Lisboa |
Bênção da renovada Capela do Campo, na Tornada
“O pulmão espiritual desta terra”
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“Uma espécie de um milagre”. Foi desta forma que D. Daniel Henriques classificou as obras de requalificação da Capela do Campo, na Paróquia de Tornada, em Caldas da Rainha. O Bispo Auxiliar de Lisboa benzeu o renovado templo, no passado dia 11 de outubro, e desafiou os cristãos a crescerem “como comunidade viva, centrada na Palavra de Deus e na Eucaristia”.

 

“O que acontece aqui, hoje, é uma espécie de um milagre, até no contexto em que estamos, de dificuldades financeiras, de confinamento, por causa da pandemia. Terdes a vossa igreja do Campo assim, aberta e com esta beleza, com esta grandiosidade, que joga bem com a simplicidade das coisas, é uma alegria, de facto”, frisou D. Daniel Henriques, na celebração da Eucaristia em que benzeu a Capela do Campo. Esta aldeia da freguesia de Tornada, no concelho de Caldas da Rainha, situada entre a cidade e o mar, é, segundo a lenda, a terra onde a Rainha Dona Leonor acampou. Daí, o nome ‘Campo’. E durante os últimos três anos, a comunidade angariou fundos para o projeto de remodelação da sua capela que, durante largos anos, esteve sem obras. A requalificação demorou um ano, mas deixou “em júbilo” toda a aldeia, segundo o pároco. “A bênção da renovada capela é um dia de grande júbilo para todos nós. Damos graças a Deus por conseguirmos, mesmo em situações adversas, poder concluir a renovação deste templo de Deus”, observou o padre Samuel Pulickal, no início da celebração.

 

Comunidade empenhada

A primeira Missa na renovada Capela do Campo, dedicada a São Brás, teve então lugar na tarde do passado Domingo, 11 de outubro. Devido às restrições de saúde, provocadas pela pandemia do novo coronavírus, no interior do templo estavam somente as autoridades locais e a comissão de obras. O povo, esse, participou na celebração na rua em frente à capela, através de um ecrã gigante colocado para o efeito. Na sua homilia, o Bispo Auxiliar de Lisboa enalteceu o papel da comunidade local nas obras de remodelação da Capela do Campo. “Quando vínhamos para cá, o padre Samuel deu-me o testemunho de uma comunidade muito empenhada – e quando digo a comunidade, falo da comunidade cristã, mas também nesta harmonia com a autarquia, a Câmara, a junta de freguesia”, partilhou D. Daniel Henriques, reforçando a necessidade de trabalho conjunto. “Este tempo de pandemia tem-nos ajudado a perceber que estamos todos no mesmo barco e que todos, com a sua missão, com a sua responsabilidade, temos de trabalhar juntos, em todos os momentos. Naturalmente, combatendo esta pandemia, os seus riscos, a pobreza e a fragilidade que ela revela, mas também todas as outras dimensões, como o cuidar do património que nos foi legado e que cabe a nós, de facto, pegar nele e transmiti-lo às próximas gerações”, acrescentou.

O Bispo Auxiliar de Lisboa sublinhou ainda que “a igreja, se é o templo, é em primeiro lugar a comunidade”. “Não deixa de ser muito significativo que a mesma palavra signifique estas realidades que parece que nada têm que ver uma com a outra. Faz todo o sentido que a palavra seja a mesma, porque o povo de Deus precisa destes lugares, destes templos, para se encontrar, para escutar a Palavra de Deus, para celebrar a Eucaristia, para crescer na fé”, salientou. Neste sentido, apontou que “de pouco serviria o templo sem uma comunidade viva”. “Que não seja apenas um espaço que fica fechado e que se abre quando o senhor prior diz para abrir, porque há uma festa, uma Missa… Lanço-vos este desafio: que cresçais como comunidade viva, centrada na Palavra de Deus e na Eucaristia. Não deixemos de entrar na igreja, de fazer a nossa oração, de visitar o Santíssimo Sacramento, de louvar o Senhor. Que esta capela seja o pulmão espiritual desta terra do Campo”, terminou D. Daniel Henriques.

 

Uma obra de todos

Depois de descerrada a placa que assinalou a inauguração das obras de requalificação, Ana Manique, da comissão de obras, salientou o “enorme orgulho, satisfação e sentimento de dever cumprido” com a obra realizada. “Este é um projeto de grande importância para todos nós, paroquianos desta aldeia. Local de culto, de conforto, de manifestação de fé e de adoração a Deus, nosso Pai. Muito obrigado a todos os que, das mais variadas formas, contribuíram para tornar possível a realização desta grande obra”, frisou esta leiga, deixando ainda “um agradecimento muito especial ao senhor padre Samuel, pela disponibilidade, dedicação e responsabilidade com que conduziu e acompanhou” a comissão de obras, na realização deste projeto, ao longo dos últimos três anos.

