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“A oração abre fendas de luz nas trevas mais escuras”
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O Papa Francisco convidou a “não ter vergonha de pedir a Deus”, que “ouve e responde sempre”. Na semana em que, afinal, cumpriu a tradição e entregou flores à Imaculada Conceição, o Papa convocou o Ano de São José, viu confirmada a sua primeira visita ao estrangeiro em 2021, garantiu que “não há pandemia nem crise que apague o Natal” e valorizou “a grande riqueza das pessoas com deficiência”.

 

1. O Papa Francisco incentivou a pedir ajuda a Deus. “Todos nós experimentamos, num momento ou outro da nossa existência, o tempo da melancolia, da solidão. Às vezes, parece que tudo desmorona, que a vida vivida até agora tenha sido em vão. Nestas situações, aparentemente sem solução, existe uma única saída: o grito, a oração: ‘Ajudai-me, Senhor!’. A oração abre fendas de luz nas trevas mais escuras”, garantiu, na catequese da audiência-geral de quarta-feira, 9 de dezembro. O Papa referiu ainda que “muitos têm vergonha de pedir”, mas indicou que a atitude deve ser outra. “Não devemos ter vergonha de pedir a Deus. É como um grito do coração que dirigimos ao Pai”, disse.

Francisco recordou que “a oração de súplica caminha de mãos dadas com a aceitação do nosso limite”, e garantiu que “Deus ouve e responde sempre, mas é preciso aguentar e ter paciência”. “Deus escuta o clamor de quem o invoca. Até mesmo as nossas perguntas gaguejadas, mesmo aquelas que permanecem no fundo do coração. O Pai quer-nos dar o seu Espírito, que anima cada oração e transforma todas as coisas. É uma questão de paciência, de aguentar a espera”, explicou.

 

2. O Papa Francisco cumpriu a tradição e foi, na manhã de dia 8 de dezembro, colocar um ramo de flores junto à imagem da Imaculada Conceição, em plena Praça da Espanha, no centro de Roma. A habitual deslocação papal ao coração comercial da cidade durante a tarde tinha sido cancelada, para evitar ajuntamentos de fiéis e riscos de contágio de covid-19. No entanto, Francisco foi, de forma discreta, cumprir a tradição. “Às 7 horas desta manhã (hora italiana), na solenidade da Imaculada Conceição, o Santo Padre foi à Piazza di Spagna para um ato de veneração particular a Maria Imaculada”, lê-se num comunicado do Vaticano. “À primeira claridade da madrugada e debaixo de chuva, colocou um ramo de rosas brancas na base da coluna onde se encontra a estátua de Nossa Senhora e dirigiu-se a ela em oração, para que velasse com amor sobre Roma e os seus habitantes, confiando-lhe todos os que, nesta cidade e no mundo, se afligem pela doença e pelo desânimo”, adianta a mesma nota. A Santa Sé informa ainda que, pelas 7h15, “o Papa Francisco deixou a Piazza di Spagna e chegou a Santa Maria Maggiore, onde rezou em frente ao ícone de Maria ‘Salus Popoli Romani’ e celebrou a Missa na Capela da Natividade”, tendo depois voltado para o Vaticano.

Mais tarde, no final da oração do Angelus, dedicada à Imaculada Conceição, o Papa sublinhou que, apesar de, nessa tarde, ter sido cancelada a tradicional homenagem à Virgem Maria, na Praça de Espanha, “isto não nos impede de oferecer à nossa Mãe as flores que Ela mais aprecia: a oração, a penitência, o coração aberto à graça”.

 

3. O Papa convocou o Ano de São José – que decorre até 8 de dezembro de 2021 –, com a Carta Apostólica ‘Patris corde’ (‘Com coração de Pai’), publicada por ocasião dos 150 anos da declaração de São José como Padroeiro da Igreja Universal. “Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo”, escreve Francisco, que faz uma reflexão sobre o seu “santo preferido”, uma “figura extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós”. “Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade”, refere.

Publicada devido à situação de emergência causada pela pandemia, a Carta Apostólica inclui sete pontos de reflexão sobre a atualidade do exemplo de São José, valoriza a sua “coragem criativa, que o leva a transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”, e termina com um testemunho do próprio Francisco, sobre a confiança que deposita diariamente na intercessão deste santo.

 

4. O Papa visita o Iraque em março, numa deslocação que inclui passagens por Bagdad, planície de Ur, Erbil, Mossul e Qaraqosh, na planície de Nínive. O anúncio feito pelo Patriarcado dos Caldeus e confirmado pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. “Aceitando o convite da República do Iraque e da Igreja Católica local, o Papa Francisco fará uma Viagem Apostólica ao referido país, de 5 a 8 de março de 2021”, anunciou Matteo Bruni. Após 15 meses de pausa devido à pandemia, Francisco retoma assim as suas peregrinações internacionais.

 

5. O Papa pediu atenção aos mais necessitados, para que a luz do Natal não se extinga. No final do Angelus, a propósito da árvore de Natal já colocada na Praça de Pedro – este ano proveniente da Eslovénia – e do presépio ainda em construção, Francisco valorizou esta tradição cristã que diz muito a crianças e adultos, como “sinais de esperança, especialmente neste tempo difícil”. “Façamos de modo a não ficarmos pelo sinal, mas a avançar para o significado, ou seja, até Jesus, ao amor de Deus que Ele nos revelou. Avançar até à bondade infinita que fez resplender sobre o mundo. Não há pandemia, não há crise que possa apagar esta luz. Deixemo-la entrar no nosso coração. Estendamos a mão a quem mais precisa e, assim, Deus nascerá novamente em nós e no meio de nós”, assegurou.

 

6. O Papa manifestou “proximidade a quantos atravessam situações particularmente difíceis nesta crise pandémica” e recorda que “estamos todos no mesmo barco, no meio dum mar agitado que nos pode atemorizar; mas, neste barco, há alguns, como as pessoas com deficiências graves, que têm de lutar mais”. Numa mensagem para Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (3 de dezembro), Francisco alertou para “a ameaça da cultura do descarte”, que “afeta sobretudo as categorias mais frágeis, entre as quais se contam as pessoas com deficiência”, e denuncia que, apesar da crescente sensibilização para a dignidade de cada um, ainda persistem “atitudes de rejeição”.

O Papa recordou “o direito de as pessoas com deficiência a receberem os Sacramentos como todos os outros membros da Igreja” e não duvida que “a participação ativa na catequese das pessoas com deficiência constitui uma grande riqueza para a vida de toda a paróquia”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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