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“Promover um mundo sem armas nucleares”
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O Papa Francisco encorajou ao fim das armas nucleares. Na semana em que a pandemia obrigou a cancelar o retiro espiritual do Papa, o Vaticano vacinou o primeiro grupo de pessoas sem-abrigo, o Santo Padre apelou à unidade dos cristãos e solidarizou-se com as vítimas do sismo na Indonésia.

 

1. O Papa reforçou, na audiência-geral de quarta-feira, os apelos à paz e à cooperação multilateral para o fim do armamento nuclear. No final da habitual catequese, no dia 20 de janeiro, Francisco assinalou a entrada em vigor, dois dias depois, na sexta-feira, dia 22, do Tratado da Proibição das Armas Nucleares, assinado em 2017 e ratificado por 50 Estados, incluindo o Vaticano. “Trata-se do primeiro instrumento internacional juridicamente vinculativo que proíbe explicitamente estas armas, cuja utilização tem um impacto indiscriminado e que atinge rapidamente uma enorme quantidade de pessoas, causando danos no ambiente de longa duração”, afirmou o Papa, autor da encíclica Laudato si’. Francisco encorajou, por isso, todos os Estados e todas a pessoas “a trabalhar com determinação para promover as condições necessárias para um mundo sem armas nucleares” e a contribuir “para o avanço da paz e construção da cooperação multilateral, da qual a humanidade hoje tanto precisa”.

São nove os países que hoje detêm armas nucleares: Estados Unidos da América, Rússia, Reino Unido, França, China (os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU), Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia têm armas nucleares dos EUA no seu território e dezenas de países, como Portugal, pertencem a alianças militares com capacidade e ‘vocação’ nuclear, como a NATO.

Na catequese, o Papa centrou-se na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. “De facto, a semana de 18 a 25 de janeiro é dedicada em particular a isto, a invocar de Deus o dom da unidade a fim de superar o escândalo das divisões entre os crentes em Jesus. Ele rezou ao Pai por nós, para que fôssemos um só. A cura das divisões começa pela oração a Deus pedindo a paz, a reconciliação, a unidade. Neste ponto podemos perguntar-nos se rezamos pela unidade, conscientes de que dela depende a fé no mundo. Com efeito, o Senhor pediu-nos a unidade para que o mundo creia e isto verifica-se quando testemunhamos o amor que nos une. Rezar pela unidade significa lutar por ela”, lembrou o Papa, desejando: “Que esta nossa oração seja o ponto de partida para ajudar Jesus a realizar o seu sonho de que todos sejam um”.

 

2. Os habituais Exercícios Espirituais da Cúria Romana, em que o Papa participa, previstos para o final de fevereiro, foram cancelados. Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, publicado esta quarta-feira, dia 20, refere que “considerando o atual estado permanente de emergência sanitária, este ano não será possível viver comunitariamente os Exercícios Espirituais da Cúria Romana na Casa Divino Mestre em Ariccia”. A breve nota informa ainda que “o Santo Padre convidou os Cardeais residentes em Roma, os Chefes dos Dicastérios e os Superiores da Cúria Romana a fazerem os seus próprios Exercícios Espirituais, retirando-se em oração, desde a tarde de Domingo 21 de fevereiro até sexta-feira, dia 26 de fevereiro”. Durante essa semana, “todos os compromissos do Santo Padre serão suspensos, incluindo a audiência-geral na quarta-feira, 24 de fevereiro”.

 

3. Foi vacinado contra a covid-19 o primeiro grupo de pessoas sem-abrigo no Vaticano. A notícia é avançada numa nota da Sala de Imprensa, no dia 20 de janeiro, segundo a qual a vacinação ocorreu “no átrio da Aula Paulo VI, no decurso do plano de vacinação do Estado da Cidade do Vaticano”. A primeira dose da vacina contra o novo coronavírus foi administrada a um grupo de 25 pessoas. “Outros grupos se seguirão nos próximos dias", refere o comunicado do diretor da Sala de Imprensa, Matteo Bruni. O mesmo documento informa que estas pessoas estão a ser assistidas nas estruturas de apoio e residência dos serviços de Caridade e Esmola da Santa Sé.

Entretanto, o Papa Francisco enviou uma mensagem-vídeo aos bispos e sacerdotes da Venezuela, reunidos num encontro pastoral de dois dias dedicado ao papel dos sacerdotes durante a pandemia, convidando “a continuar a trabalhar com alegria e determinação na vossa ação pastoral, para renovarem o dom de si ao Senhor e ao seu povo santo”. O Papa agradece, sobretudo, “o testemunho de amor e de serviço aos irmãos e irmãs venezuelanos, manifestado na vossa atenção aos doentes, a quem levaram a força da palavra de Deus e a Eucaristia; manifestada no acompanhamento ao pessoal médico, paramédicos e voluntários que auxiliam os doentes nesta pandemia”. O Santo Padre agradece ainda, com especial veemência, a sua “diligência para ajudar os pobres e excluídos, e por aqueles que não têm o necessário para sobreviver e progredir com dignidade”.

 

4. A propósito da Semana pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro), o Papa pediu que todos rezem juntos, durante estes dias, “para que se cumpra o desejo de Jesus, que todos sejamos uma só coisa: a unidade, que é sempre superior ao conflito”, referiu Francisco, no passado Domingo, 17 de janeiro. Na reflexão que antecedeu a oração do Angelus, o Papa falou sobre o chamamento de Deus, que pode assumir formas diferentes, mas “que é sempre um projeto de amor”. E acrescentou que “a maior alegria para cada crente é responder a este apelo, oferecer-se totalmente ao serviço de Deus e dos seus irmãos”.

Francisco manifestou ainda a sua proximidade pelas vítimas do terramoto e pelo acidente aéreo que, em dias diferentes atingiram a Indonésia. “Rezo pelos defuntos, pelos feridos e por todos os que perderam casa e trabalho. Que o Senhor os console e apoie os esforços dos que se empenham em levar socorro”, afirmou.

 

5. O Papa Francisco enviou, no dia 15 de janeiro, uma mensagem de solidariedade às vítimas do sismo que atingiu a Indonésia na véspera. Numa nota enviada a D. Piero Pioppo, núncio apostólico no país, Francisco exprime tristeza face à “trágica perda de vidas” e envia uma mensagem de “sincera solidariedade a todos os afetados” pelo terramoto. O Papa reza, ainda, pelos mortos e feridos e deixa uma palavra de incentivo às autoridades civis e a todos os envolvidos “nos esforços contínuos de busca e resgate”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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