de ascese e oração a dedicar-se ao labor assíduo da pesquisa e do pensamento; e, depois, para os estudiosos a fim de se recordarem que o conhecimento só é válido religiosamente se estiver fundado no amor exclusivo a Deus, no despojamento de toda a ambição humana e de toda a aspiração mundana”.

São Jerónimo conseguiu ‘inculturar’ a Bíblia na língua e cultura latinas, por isso o Papa valoriza o seu trabalho de tradução como “um paradigma permanente para a ação missionária da Igreja”, com vestígios “bem visíveis e o seu conteúdo simbólico e rico de imagens, tornando-se um elemento criador de cultura”. Nesta Carta, Francisco elogia ainda São Jerónimo, que “não poupou esforços para enriquecer a sua biblioteca, vendo nela um laboratório indispensável para a compreensão da fé e para a vida espiritual; e, nisto, constitui um exemplo admirável também para o presente”.

 

2. O Papa não quer regressar à famigerada “normalidade”, uma vez que tal normalidade, como nos evidenciou a pandemia, estava “doente de injustiças, desigualdades e degradação ambiental”. Na audiência geral desta quarta-feira, 30 de setembro, Francisco defendeu uma outra normalidade, “marcada pela partilha e pela solidariedade”, que ajude a “construir uma sociedade participativa muito mais resistente a qualquer tipo de vírus”. Por isso, “para sairmos da pandemia, temos que encontrar a cura, não só para o coronavírus, como para os grandes ‘vírus’ humanos e socioeconómicos”. E acrescenta: “Um pequeno vírus continua a causar feridas profundas e desmascarou as nossas vulnerabilidades físicas, sociais e espirituais; despertou a grande desigualdade que reina no mundo: desigualdade de oportunidades, de bens, de acesso aos cuidados médicos, de tecnologia, e assim por diante”.

Preocupado com estas injustiças, o Papa considera-as como “obra do homem, pois proveem de um modelo de crescimento desligado dos valores mais profundos. E isto fez com que muitas pessoas perdessem a esperança, aumentando a incerteza e a angústia”. Por isso, “temos que trabalhar urgentemente para gerar boas políticas, para conceber sistemas de organização social que recompensem a participação, o cuidado e a generosidade, e não a indiferença, a exploração e os interesses particulares”. O Papa Francisco defendeu que “uma sociedade solidária e equitativa é uma sociedade mais saudável. Uma sociedade participativa – onde os “últimos” são considerados como os “primeiros” – fortalece a comunhão. “Uma sociedade onde a diversidade é respeitada é muito mais resistente a qualquer tipo de vírus”, garantiu.

 

3. ‘«Vinde e vede» - Comunicar ao encontro das pessoas como e onde estão’ é o tema escolhido pelo Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais do próximo ano. Francisco recorda que “o anúncio cristão, antes das palavras, é feito de olhares, testemunhos, experiências, encontros, proximidade. Numa palavra, vida”.

Para enquadrar o tema da 55.ª Mensagem do Santo Padre, que se assinala em maio de 2021, o comunicado da Santa Sé informa que “na mudança de época que vivemos, e num tempo que nos obriga ao distanciamento social devido à pandemia, a comunicação pode possibilitar a proximidade necessária para reconhecer o essencial e compreender verdadeiramente o sentido das coisas”.

 

4. O Papa assinalou, no passado Domingo, no Vaticano, o Dia Mundial do Turismo, destacando que a pandemia atingiu “duramente este sector, tão importante para muitos países”. “Dirijo um encorajamento a todos os que trabalham no turismo, em particular às pequenas empresas familiares e aos jovens. Espero que todos possam, quanto antes, ultrapassar as atuais dificuldades”, disse, após a recitação da oração do Angelus, na Praça de São Pedro, no dia 27 de setembro.

 

5. O Papa apelou ao desarmamento nuclear e alertou para a “erosão do multilateralismo”, numa intervenção em vídeo para a 75.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a decorrer em Nova Iorque. Francisco defendeu que a pandemia obriga a uma “mudança de rumo” a nível global. “Temos de perguntar-nos se as principais ameaças à paz e à segurança, como a pobreza, epidemias e terrorismo, entre outras, podem ser efetivamente enfrentadas quando a corrida armamentista, incluindo às armas nucleares, continua a desperdiçar recursos preciosos”, referiu Francisco, numa intervenção em espanhol, no dia 25 de setembro.

O Papa lamentou ainda o “clima de desconfiança existente” no cenário global, convidando os responsáveis políticos a “apoiar os principais instrumentos jurídicos internacionais de desarmamento, não proliferação e proibição nuclear”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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