Domingo |
À procura da Palavra
A festa possível
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DOMINGO XXVIII COMUM

“Ide às encruzilhadas dos caminhos

e convidai para as bodas todos os que encontrardes.”

Mt 22, 9

 

O tempo não está para festas!” dizia há dias alguém, desalentado. E não se referia ao tempo atmosférico, nem ao tempo de crise, mas sim ao tempo de pandemia. Distanciamento social, ajuntamentos com o máximo de 6 pessoas, na rua e até em casa (em alguns países), máscaras e higienização das mãos, estabelecimentos comerciais e de lazer encerrados, confinamentos obrigatórios. “Este vírus quer matar-nos de solidão e tristeza!” dizia outra pessoa. E acrescentava, “até nem nos podemos juntar para baptizados, casamento ou funerais”!

 

O convite para um banquete nupcial que nos oferece o evangelho de hoje sublinha a iniciativa de Deus. A vida celebra-se em festa, e na comunhão humana realiza-se já a comunhão com Deus. Diante das imagens mesquinhas de um Deus quase invejoso dos prazeres humanos, mais pronto a castigar do que a abraçar, Jesus apresenta o Pai, jubiloso por oferecer alegria e graça aos seus filhos, e convida todos à festa fraterna que será o culminar dos nossos esforços e sonhos. Festa aqui, de banquete nupcial do filho; e festa eterna, da abundância da sua vida plena. O convite é claro: “Preparei o meu banquete…Vinde às bodas!” Não ficamos com água na boca?

 

É verdade que podemos recusar o convite. Jesus sabe-o, e nunca obrigará ninguém. Mas não O podemos impedir de nos tentar seduzir e convencer. As desculpas dos primeiros convidados da parábola encaixam bem nas autoridades e no povo de Israel. Nós podemos encontrar desculpas parecidas: “não tenho tempo…”, “já tenho a agenda ocupada…”, “combinei com uns amigos…”, agora não posso porque estamos em pandemia…!” O banquete não se estraga por falta de adesões: será na encruzilhada dos caminhos, onde passam os errantes, os que não têm terras ou negócios, os que nunca foram convidados para nada, que se fará ouvir o convite.

 

Mas que festa é possível quando estamos em “estado de sítio”? A responsabilidade pessoal e comunitária exige criatividade. É preciso inventar a festa possível: com poucos enquanto não pode ser com muitos; em diálogo e proximidade enquanto não pode haver beijos e abraços; em surpresa e entreajuda enquanto não pode ser programada; em sonhos e projectos enquanto não podem ser concretizados, com os progressos da técnica e a generosidade sempre antiga e sempre nova. É a festa da Eucaristia e da fraternidade (mais renovada com o alento da Encíclica “Todos irmãos” do Papa Francisco) que é preciso fazer com todos, com os trajes nupciais que a traça do medo e da indiferença não corroem, e a certeza de que Jesus Cristo caminha connosco. Pois não é Ele a Festa que vale a pena?

P. Vítor Gonçalves
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