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Tríduo Pascal, na Sé de Lisboa
JMJ Lisboa 2023: “Um sinal magnífico da ressurreição de Cristo”
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No Domingo de Páscoa, o Cardeal-Patriarca de Lisboa apontou a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 como “um sinal magnífico da ressurreição de Cristo, oferecido pelos jovens dos cinco continentes a este mundo que a pandemia afetou”. Nas celebrações do Tríduo Pascal, na Sé de Lisboa, D. Manuel Clemente elogiou a “abnegação” de quem está na primeira linha de resposta à pandemia, e lembrou que a resposta de Deus “liga-se à que nós próprios dermos ao que nos pede em Cristo, presente em quem sofre”.

 

“Não acharemos melhor resumo do que seja a nossa vida pascal: Alcançar a Cristo, que já nos alcançou. Com a urgência que desperta e o testemunho que irradia”. Com esta síntese, o Cardeal-Patriarca de Lisboa desafiava assim os cristãos, em Domingo de Páscoa, 4 de abril, a deixarem-se ser “compreendidos” por Deus, “na medida em que nos abarca e envolve no último gesto da sua misericórdia, fazendo-nos viver a ressurreição do seu Filho”.

Na Sé Patriarcal, que abriu portas à presença dos fiéis – contrastando com a Páscoa do ano passado, em que, devido à pandemia, as celebrações da Semana Santa decorreram sem a presença de fiéis –, o Cardeal-Patriarca refletiu sobre o “movimento”, descrito no Evangelho de Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, com Maria Madalena a ir ao sepulcro e ter ido a “correr” ter com Pedro e o outro discípulo. “Tudo o que se refere a Cristo é movimento”, assegurou D. Manuel Clemente, sublinhando o tempo que se segue de preparação da Jornada Mundial da Juventude que Lisboa vai receber daqui a dois anos. “É este movimento que nos ressuscita agora, com uma pressa de alma que nada tem a ver com precipitações mundanas. Por isso o Papa Francisco me disse o que disse, a propósito da Jornada Mundial da Juventude a realizar em Lisboa: Como Maria a caminho da casa de Isabel, iremos ‘apressadamente, mas não ansiosamente’”, lembrou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, reconhecendo que “já não falta muito tempo para realizar a Jornada, com tudo o que há a fazer”. “Com as muitas ações em curso e o número crescente dos nelas envolvidos, transporta-nos aquela ‘pressa no ar’ que o seu hino vai cantando em sucessivas línguas. Mas sem precipitação, porque o Cristo que se manifestará em tão grande encontro é o mesmo que, ressuscitado, nos acompanha e impele. Assim será a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, no verão de 2023: Um sinal magnífico da ressurreição de Cristo, oferecido pelos jovens dos cinco continentes a este mundo que a pandemia afetou. O mundo que precisa de reviver a madrugada pascal”, concluiu D. Manuel Clemente, na homilia de Domingo de Páscoa, na Sé de Lisboa.

 

 

“Sinais surpreendentes”

Horas antes, na Vigília Pascal, o Cardeal-Patriarca afirmou ter recebido testemunhos de “abnegação, de pessoas que nos mais diversos setores serviram realmente os outros, no que à saúde, à companhia, ao trabalho e à sobrevivência diz respeito”, e foram, assim, sinal da presença de Cristo Ressuscitado no mundo. “Os que mais me impressionaram, também em linguagem crente, foram os que persistiram em fazê-lo, mesmo sem nada ou quase nada de seu, quanto a possibilidades e meios, técnicos ou outros. Foram pelo coração e a vida reapareceu”, salientou. “Isto mesmo sucedeu nas comunidades cristãs, quer pelo esforço e criatividade dos seus ministros, quer por múltiplas iniciativas dos crentes, por si ou associados com outros, nas organizações sociocaritativas ou criadas ‘ad hoc’ e com especial protagonismo juvenil. Partiram realmente para a Galileia dos outros, assim mesmo ‘vendo’ o Ressuscitado nos surpreendentes sinais da sua presença”, sublinhou o Cardeal-Patriarca.

