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Fundação AIS lança campanha para apoiar as Irmãs Dominicanas no Iraque
Regresso ao futuro
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Na Planície de Nínive, no Iraque, vivem-se dias entre a angústia de um passado trágico e a euforia de um tempo novo sem lágrimas nem sofrimento. Nessas terras bíblicas, os Cristãos assistiram em 2014 à ocupação das suas casas e propriedades pelos jihadistas do Daesh. Tiveram de fugir. Foi há seis anos. Parece uma eternidade. Agora, após a derrota militar dos terroristas, chegou a hora do regresso. Do regresso a casa.


É assim em Batnaya. Vai ser assim em todos os lugares, aldeias e vilas. A Fundação AIS está profundamente empenhada no apoio às famílias cristãs e a todas as comunidades religiosas para que o regresso a casa no Iraque aconteça o mais rapidamente possível. Para que isso se torne realidade, é preciso recuperar as casas, assegurar infraestruturas, água, luz, canalizações… é preciso reorganizar toda a vida local. É necessário também garantir salas de aulas para as crianças. Nenhuma família aceitará regressar se os seus filhos não tiverem uma escola à sua espera. Essa é uma missão que as Irmãs Dominicanas levam muito a sério. Em Batnaya, estas religiosas trabalham para a abertura do jardim-de-infância, uma das infraestruturas que a Igreja está a providenciar com o apoio da Fundação AIS. Além do jardim-de-infância, já existe ali um posto ambulatório para cuidados de saúde. O abastecimento de água e electricidade já está também assegurado. Faltam as crianças. Falta pouco para se escutar a agitação alegre das vozes dos mais pequenos, sinal de que a normalidade está de regresso a Batnaya, onde os católicos caldeus vivem há cerca de três séculos.

 

O dia da partida

Mas a Planície de Nínive é uma vasta região e as Irmãs Dominicanas sonham com o dia em que regressarão a todos os lugares onde já estiveram, a todos os conventos, a todas as casas. É um sonho que cresce de dia para dia. Luma Khuder e Nazek Matty, Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, assim como mais 68 religiosas, não tiveram alternativa quando, no Verão de 2014, a região foi tomada de assalto pelos homens de negro. Tiveram de fugir. Tiveram de abandonar o convento em Teleskuf. Fizeram-se à estrada. Quando olharam pela última vez para o convento de Nossa Senhora do Rosário não conseguiram esconder as lágrimas. Estavam a partir. Mas hoje, é com uma alegria indisfarçada que falam já no regresso a casa depois de terem vivido como refugiadas em Erbil.

 

Anjos da guarda

Os tempos em que as irmãs foram refugiadas entre refugiados em Erbil vão ficar para sempre impressos nas suas memórias. Foram anos de tormento, mas as irmãs nunca tiveram descanso. À sua volta estavam centenas e centenas de pessoas, famílias destroçadas, homens e mulheres completamente perdidos. As irmãs transformaram-se, naqueles dias cinzentos de 2014, em verdadeiros anjos da guarda. “Em 2014, assim que chegámos a Erbil, recorda a Irmã Luma, começámos a distribuir alimentos, leite e fraldas.” Era preciso atender todos e cada um daqueles refugiados. Era preciso estar à altura do drama que se estava a viver por ali. Os jihadistas expulsaram as irmãs do convento em Teleskuf. E elas responderam criando vários conventos em Erbil… Esses conventos improvisados tornaram-se no sinal do afecto da Igreja perante todos os desalojados que ali desaguavam depois de terem sido expulsos de suas casas, das suas aldeias, dos lugares onde sempre viveram.

 

Já falta pouco…

Os “Conventos de Emergência”, como ficaram conhecidos, são um verdadeiro monumento à solidariedade que se improvisou às vezes quase do nada naqueles meses de sobressalto. Chegavam migalhas de ajuda dos quatro cantos do mundo que ali se transformavam em pão e vida. No desterro em que se encontravam os cristãos fugidos da Planície de Nínive, as irmãs dominicanas foram, na sua infinita bondade, um sinal do Céu de que o mal não triunfará. “Em 2015, logo que os deslocados foram colocados em alojamentos mais permanentes, abrimos duas escolas, uma em Ankawa, situada no norte de Erbil, outra em Dohuk. Há 600 crianças na escola de Erbil, com idades compreendidas entre os 6 e os 13 anos. Também abrimos um infantário que recebe 392 crianças. Esses centros são financiados pela Fundação AIS”, recorda a Irmã Luma. Agora, estas mulheres que decidiram entregar as suas vidas a Deus estão prontas para regressar a casa. A Fundação AIS está envolvida nesse projecto extraordinário de levar os Cristãos de volta para a Planície de Nínive. Com a solidariedade dos benfeitores da AIS em Portugal e em todo o mundo, já falta pouco para esse dia acontecer. Será o regresso ao futuro dos Cristãos às terras bíblicas

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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