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Igrejas no Paquistão são forçadas a rever procedimentos de segurança
Rezar à sombra de arame farpado
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Raptos, agressões, ameaças… No Paquistão, os Cristãos vivem em constante sobressalto. Grupos radicais islâmicos perseguem as minorias religiosas e por vezes recorrem a violência extrema, intimidando os mais frágeis, procurando forçá-los por todos os meios a mudar de credo. Ninguém pode dizer que está a salvo. Nenhum lugar é suficientemente seguro. Nem sequer as igrejas. Ir à Missa, no Paquistão, exige muita coragem…

 

Os atentados na última década em Quetta, Lahore ou Peshawar, com igrejas a serem palco de explosões de bombas que causaram mais de uma centena de mortos, são como que um aviso do que pode vir a acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar no país, face a uma crescente onda de intolerância para com os Cristãos e as comunidades religiosas minoritárias. A situação tem vindo a agravar-se nos últimos tempos e isso está a obrigar à transformação de igrejas e centros paroquiais em espaços fortificados. Em Janeiro de 2018, quando esteve em Portugal, a convite da Fundação AIS, D. Sebastian Shaw lamentou esta triste realidade, esta cultura da morte, esta permanente intimidação sobre os Cristãos. E falou da necessidade de as igrejas e as escolas cristãs terem de se proteger de potenciais ameaças construindo muros, colocando câmaras de vigilância, como se fossem “verdadeiras prisões”.

 

Guardas de dia e de noite

O Arcebispo de Lahore descreveu uma realidade assustadora, em que é necessário transformar templos de oração em espaços protegidos, como única forma de assegurar a tranquilidade dos fiéis. “Hoje em dia, temos de fazer muros muito altos e com arame farpado e câmaras de vigilância nas nossas igrejas e escolas. E temos de ter, também, guardas de dia e de noite. Não temos qualquer alternativa.” O Arcebispo de Lahore lembrou que “as ameaças de ataques terroristas” obrigaram até a colocar, em muitas igrejas, “detectores de metais”. Esta situação, esta ameaça permanente, tem posto também à prova a coragem desta comunidade religiosa. Não é fácil alguém ir à Missa, ir rezar a uma igreja rodeada de muros com arame farpado, ou ter de passar por uma revista à porta, como se fosse um suspeito, mas não há outra forma de prevenir eventuais ataques terroristas. “Temos de estar em alerta permanente, porque estes grupos de radicais vão e vêm, como num jogo do gato e do rato. Viver neste ambiente é muito difícil”, sustentou então, D. Sebastian Shaw.

 

Despesas demasiado elevadas

As próprias autoridades têm exigido que os responsáveis da Igreja Católica implementem medidas de segurança junto dos templos e dos centros paroquiais. O problema é que a maior parte das comunidades religiosas são muito pobres. Tão pobres que a simples construção dos “muros altos e sólidos” que o Governo reclama, ou a colocação de “câmaras de videovigilância”, são despesas demasiado elevadas, são fardos financeiros impossíveis de suportar. É o caso da Paróquia de Nossa Senhora do Loreto na Diocese de Multan. A igreja e a casa paroquial foram construídas há 60 anos por missionários dominicanos oriundos de Itália. Na altura, o terrorismo era uma ameaça irreal e por isso o terreno em volta da igreja não tem nenhum muro de protecção. Pelo contrário. A Igreja foi construída para estar de portas abertas, para ser espaço de acolhimento, de fraternidade. Mas os tempos, infelizmente, mudaram. E agora é preciso salvaguardar a segurança do templo, a segurança dos fiéis, a segurança dos que ali vão rezar todos os dias. A solução foi pedir ajuda à Fundação AIS.

 

Rezar sempre, apesar das ameaças

Tal como os responsáveis da Paróquia de Nossa Senhora do Loreto, um pouco por todo o país têm chegado pedidos de apoio para estas obras que o Governo agora exige e que as comunidades religiosas não têm como custear. É mais uma situação que está a colocar os Cristãos do Paquistão à prova. A verdade é que, domingo após domingo, apesar das ameaças, apesar de toda a violência extrema que se faz sentir, as igrejas estão sempre cheias de fiéis. É quase uma ousadia que só a fé consegue explicar. Disse D. Sebastian Shaw, num dos vários encontros em que participou nessa visita a Portugal em Janeiro de 2018, que os Cristãos do Paquistão não têm medo. Na verdade, o medo não é opção. O caminho da paz é feito muitas vezes de obstáculos, de dificuldades, de armadilhas, mas tem de ser percorrido. “Eu digo sempre às minhas comunidades ‘vocês são a luz’… Jesus disse que os Cristãos são a luz do mundo. E quando somos luz temos uma missão a desempenhar”. Uma missão que passa sempre por não ter medo e por dizer ‘não’ à violência. “As pessoas perguntam-me o que devem fazer. E eu lembro-lhes que Jesus deixou-nos o que fazer. Ele disse que são abençoados os que constroem a paz. E só quando estamos em paz é que podemos partilhar a paz”, afirmou D. Sebastian Shaw. Mesmo com muros altos, mesmo com câmaras de vigilância e arame farpado, ir à Missa, no Paquistão, exige coragem. E, todos os domingos, os Cristãos paquistaneses mostram-nos que não têm medo…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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