Na sua intervenção, na noite de dia 3 de abril, D. Manuel Clemente partilhou ainda o testemunho de uma profissional de saúde que trabalhou “num hospital em sobrecarga e no pico da pandemia”. “Mais uma vez partiu de casa, pouco fiada nas suas forças para tão grande desafio. Relatando o que aconteceu nesse dia, transmite-nos três surpresas, quase parábolas do Ressuscitado, que assim mesmo encontrou em quem serviu: «Continuei a atender doentes e eis que um deles, um jovem com uma máscara na cara, ao despedir-se de mim, diz: ‘Nos tempos que correm, não posso deixar de agradecer a sua amabilidade, a total disponibilidade com que me atendeu. Sabe, não está a ver, mas estou a sorrir para si’ […] Logo a seguir, atendo uma senhora com oitenta anos. Tinha vindo sozinha porque não tinha ninguém com ela. Ao sair, vira-se para mim e diz: ‘Vou rezar por si. Deus a proteja e guarde. Rezo por todos, mas agora especialmente por si, para que mantenha essa calma que consegue transmitir’. Passado pouco tempo, surge uma jovem com uma máscara amarela onde estava desenhado um enorme sorriso vermelho. Ao dar de caras com ela, assustei-me. Ela reparou e disse: ‘Não se assuste. Este sorriso é para si’»”, contou. “Não nos pareçam coisas pequenas, indistintas quase. São, isso sim, manifestação segura da realidade pascal. Estou certo de que este ano difícil evidenciou muitas ‘visões’ do Ressuscitado, a quem esteve atento aos outros e através deles experimentou a sua presença viva e vivificante”, garantiu o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

 

 

“Verdade com que nos atrai e abrange”

Na Sexta-feira Santa, 2 de abril, no dia em que os cristãos são convidados a adorar a Cruz do Senhor, D. Manuel Clemente apontou a crucifixão de Jesus, que teve “tudo para ser rapidamente esquecida”, como um acontecimento que se impôs. “Não passaram muitos anos até Paulo exclamar que toda a sua glória estava ali, definindo-se a si mesmo com a cruz: ‘Quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo’”, observou o Cardeal-Patriarca, deixando o alerta para que este acontecimento “não nos pareça pouco, ou uma referência ocasional”. “Atendido, porque venceu a morte; mas não dispensado de a sofrer assim, para nos acompanhar e salvar na cruz da vida, de cada um e de todos. Estamos no cerne do realismo cristão, mas não chegaríamos aqui só por nós, mais atreitos que somos a fugir do que a permanecer, quando a vida dói”, salientou.

Na homilia desta Sexta-feira Santa, D. Manuel Clemente salientou ainda a “espantosa coincidência” que a Paixão de Cristo mostra entre o “que nela vemos com o que somos realmente, como humanidade sofrida e esperançosa”. “Aquela objetividade total, onde se figurou o drama humano, de qualquer espaço ou tempo, atrai-nos a mente e o coração e não nos deixa sair de ao pé da cruz, que assim mesmo nos salva. É deste modo que Cristo reina em nós, pela verdade com que nos atrai e abrange. E assim nos podemos interpretar, a nós e ao próprio mundo, no quinhão que a todos toca de dor e de esperança”, prosseguiu.

No final da homilia da celebração da Paixão do Senhor, na Sé, o Cardeal-Patriarca pediu a atenção dos fiéis aos “clamores” de quem “pede de comer e de beber”, “acolhimento ou agasalho” ou de quem “clama do hospital ou da prisão”. “Demos a cada um destes clamores o sentido que deva ter, mas não lhes reduzamos a importância essencial e determinante. São as fronteiras inclusivas do Reino de Cristo e só dentro delas nos podemos manter como realmente seus”, sublinhou. “Sabemos bem que Deus ouve. Mas a sua resposta liga-se à que nós próprios dermos ao que nos pede em Cristo, presente em quem sofre”, assinalou.

