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“Não deixemos que o cansaço, as quedas e os fracassos nos precipitem no desânimo”
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Para Francisco, é preciso levantar os olhos. O Papa abriu 2021 com um apelo à fraternidade, lembrou que “a paz não é apenas ausência de guerra” e convocou um ano especial dedicado à família. Nas celebrações de Natal, apelou a vacinas covid-19 para todos.

 

1. Para o Papa Francisco, é preciso levantar os olhos “para não se deixar enredar pelos fantasmas interiores nem fazer dos problemas e dificuldades o centro da própria existência”. Durante a homilia da Missa da Epifania, que celebrou na Basílica de São Pedro, a 6 de janeiro, o apelo foi para que “não deixemos que o cansaço, as quedas e os fracassos nos precipitem no desânimo; antes pelo contrário, reconhecendo-os com humildade, devemos fazer deles ocasião de progredir para o Senhor Jesus”. “Como os Magos, também nós devemos deixar-nos instruir pelo caminho da vida, marcado pelas dificuldades inevitáveis da viagem”, disse o Papa.

A partir do exemplo dos Reis Magos, Francisco sublinhou que “a vida não é uma demonstração de habilidades, mas uma viagem rumo Àquele que nos ama”. Por isso, “não devemos mostrar o passe das nossas virtudes, mas, com humildade, avançar para o Senhor com tudo o que somos. Olhando para Ele, encontraremos a força para continuar com renovada alegria”.

Na oração do Angelus, neste dia, o Papa Francisco sublinhou que Jesus nasceu “não só para alguns, mas para todos os homens, para todos os povos”. E que a sua luz não se espalha por toda a terra “através dos meios poderosos dos impérios deste mundo, que procuram sempre apoderar-se do domínio sobre ele”, mas sim “através da proclamação do Evangelho” e com o mesmo “método” escolhido por Deus para estar meio de nós: a encarnação.

 

2. O primeiro ‘O Vídeo do Papa’ de 2021 enfoca a fraternidade humana. Francisco exorta as pessoas de diferentes religiões, culturas, tradições e crenças a voltarem ao essencial: o amor ao próximo. “Não há alternativa: ou construímos o futuro juntos ou não haverá futuro. As religiões, em particular, não podem renunciar à tarefa urgente de construir pontes entre povos e culturas”, sublinhou. O caminho rumo à fraternidade que ‘O Vídeo do Papa’ propõe parte de uma abertura “ao Pai de todos” e de “ver no outro um irmão, uma irmã”. Na procura desse espírito de fraternidade, Francisco convida a não esquecer que, para os cristãos, “a fonte da dignidade humana e da fraternidade está no Evangelho de Jesus Cristo”. Nesse sentido, pede aos fiéis que voltem ao essencial da fé: “A adoração a Deus e o amor ao próximo”.

 

3. Na oração do Angelus na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, o Papa reforçou que “a paz não é apenas ausência de guerra”. “A paz pode-se construir se começarmos a estar em paz connosco, por dentro e com aqueles que nos rodeiam, removendo os obstáculos que nos impedem de cuidar dos necessitados e indigentes. Trata-se de desenvolver uma mentalidade e uma cultura do ‘cuidado’, para vencer a indiferença, a rejeição e a rivalidade, que infelizmente prevalecem”, salientou Francisco, a 1 de janeiro, na Biblioteca do Palácio Apostólico.

Neste dia, o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, tinha presidido à Missa, na Basílica de São Pedro, e leu a homilia preparada pelo Santo Padre para a celebração, uma vez que Francisco cancelou a sua presença devido a um ataque de ciática. O Papa considerou urgente “educar o coração para o cuidado, para cuidar das pessoas e das coisas”, e sublinhou que de “pouco aproveita conhecer muitas pessoas e muitas coisas, se não cuidarmos delas”. E concluiu: “Com efeito, além da vacina para o corpo, é necessária a vacina para o coração: é o cuidado. Será um bom ano se cuidarmos dos outros, como Nossa Senhora faz connosco”.

Entre as preocupações do Papa para este ano está a poluição, não só do ambiente, mas do coração: “O mundo está gravemente poluído pelo dizer mal e pensar mal dos outros, da sociedade, de nós mesmos. De facto, a maledicência corrompe, faz degenerar tudo, enquanto a bênção regenera, dá força para recomeçar. Peçamos à Mãe de Deus a graça de sermos jubilosos portadores da bênção de Deus para os outros, como Ela o é para nós”.

 

4. O Papa convocou um ano especial dedicado à família e confiou-o a São José. A iniciativa foi anunciada no Angelus de 27 de dezembro, Domingo da Sagrada Família, e destina-se a “continuar o caminho sinodal” que levou à publicação da exortação ‘Amoris laetitia’. Este ano terá início a 19 de março e termina com a celebração do 10.º Encontro Mundial das Famílias, programado para Roma, em junho de 2022. O Papa confiou “à Sagrada Família de Nazaré, em particular a São José, esposo e pai solícito, este caminho com as famílias de todo o mundo” e pediu “que a Virgem Maria, faça com que todas as famílias fiquem cada vez mais fascinadas pelo ideal evangélico da Sagrada Família, para se tornarem fermento de nova humanidade e de uma solidariedade concreta e universal”.

 

5. O Papa pediu vacinas contra a covid-19 para todos, neste momento histórico “marcado pela crise ecológica e por graves desequilíbrios económicos e sociais, agravados pela pandemia do coronavírus”. No habitual discurso que antecede a Bênção ‘Urbi et Orbi’, no dia de Natal, desta vez transmitida apenas por via digital, Francisco apelou ao reforço da fraternidade entre todos, não apenas “feita de palavras bonitas, ideais abstratos, vagos sentimentos... mas uma fraternidade baseada no amor real, capaz de encontrar o outro diferente de mim, de compadecer-me dos seus sofrimentos, aproximar-me e cuidar dele mesmo que não seja da minha família, da minha etnia, da minha religião”. Apesar de tantas incertezas devido à pandemia, “surgem novas luzes de esperança, como a descoberta das vacinas”. “Mas para que estas luzes possam iluminar e levar esperança ao mundo inteiro, têm de estar à disposição de todos”, afirmou, na manhã do dia 25 de dezembro.

Olhando para o exemplo de amor do presépio, com Jesus, Maria e José, o Papa pensa “de modo especial nas famílias que hoje não se podem reunir, como também naquelas que são obrigadas a permanecer em casa”. “E, para todos, seja o Natal a ocasião propícia para redescobrirem a família como berço de vida e de fé, lugar de amor acolhedor, de diálogo, perdão, solidariedade fraterna e alegria partilhada, fonte de paz para toda a humanidade”, concluiu Francisco.

Na Missa do Galo, celebrada na véspera de Natal, o Papa disse que Jesus nasceu numa situação de pobreza extrema para se poder identificar com toda a humanidade.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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