Também o presidente da União das Freguesias de Tornada e Salir do Porto, Arnaldo Custódio, agradeceu “ao nosso pároco, que tem exercido, com a sua simplicidade e a sua dedicação, um grande magistério”, e manifestou que esta é uma obra que “nos honra a todos”. “Que seria desta obra sem a presença de todos vós. Foi para vós que foi construída esta magnífica capela que, a partir de agora, poderão usufruir”, referiu. Já o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Fernando Tinta Ferreira, salientou também a forma como o padre Samuel “tem procurado lidar com as instituições públicas” e deixou “uma palavra muito especial à comissão de obras”. Sobre a intervenção na Capela do Campo, o autarca assumiu que, “pela sua dimensão”, o templo “precisava de um alargamento, de uma requalificação e de um arranjo”. Fernando Tinta Ferreira assegurou depois que “a Igreja Católica é um elemento muito importante na garantia da sustentabilidade social e da harmonia da comunidade”. “Sem o papel da Igreja, seria muito mais difícil haver harmonia na comunidade, haver equilíbrio social. Portanto, o serviço público também tem o dever de reconhecer o papel da Igreja e, da nossa parte, procuramos fazê-lo”, frisou o presidente do Município de Caldas da Rainha.

 

Acontecimento extraordinário

Presente na Tornada desde 2015, o padre Samuel Pulickal mostrou-se muito feliz com a bênção da Capela do Campo. “Hoje, estamos aqui a testemunhar um acontecimento extraordinário: a bênção da nossa capela, o centro de fé desta aldeia, onde gerações e gerações experienciaram o amor de Deus, ganharam força nos momentos difíceis na sua vida e partilharam momentos felizes”, referiu o pároco. Este sacerdote indiano, de 36 anos, deixou depois diversos agradecimentos a pessoas individuais da terra, aos emigrantes nos Estados Unidos e, também, “uma palavra muito especial à comissão das obras, pela dedicação, pela generosidade, pela criatividade e pelo espírito de sacrifício”. “Assumir esta responsabilidade de requalificação da capela não foi fácil”, manifestou. “Esta é uma obra tão sonhada e aguardada por todos nós. Aos discípulos de Jesus Cristo desta aldeia do Campo, sem a vossa presença, sem a vossa oração, sem a vossa colaboração, sem a vossa compreensão, nada disto era possível”, acrescentou.

Feita a obra e benzido o templo, surge novo estímulo, nas palavras do pároco de Tornada. “A capela renovada deixa um desafio a todos nós: renovar a vida da fé desta aldeia, renovar o nosso compromisso de amar a Deus e amar os irmãos, à luz da fé, como Cristo nos ensinou. Vamos construir, reconstruir e renovar o templo de Deus que somos nós”, convocou.

O padre Samuel Pulickal aproveitou a ocasião para revelar a toda a comunidade cristã do Campo os horários das celebrações na capela. “A partir desta semana, todas as quintas-feiras haverá celebração da Eucaristia, às 16h00 – antes, às 14h30, há oração do terço e adoração. Aos sábados, uma vez que temos a capela renovada, vamos retomar a Eucaristia, às 18h15”, anunciou.

 

“Esta é a vossa catedral”

Os discursos terminaram com D. Daniel Henriques a destacar “o testemunho” da comissão de obras desta comunidade, que “se uniu para fazer esta obra magnífica”. “Faz lembrar uma afirmação do autor do Principezinho: ‘Se queres ver dois homens unidos, coloca-os a construir uma catedral’. E de facto, esta é a vossa catedral! Certamente também que, no meio de muitas dificuldades e de algumas discussões – que há sempre –, mas quando as pessoas se envolvem de alma e coração, que isto vos deixe mais unidos, com mais sentido de pertença a esta paróquia”, apontou o Bispo Auxiliar de Lisboa, que para o descerramento da lápide convidou uma adolescente para o ajudar. “Quis convidar aquela menina para descerrar a lápide porque isto que deixamos é também um legado para as próximas gerações. Parabéns à comunidade do Campo”, terminou D. Daniel Henriques.

 

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Na bênção da Capela do Campo, D. Daniel Henriques deixou um agradecimento ao padre Samuel Pulickal, sacerdote natural da Índia que é pároco de Tornada e também de Salir do Porto. “Ele vem do outro lado do mundo e deixa-nos um testemunho bonito, de percebermos que, de facto, a Igreja é isto mesmo, envia-nos para onde for necessário. E o padre Samuel está longe da sua família, da sua pátria, num país que, até há pouco tempo, era desconhecido, e dedicou-se muito e entregou-se muito a esta missão que a Igreja lhe foi confiando, e agora como pároco, nestas duas paróquias. Obrigado, padre Samuel, pelo teu testemunho e pela tua generosidade”, salientou o Bispo Auxiliar de Lisboa.

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