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“Todos devemos fazer muito mais pela dignidade de cada mulher”
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O Papa Francisco lembrou o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Na semana em que recordou que “a Igreja não é um mercado, nem um partido eclesial”, o Papa dirigiu-se a doentes de covid-19 e sublinhou que “seremos julgados pelo amor”. O Vaticano apelou a melhores “condições de vida e de trabalho dos pescadores”.

 

1. O Papa Francisco escreveu, esta quarta-feira, 25 de novembro, na sua conta do Twitter, que “demasiadas vezes, as mulheres são ofendidas, violadas, induzidas a prostituir-se” e concluiu que, “se queremos um mundo melhor, que seja casa de paz e não campo de batalha, todos devemos fazer muito mais pela dignidade de cada mulher”.

A mensagem surge no contexto do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que foi consagrado pela ONU, em 1999, como alerta sobre os casos de violência contra as mulheres, nomeadamente de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e psicológicos.

 

2. “É Deus quem faz a Igreja, não o clamor das obras”, disse o Papa Francisco, na habitual catequese das quartas-feiras, transmitida a partir biblioteca do Palácio Apostólico. “A Igreja não é um mercado; a Igreja não é um grupo de empresários que avança com um novo empreendimento. A Igreja é obra do Espírito Santo, que Jesus nos enviou para nos reunir”, referiu Francisco.

Na audiência-geral, para explicar as quatro coordenadas fundamentais que definem a Igreja – pregação, eucaristia, comunidade e oração –, o Papa denunciou certos desvios dentro da própria Igreja. “Às vezes, sinto uma grande tristeza ao ver alguma comunidade que tem boa vontade, mas segue o caminho errado, porque pensa que está a fazer a Igreja em reuniões, como se fosse um partido político, com maiorias, minorias, o que pensam disto, daquilo, como se fosse um caminho sinodal que se deve percorrer”, salientou. “Mas eu pergunto: onde está o Espírito Santo? Onde está a oração? Onde está o amor da comunidade? Onde está a eucaristia? Sem estas quatro coordenadas, a Igreja torna-se uma sociedade humana, um partido político, com maiorias e minorias, em que as mudanças são feitas como se fosse uma empresa... Mas não há Espírito Santo”, acrescentou o Papa.

Preocupado com estas derivas, Francisco denunciou ainda que “se falta o Espírito, seremos uma bela associação humanitária, uma instituição de caridade ou até mesmo um partido eclesial, mas não há Igreja”. “É por isso que a Igreja não pode crescer. Ela não cresce por proselitismo, como qualquer empresa, cresce por atração. E quem a move por atração é o Espírito Santo”, observou. “Nunca esqueçamos estas palavras de Bento XVI: ‘A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração’. Se falta o Espírito Santo, que é quem atrai para Jesus, a Igreja não existe. Poderá ser um clube de amigos, cheio de boas intenções, mas não é Igreja, não há sinodalidade”, concluiu Francisco.

Nas saudações finais em várias línguas, o Papa convidou a entrar no Advento “acompanhados pela Mãe de Jesus, nestes tempos difíceis para muitos”, desejando que, a caminho do Natal, “saibamos reencontrar a grande esperança e alegria que nos são oferecidas na vinda do Filho de Deus”.

 

3. O Papa dirigiu-se aos doentes de covid-19, a partir da sua experiência pessoal com dificuldade respiratória, num novo livro intitulado ‘Vamos sonhar juntos’, escrito com o jornalista Austen Ivereigh, seu biógrafo. “Quando, aos 21 anos, fiquei gravemente doente, tive a minha primeira experiência do limite, da dor e da solidão. Mudou as minhas coordenadas. Durante meses não sabia como seria, se ia morrer ou sobreviveria”, relata Francisco, a respeito do internamento em Buenos Aires, no ano de 1957. Depois de meses “entre a vida e a morte”, Jorge Mario Bergoglio acabaria por sobreviver, mas viu ser-lhe retirado o lóbulo superior do pulmão direito. “Sei por experiência pessoal como se sentem os doentes do coronavírus, que lutam para respirar, ligados a um ventilador”, escreve o Papa.

Francisco presta homenagem a duas enfermeiras que o acompanharam nesse momento de doença e que considera terem sido responsáveis pela sua sobrevivência, pela sua competência técnica e atenção humana. O relato destaca ainda o impacto do “silêncio” no momento de sofrimento, em vez de palavras “vazias, ditas com boas intenções”.

 

4. Na recitação do Angelus, que contou com a participação da delegação portuguesa que recebeu os símbolos da Jornada Mundial da Juventude, o Papa refletiu sobre a figura de Cristo, “Rei Pastor” que se identifica “com as ovelhas perdidas”, ou seja, “com os irmãos mais pequenos e mais necessitados”. “Assim indica o critério de julgamento: ele será feito com base no amor concreto dado ou negado a estas pessoas, porque ele mesmo, o juiz, está presente em cada uma delas. Seremos julgados pelo amor. O juízo será sobre o amor. Não sobre os sentimentos, não: seremos julgados pelas obras, a compaixão que se torna proximidade e ajuda atenciosa”, apontou Francisco, no Domingo de Cristo Rei, 22 de novembro.

O Papa convidou ainda a uma atenção particular pelas famílias afetadas pela pandemia e que vivem momentos de “dificuldade”. “Às vezes, têm um pouco de vergonha e não o fazem saber. Sede vós a procurar onde há necessidade, onde está Jesus, na necessidade. Fazei isto”, apelou.

 

5. O prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral alertou para as dificuldades que enfrentam os pescadores em todo o mundo, em consequência da covid-19. Na mensagem que assinala o Dia Mundial da Pesca (21 de novembro), o cardeal Peter Turkson referiu que “o caminho para a proteção integral dos direitos humanos e de trabalho de todas as categorias de pescadores ainda é longo e tortuoso”, e pede um maior empenho por parte dos governos na busca de soluções. “Mais uma vez, levantamos as nossas vozes para apelar a um esforço renovado das organizações internacionais e governos para fortalecerem o seu compromisso com vista à adoção de legislação para melhorar as condições de vida e de trabalho dos pescadores e suas famílias e para fortalecerem a luta contra o trabalho forçado e o tráfico de pessoas”, escreveu.

O cardeal ganês, que é também presidente da Comissão do Vaticano para a Covid-19, considera que as “condições de trabalho dos pescadores e a sua segurança no mar foram afetadas pelo encerramento dos portos de pesca devido à pandemia e à impossibilidade de mudança de tripulação”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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