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“Portas das igrejas não são barreiras, mas membranas permeáveis”
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O Papa Francisco sublinhou que a oração cristã “não é um calmante para aliviar as ansiedades da vida”. Na semana em que lembrou que a paz deve ser a prioridade de qualquer política, o Papa agradeceu o trabalho dos missionários em todo o mundo, sublinhou que a “tragédia” da fome é uma “vergonha” para a humanidade e alertou para a “catástrofe educativa”.

 

1. O Papa considera que a Igreja deve “acolher o clamor de todos”, porque “quem respeita a Deus, respeita os seres humanos”. Na audiência-geral de quarta-feira, 21 de outubro, Francisco começou com um pedido de desculpa por permanecer afastado dos fiéis, devido às restrições impostas pela pandemia, e apelou ao respeito pelas distâncias e ao uso de máscara, para evitar eventuais contágios. Na reflexão que fez sobre a importância dos Salmos, o Santo Padre condenou os que rezam “com tédio, de maneira habitual” e sublinhou que a oração cristã “não é um calmante para aliviar as ansiedades da vida”. A verdadeira oração que agrada a Deus – disse o Papa – é a oração que responsabiliza, pois “vemos isto claramente no Pai Nosso que Jesus ensinou aos seus discípulos”. Neste contexto, “as portas das igrejas não são barreiras, mas membranas permeáveis, disponíveis para acolher o clamor de todos”. E como todos, sem exceção, são importantes, a começar pelos mais pobres, “Deus não suporta o ateísmo daqueles que negam a imagem divina impressa em cada ser humano”. “Deixar de a reconhecer é um sacrilégio, uma abominação, é a pior ofensa que se pode levar ao templo e ao altar,” concluiu, na intervenção que encerrou o ciclo de catequeses sobre a oração.

 

2. O Papa responsabilizou os líderes políticos pela paz no mundo e insistiu que as religiões, na sua essência, são agentes de paz. “Pôr fim à guerra é dever inadiável de todos os responsáveis políticos perante Deus. A paz é a prioridade de qualquer política. Deus pedirá contas a quem não procurou a paz ou fomentou as tensões e os conflitos, de todos os dias, meses, anos de guerra que assolaram os povos”, salientou Francisco, ao participar num encontro internacional pela paz, em Roma, juntamente com líderes das principais religiões do mundo, promovido pela Comunidade de Santo Egídio. Depois de uma celebração ecuménica, onde participaram apenas os cristãos, o Papa dirigiu-se ao Capitólio para um encontro com todos os líderes e apelou à classe política para que faça da paz uma prioridade no mundo. “Há necessidade de paz! Mais paz! O mundo, a política, a opinião pública correm o risco de habituar-se ao mal da guerra, como companheira natural da história dos povos. Hoje, as tribulações da guerra são agravadas também pela pandemia do coronavírus e pela impossibilidade, em muitos países, de se ter acesso aos tratamentos necessários”, frisou.

O tema do encontro foi ‘Ninguém se salva sozinho’. Segundo Francisco, o mesmo se aplica à construção da paz. “Nenhum povo, nenhum grupo social pode alcançar, sozinho, a paz, o bem, a segurança e a felicidade. Ninguém.”

 

3. O Papa celebrou, no Vaticano, o Dia Mundial das Missões, destacando o trabalho dos missionários e missionárias na construção da “fraternidade”, em todo o mundo. “Cada cristão é chamado a ser tecedor de fraternidade. São-no, de modo especial, os missionários e missionárias – sacerdotes, leigos, consagrados – que semeiam o Evangelho no grande campo do mundo. Rezemos por eles e ofereçamos-lhe o nosso apoio concreto”, pediu Francisco, após a recitação da oração do Angelus, no passado Domingo, 18 de outubro.

Perante os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa manifestou publicamente a sua gratidão pela recente libertação do padre italiano Pier Luigi Maccalli, da Sociedade de Missões Africanas. “Desejo agradecer a Deus pela tão aguardada libertação do padre Pier Luigi Maccalli. Saudemo-lo com um aplauso”, referiu. “Alegramo-nos também porque, com ele foram libertados outros três reféns”, acrescentou, em referência ao italiano Nicola Chiacchio, à trabalhadora humanitária francesa Sophie Pétronin e ao político maliano Soumaila Cisse. Francisco convidou ainda a rezar pelos missionários, os catequistas e por todos “os que são perseguidos ou sequestrados em várias partes do mundo”.

Sobre o Evangelho daquele Domingo, o Papa destacou que “os impostos devem ser pagos”. “O pagamento de impostos é um dever dos cidadãos, assim como o cumprimento das leis justas do Estado. Ao mesmo tempo, é necessário afirmar o primado de Deus na vida humana e na história, respeitando o direito de Deus ao que lhe pertence”, referiu Francisco.

 

4. O Papa assinalou, a 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação, com uma mensagem em vídeo dirigida à FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que assinalou 75 anos, na qual denuncia a “tragédia” da fome, considerando que esta é uma “vergonha” para a humanidade. “Para a humanidade, a fome não é só uma tragédia, mas também uma vergonha. Em grande parte, é provocada por uma distribuição desigual dos frutos da terra, à qual se somam a falta de investimentos no setor agrícola, as consequências das mudanças climáticas e o aumento dos conflitos em várias regiões do planeta. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos”, indica a intervenção.

O Papa alerta para o impacto da pandemia nas populações mais desprotegidas e retoma uma sugestão avançada na sua nova encíclica, ‘Fratelli tutti’, a criação de um “Fundo mundial” para eliminar definitivamente a fome, encaminhando para esse fim o dinheiro atualmente usado em armas e outras despesas militares.

 

5. O Papa alertou para uma catástrofe educativa. “Segundo alguns dados recentes de agências internacionais, fala-se de «catástrofe educativa» – é talvez forte a expressão, mas fala-se de «catástrofe educativa» –, pois cerca de dez milhões de crianças poderiam ser obrigadas a abandonar a escola por causa da crise económica gerada pelo coronavírus, agravando uma disparidade educativa já alarmante (com mais de 250 milhões de crianças, em idade escolar, excluídas de toda e qualquer atividade formativa)”, referiu Francisco, numa mensagem em vídeo ao encontro organizado pela Congregação para a Educação Católica, ‘Global Compact on Education. Together to look beyond’. O Papa desafia todos a aderirem “a um pacto educativo global para e com as gerações jovens, que empenhe as famílias, as comunidades, as escolas e universidades, as instituições, as religiões, os governantes, a humanidade inteira na formação de pessoas maduras, sem esquecer os homens e mulheres da cultura, da ciência e do desporto, os artistas, os operadores dos meios de comunicação social”.

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