 

 

“Só com os outros”

Na Missa da Ceia do Senhor, no final da tarde de Quinta-feira Santa, 1 de abril, D. Manuel Clemente começou por referir que “a insistência de Jesus em lavar os pés a Pedro revela o modo como o próprio Deus nos serve, para nos ensinar a fazer assim e só assim”. Porém, “a resistência de Pedro é a mesma que mantemos quanto a reconhecer como Deus é e não como O imaginamos, ou nos projetamos. Grande alienação, de facto, que nos alheia da verdade de Deus, dos outros e de nós próprios”, considerou o Cardeal-Patriarca. “Humildade e verdade são irmãs gémeas e nunca vai uma sem a outra. A humildade mantém-nos na verdade. A nossa verdade, de sermos realmente pequenos, frágeis e insuficientes – e nem precisaríamos que a atual pandemia o lembrasse”, reforçou.

Nesta primeira celebração do Tríduo Pascal, D. Manuel Clemente referiu-se aos “tempos difíceis que vivemos” e salientou a importância de “manter” os bons exemplos de “realização feliz de muitos que servem, cuidam e realmente se interessam pelo bem dos outros”, mesmo “depois de vencida a pandemia, para a continuarmos a exercitar em relação a tudo quanto falta e é tamanho, rumo a um mundo mais fraterno, solidário e inclusivo”. “Importante será reconhecermos que só com os outros e para os outros seremos inteiramente nós, na humildade e no serviço”, apontou.

No início da noite de Quinta-Feira Santa, o Cardeal-Patriarca destacou as palavras finais do episódio do ‘Lava-Pés’, para apontar a “escuta atenta da Palavra de Deus e a celebração sacramental autêntica” como formas de aprender “a ser como Cristo no mundo”. “Farão de nós ‘cristãos’ substantivos e não adjetivados apenas. Na leitura que escutámos há pouco, poucas frases bastaram para São Paulo transmitir aos coríntios o gesto e o significado da Eucaristia. Os símbolos dispensam acrescentos que distraiam, como a caridade vale sem mais e só por si”, frisou.

Por fim, D. Manuel Clemente apelou a que não se “ofusque” a humildade divina “com nada que a iluda”. “Guardemos a autenticidade litúrgica dos primeiros séculos cristãos, como quis o Concílio que recebemos, gratos e convictos. (...) Não atrasemos a nossa rendição ao essencial, não demoremos em estar no mundo, servidores e essenciais também”, concluiu.

 

 

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Missa Crismal | Pós-pandemia terá de ser um tempo “de todos para todos”

Neste ano, para a Missa Crismal, devido às restrições causadas pela pandemia, foram convocados apenas os cónegos não jubilados e os membros do Conselho Presbiteral. Na Sé de Lisboa, o Cardeal-Patriarca, dirigindo-se especialmente aos sacerdotes, agradeceu os “muitos exemplos de solidariedade que sacerdotes, instituições e comunidades cristãs deram e continuam a dar” no combate à pandemia, e considerou que o que “há de vir” após a pandemia “terá de ser certamente mais capaz, de todos para todos”. “O mundo global só sobreviverá assim”, assegurou. “Com Jesus, pensaremos noutro modo de sermos sociedade, outro modo de viver e conviver, não só na quantidade que baste, mas sobretudo na qualidade que humanize. Mais justos, dando a cada um o que lhe é devido. Mais comedidos, para não faltar a ninguém. Mais educados, para fruir sem desgaste e consumir sem desperdício. Porque, na verdade, nada em nós começa e nada em nós acaba”, sublinhou.

Por fim, referindo-se ainda à última etapa da receção sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa, dedicada à caridade, D. Manuel Clemente incentivou a prosseguir, “para que o ano da graça anunciado na sinagoga de Nazaré, continue agora e com renovado empenho”.

 

 

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Celebrações tiveram transmissão online

Todas as celebrações da Semana Santa, na Sé de Lisboa, foram transmitidas em direto, através do site e redes sociais do Patriarcado de Lisboa. As homilias das celebrações podem ser lidas em www.patriarcado-lisboa.pt.

texto por Filipe Teixeira; fotos por Diogo Paiva Brandão e Filipe Teixeira
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