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“É preciso segurar o terço nas mãos e rezar”
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O Papa Francisco apelou à oração do terço em tempos de pandemia. Na semana em que falou sobre o lucro, o Papa explicou porque publicou a sua nova encíclica, ‘Fratelli tutti’, em Assis, e dirigiu-se aos novos recrutas da Guarda Suíça.

 

1. O Papa evocou as aparições de Fátima para pedir aos católicos que rezem o terço nestes tempos de pandemia de covid-19. No final da audiência-geral de quarta-feira, 7 de outubro, Francisco assinalou em várias línguas a memória da Virgem do Rosário, que se comemorava naquele dia. “Nas suas aparições, Nossa Senhora exortava muitas vezes à oração do terço, especialmente face às ameaças que pairam sobre o mundo. Também hoje, neste tempo de pandemia, é preciso segurar o terço nas mãos e rezar por nós, pelos nossos entes queridos e por todos os homens”, lembrou.

Este encontro público semanal decorreu na Sala Paulo VI, por causa da chuva, com o Papa a retomar as catequeses sobre o tema da oração, destacando a coragem do profeta Elias como exemplo. “A Escritura apresenta Elias como um homem de fé cristalina, íntegro e incapaz de compromissos mesquinhos”, lembrou. Por isso, recordou Francisco, ele “é o exemplo das pessoas de fé que conhecem tentações e sofrimentos, mas que não deixam de viver à altura do ideal para o qual nasceram”. Neste âmbito deixou um repto: “Como precisamos de fiéis, de cristãos zelosos que atuem diante das pessoas que têm responsabilidade diretiva, com a coragem de Elias, para dizer: Isto não deve ser feito! Isto é um assassinato!”. É que o profeta Elias “mostra-nos que não deve haver dicotomia na vida a quem Ele nos envia”. Ou seja, “a oração não é um fechar-se com o Senhor, para maquilhar a alma”, mas um permanente “confronto com Deus e um deixar-se enviar para servir aos irmãos”, disse o Papa.

 

2. Ao receber os diretores e funcionários da Caixa de Depósitos e Empréstimos, o Papa Francisco reiterou que “o pensamento cristão não é contrário, por princípio, à perspetiva do lucro, mas opõe-se ao lucro a qualquer custo, ao lucro que esquece o ser humano, que o torna escravo, que o reduz a uma coisa entre as coisas”. Esta audiência decorreu segunda-feira, 5 de outubro, na Sala Paulo VI, no Vaticano, por ocasião dos 170 anos da fundação desta instituição. “A gestão de negócios sempre exige de todos uma conduta leal e clara que não ceda à corrupção. No exercício das responsabilidades é necessário saber distinguir o bem do mal. De facto, mesmo no campo da economia e das finanças, a intenção correta, a transparência e a busca de bons resultados são compatíveis e não devem ser separadas. É uma questão de identificar e percorrer com coragem linhas de ação que respeitem e promovam a pessoa humana e a sociedade”, apelou.

 

3. Após a oração mariana do Angelus, no passado Domingo, o Papa Francisco recordou a sua visita a Assis, realizada na véspera, durante a qual assinou a encíclica ‘Fratelli tutti’. “Ontem fui a Assis para assinar a nova encíclica ‘Fratelli tutti’ sobre a fraternidade e amizade social. Ofereci-a a Deus no túmulo de São Francisco, em quem me inspirei, como para a Laudato si’ precedente. Os sinais dos tempos mostram claramente que a fraternidade humana e o cuidado da Criação formam o único caminho para o desenvolvimento integral e a paz já indicada pelos Santos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II. Hoje, a vocês que estão na praça e ali fora dela também, tenho a alegria de presentear a nova encíclica na edição extraordinária do L’Osservatore Romano e com esta edição recomeça a edição quotidiana impressa do L’Osservatore Romano. Que São Francisco acompanhe o caminho de fraternidade na Igreja entre os fiéis de todas as religiões e entre todos os povos”, desejou o Papa.

No Angelus, Francisco tinha referido que a verdadeira autoridade é servir. “A autoridade é um serviço, e como tal deve ser exercida, para o bem de todos e para a difusão do Evangelho. É feio ver quando as pessoas com autoridade na Igreja buscam os seus próprios interesses”, denunciou.

 

4. Foi na tarde deste sábado, 3 de outubro, em Assis, que Francisco assinou a encíclica ‘Fratelli tutti’. Na cripta da Basílica inferior, o Papa celebrou Missa e, no final, no túmulo do Pobrezinho de Assis, assinou a sua terceira encíclica, dedicada à fraternidade e à amizade social. Francisco não fez homilia. A oração, o silêncio e a simplicidade marcaram esta visita que, por vontade do Papa, devido à situação de saúde, se realizou sem a participação dos fiéis. Pouco antes da assinatura, o Papa agradeceu à Primeira Secção da Secretaria de Estado que trabalhou na redação e tradução da encíclica, em particular fez um elogio a monsenhor Ferreira da Costa, que trabalha na secção portuguesa da Secretaria de Estado do Vaticano.

 

5. O Papa Francisco recebeu, em audiência, os novos recrutas da Guarda Suíça Pontifícia, acompanhados dos pais. “Saúdo cordialmente os novos recrutas que, seguindo o exemplo de muitos dos seus compatriotas, escolheram dedicar um período da sua juventude ao serviço do Sucessor de Pedro. A presença dos seus familiares expressa a devoção dos católicos suíços à Santa Sé, bem como a educação moral e o bom exemplo com que os pais transmitiram aos filhos a fé cristã e o senso de serviço generoso ao próximo”, referiu o Papa, no passado dia 2 de outubro, na Sala Clementina, aos novos Guardas Suíços que iriam fazer o juramento no Domingo seguinte, dia 4. “Que o juramento que vocês farão depois de amanhã seja também um testemunho de fidelidade à sua vocação batismal, ou seja, a Cristo, que os chama a ser homens e cristãos, protagonistas de sua existência. Com a sua ajuda e com a força do Espírito Santo, vocês enfrentarão serenamente os obstáculos e desafios da vida. Não se esqueçam de que o Senhor está sempre ao vosso lado: espero de coração que vocês sintam sempre a sua presença consoladora”, apontou.

Francisco espera ainda que os novos recrutas possam aproveitar o que a cidade de Roma oferece. “Ela é rica de história, cultura e fé. Portanto, aproveitem as oportunidades que vos são oferecidas para melhorar a vossa bagagem cultural, linguística e espiritual. O tempo que vocês transcorrerão aqui é um momento único na vossa existência: que vocês o vivam com espírito de fraternidade, ajudando uns aos outros a levar uma vida rica de sentido e alegremente cristã”, desejou o Papa.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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