Lisboa |
Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família para o Dia dos Namorados (14 de fevereiro)
“Namoro pode e deve ser iluminador da vida toda”
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A Conferência Episcopal Portuguesa lembrou, numa mensagem para o Dia dos Namorados (14 de fevereiro), que o namoro “precisa de tempo”, e convidou os namorados, em tempo de pandemia, a “cuidar do outro como nunca fizeram, cimentar laços e fortalecer valores”.

Intitulado ‘Cuidar o Amor em tempos de pandemia’, o texto salienta que o namoro deve ser iluminador da vida toda. “Embora o namoro não seja toda a vida, ele pode e deve ser iluminador da vida toda. Precisa, para tal, de tempo suficiente para desenvolver uma linguagem que, progressivamente, saiba caldear o afeto com o respeito e os gestos de carinho com o necessário conhecimento do mundo do outro. Precisa de tempo para descobrir o tesouro por Deus escondido na pessoa que se ama e que precisa de se manifestar em toda a sua beleza. Precisa de tempo para aprender a descodificar palavras e silêncios, presenças e ausências que podem doer, para a escuta ativa e o diálogo construtivo, para a leitura, a formação e a oração. Precisa de tempo para saber pedir desculpa, perdoar e recomeçar sempre… Precisa de tempo para a poesia!”, frisa a Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família para o Dia dos Namorados.

O texto recorda que, “em pandemia, os desafios são enormes para todos, também para os namorados que não vivem numa bolha, mas rodeados de novidades, algumas perigosas, que podem colocar em risco o amor, a própria vida e a daqueles que amam”. “Nas dificuldades podem cuidar do outro como nunca fizeram, cimentar laços e fortalecer valores antes desconhecidos, ou, simplesmente, matar o amor, sempre frágil e a exigir cuidados. Oxalá consigam ter a certeza de que a pandemia é também oportunidade e consigam reencontrar o equilíbrio e a estabilidade necessária”, manifesta a nota.

“Que Maria, a ‘Mãe do Belo Amor’, proteja todos os namorados, os aconchegue com carinho no seu regaço e os faça especialistas na criatividade do amor. Para seu bem e bem da família, a presente e a futura!”, deseja a mensagem da CEP.

 

Testemunhos de namorados

No início da mensagem, a Comissão Episcopal do Laicado e Família salienta que “falar de namoro é tão vago quanto difícil” e que se corre “o risco de palavras sem destinatário”. Neste sentido, “nada como deixar falar corações jovens, convictos de que o amor tudo vence e supera”, e por isso foram publicados os testemunhos de dois pares de namorados, os casais ‘T&N’ e ‘M&H’, para dizerem “se há espaço para o namoro em tempo de afastamento social, ou se também ele ficou confinado”.

- Casal ‘T&N’:

“Ainda me lembro como se o estivesse a viver agora: um aperto e uma ansiedade enormes devido a dois fatores que implicavam a nossa vida, enquanto casal de namorados: um deles era o facto de o contacto físico ficar reduzido a ocasiões muito esporádicas, o outro fator era o adiamento do dia mais importante das nossas vidas, o nosso casamento! Os amigos e familiares foram a voz de Deus que nos ajudou e tranquilizou. Agora, mais preparados, Deus dá-nos o mesmo desafio: organizar o grande dia do nosso casamento no meio da pandemia, o que ainda é mais difícil do que adiar. Temos sentido, naqueles dias em que parece que tudo corre mal, que há, ali, Alguém que nos melhora o dia. Há sempre um pedacinho de Deus em todo o lado. Ele tem estado sempre connosco! É uma mão que nos puxa, um olhar que nos observa, um ouvido que nos escuta… É um amigo que nos ajuda a unir ainda mais.”

- Casal ‘M&H’

“Sabemos que esta pandemia não será certamente a maior adversidade que teremos de enfrentar juntos. Pensando nas palavras de S. Francisco de Assis: ‘Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado… resignação para aceitar o que não pode ser mudado… e sabedoria para distinguir uma coisa da outra’, procuramos entender e aceitar o que Deus nos pede agora. Enquanto namorados – com um projeto de futuro – procuramos permanecer centrados em Deus, que nos leva a descobrir facetas sempre novas do Amor. Namorar à distância pode ser difícil, porém, sabemos que o mais importante é o Amor um pelo outro. Não podemos alterar a realidade, mas podemos escolher o modo como a vivemos. Juntos decidimos que queríamos tentar viver cada momento de forma a sermos Amor um para o outro. Para isso, procurámos ser criativos: trocar uma ida ao cinema por um episódio de uma série visto ao mesmo tempo, trocar cartas, poemas, uma fotografia com um sorriso logo pela manhã. Tudo o que gostaríamos de fazer juntos, tentar recriá-lo, sobretudo os momentos de maior valor para cada um: assistir à mesma Eucaristia online, estar presente no almoço de família ao domingo por zoom… Acima de tudo, procurar fazer o outro feliz. Sempre. Ouvirmo-nos, partilharmos as alegrias e as dores de cada dia. Acreditar que viver este Amor a dois é amar a Deus e ser imensamente amado por Ele. Porque um só é o Amor.”

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