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“Pensemos no Natal da Virgem Maria e de São José: não foram rosas nem flores!”
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O Papa Francisco recordou que o Natal verdadeiro é “o nascimento de Jesus Cristo”. Nesta semana, o Papa disse não querer cristãos com “cara de velório”, defendeu “uma cultura do cuidado da criação”, referiu que “no presépio, tudo fala de ‘boa’ pobreza” e deixou um novo apelo sobre a crise na Síria, Iraque e países vizinhos.

 

1. Em contexto de pandemia, o Papa lembrou que, aquando do nascimento de Jesus, também Maria e José viveram grandes dificuldades. Um exemplo evocado por Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 16 de dezembro, para apelar à vivência de um Natal verdadeiro, apesar das restrições. O Natal verdadeiro é “o nascimento de Jesus Cristo” e se, neste ano, “nos aguardam restrições e inconvenientes, pensemos no Natal da Virgem Maria e de São José: não foram rosas nem flores! Quantas dificuldades e preocupações!”. No final do encontro na biblioteca do Palácio Apostólico, o Papa apontou Maria e José como modelo para todos, porque se guiaram e apoiaram na “fé, esperança e amor”, desejando que seja assim também connosco.

Francisco prosseguiu, nesta catequese, as suas reflexões sobre a importância da oração. Rezar “não significa fugir da realidade”, pois “quem reza nunca deixa o mundo para trás. Se a oração não recolhe as alegrias e tristezas, as esperanças e angústias da humanidade, torna-se uma atividade “decorativa” e intimista”, diz o Papa. Na verdadeira oração, reza-se “por todos e por cada pessoa: é como se o cristão fosse a ‘antena’ de Deus neste mundo. Em cada pobre que bate à porta, em cada pessoa que perdeu o sentido das coisas, aquele que reza vê o rosto de Cristo”. E conclui: “Somos todos folhas da mesma árvore: cada desprendimento lembra-nos a grande piedade que devemos nutrir, na oração, uns pelos outros”.

 

2. Na oração do Angelus de Domingo, 13 de dezembro, em que a liturgia do Advento convida a Igreja a refletir na alegria, o Papa Francisco considerou uma contradição haver cristãos tristes. E contou um episódio para reforçar o tema: “Uma vez, um filósofo, disse-me algo assim: ‘Não percebo como se pode crer hoje, porque os que dizem ter fé, têm uma cara de velório, não dão testemunho da alegria da ressurreição de Jesus Cristo’”. Francisco lamentou haver “tantos cristãos com essa cara, assim… cara de velório, cara de tristeza”. O Papa sublinhou que “ter alegria é orientar-se para Jesus”. E acrescentou: “Cristo ressuscitou, Cristo ama-te e tu não tens alegria?! Pensemos nisto: a alegria é orientar-se para Jesus. A alegria deve ser a característica da nossa fé. E mesmo nos momentos sombrios, é ter a alegria interior de saber que o Senhor está comigo, que o Senhor está connosco, que o Senhor ressuscitou. O Senhor é o centro da nossa vida, é o centro da nossa alegria!”.

A propósito do Evangelho daquele Domingo, o Papa falou exemplo de João Batista que se descentrou de si próprio e apontou sempre para Jesus. Por isso, “Batista é modelo para os que, na Igreja, são chamados a anunciar Cristo aos outros: só o podem fazer afastando-se de si próprios e da mundanidade, não atraindo as pessoas a si, mas orientando-as para Jesus”.

 

3. O Papa Francisco participou, de forma virtual, na Cimeira para Ambição Climática, organizada online, no dia 12 de dezembro, para assinalar o quinto aniversário do Acordo de Paris. O evento, promovido pela França, Reino Unido e a ONU, em colaboração do Chile e da Itália, juntou os Estados signatários, convidados a apresentar planos ambientais atualizados face ao aquecimento global. Na mensagem vídeo, o Papa afirmou que a atual pandemia e as mudanças climáticas têm um significado “não apenas ambiental, mas ético, social, económico e político”, que afetam, “acima de tudo, a vida dos mais pobres e frágeis”. Por essa razão, Francisco considera urgente promover “uma cultura do cuidado da criação”, através de “um compromisso coletivo e solidário, uma cultura do cuidado que coloque ao centro a dignidade humana e o bem comum”.

Para o Papa, há medidas “que não podem mais ser adiadas” e aposta numa “estratégia que reduza as emissões líquidas a zero (net-zero emission)”. “Chegou a hora de uma mudança de rumo. Não roubemos das novas gerações de esperança um futuro melhor”, concluiu.

 

4. O Papa considera que a celebração do Natal é, este ano, um “sinal de esperança” em tempos de pandemia. “Mesmo neste Natal, no meio dos sofrimentos da pandemia, Jesus, pequeno e indefeso, é o ‘sinal’ que Deus dá ao mundo”, referiu Francisco, no dia 11 de dezembro, ao receber no Palácio Apostólico as delegações de Castelli de Abruzzo (Itália) e do município de Kocevje, no sudeste da Eslovénia, para a entrega da árvore de Natal e do presépio instalados na Praça de São Pedro. Francisco agradeceu a oferta. “Nunca como este ano, são um sinal de esperança para os romanos e para os peregrinos que terão a oportunidade de os vir admirar”, assinalou, convidando a “viver com fé o mistério do nascimento do Redentor”, imitando a simplicidade das figuras que o acompanharam. “No presépio, tudo fala de ‘boa’ pobreza, pobreza evangélica, que nos torna bem-aventurados: contemplando a Sagrada Família e as várias personagens, somos atraídos pela sua humildade desarmante”, observou.

 

5. A Santa Sé promoveu, no dia 10 de dezembro, um encontro online sobre uma das crises humanitárias mais graves das últimas décadas que afetam, sobretudo, as populações da Síria, Iraque e países vizinhos. Numa mensagem vídeo dirigida aos participantes, o Papa Francisco valorizou a ação das organizações católicas naquela região e fez um novo um apelo à comunidade internacional sobre a situação dos deslocados e refugiados. “Todo o esforço – grande ou pequeno – feito para promover o processo de paz é como colocar um tijolo na construção de uma sociedade justa, que se abra ao acolhimento, e onde todos possam encontrar um lugar para morar em paz”, diz Francisco, que não esquece os milhões de deslocados internos que “tiveram que deixar as próprias casas para escapar dos horrores da guerra, em busca de melhores condições de vida para si e para os próprios familiares”.

O Papa recordou, particularmente, “os cristãos forçados a abandonar os lugares onde nasceram e cresceram, onde a fé foi desenvolvida e enriquecida”, e considerou urgente “garantir que a presença cristã, nestas terras, continue a ser o que sempre foi: um sinal de paz, de progresso, de desenvolvimento e de reconciliação entre as pessoas e os povos”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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