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“Desarmar sentimentos negativos com a oração”
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O Papa Francisco lembrou que as “preces vocais” são uma “âncora”. Na semana em que o Vaticano lançou um novo projeto multimédia, o Papa escolheu o tema do primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos e pediu gestos de paz na Ucrânia. O Papa emérito Bento XVI celebrou 94 anos.

 

1. O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses semanais que tem dedicado à oração, sublinhando a importância que a Bíblia dá às palavras. “Se, perante a violência, não houvesse palavras para tornar inofensivos os maus sentimentos, para os canalizar de modo a não serem prejudiciais, o mundo inteiro seria inundado por eles”, referiu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 21 de abril, pedindo aos cristãos que mantenham a “prece vocal” como referência nas suas orações, porque ela é como uma “âncora” e “a mais segura”, porque pode ser praticada sempre. “Nenhum de nós nasce santo, e quando os sentimentos negativos batem à porta do nosso coração, devemos ser capazes de os desarmar com a oração e com as palavras de Deus”, afirmou, na biblioteca do Palácio Apostólico, no Vaticano.

Francisco pediu que não se despreze o exemplo dos mais velhos, que considerou os “grandes intercessores” das paróquias. “Deveríamos ter a humildade de certos idosos que, na igreja, talvez porque a sua audição já não é aguda, recitam em meia-voz as orações que aprenderam quando eram crianças, enchendo a nave de sussurros”, considerou, lamentando que haja quem menospreze esta forma de estar e rezar, como se fosse uma coisa de “ignorantes”. “Não se caia na soberba de desprezar a oração vocal, a oração dos simples, a que Jesus nos ensinou: Pai-Nosso que estás nos céus”, acrescentou.

No final da audiência-geral, Francisco saudou os ouvintes de língua portuguesa, a quem deixou o convite para que nunca abandonem “as orações simples que aprendemos desde pequenos no seio da nossa família e que guardamos na memória do coração”, porque “são vias seguras de acesso ao coração do Pai”.

 

2. O Vaticano lançou, no dia 20 de abril, um novo projeto multimédia, com uma série de vídeos denominados ‘Beleza escondida - Os segredos dos Museus do Vaticano’. A iniciativa, em articulação entre os Museus do Vaticano e o portal Vatican News, pretende revelar “os segredos das coleções pontifícias, histórias pouco conhecidas e curiosidades universalmente ocultas por detrás da beleza”. Os conteúdos divulgados online e nas redes sociais pretendem oferecer um novo olhar aos Museus do Vaticano que, nos últimos meses, permaneceram fechados devido à pandemia.

O primeiro episódio destaca uma das obras identitárias dos Museus do Vaticano, o ‘Torso Belvedere’, um torso incompleto de homem, em mármore branco, da escola ateniense do primeiro século antes de Cristo, que inspirou vários artistas, incluindo Miguel Ângelo.

 

3. Durante a pandemia, o Papa Francisco decidiu instituir, pela primeira vez, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos e, para fixar este evento, escolheu o quarto Domingo de julho, próximo da festa litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, que a Igreja celebra a 26 de julho. Assim, em 2021, o primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos assinala-se a 25 de julho e o tema escolhido pelo Santo Padre foi divulgado esta semana: ‘Eu estou contigo todos os dias’. Em comunicado, o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida refere que o objetivo deste tema é “expressar a proximidade do Senhor e da Igreja à vida de cada idoso, especialmente neste momento difícil de pandemia”. “É também uma promessa de proximidade e de esperança que jovens e idosos possam entender-se mutuamente”, pode ler-se no comunicado.

Para este dicastério, “não são só os netos e os jovens que são chamados a estar presentes na vida dos idosos, mas os avós e as pessoas idosas também têm uma missão evangelizadora, uma missão de anunciar, de rezar e de gerar jovens para a fé”.

A Santa Sé incentiva as dioceses do mundo inteiro a prepararem, nas igrejas locais e realidades associativas, a celebração deste dia dedicado aos avós e aos idosos e propõe-se, em meados de junho, fornecer algumas ferramentas pastorais que estarão disponíveis no site www.amorislaetitia.va.

 

4. O Papa apela a que se evite o aumento da tensão na Ucrânia. Francisco manifestou preocupação com as sucessivas violações de cessar-fogo e aumento de atividades militares na zona oriental e pediu gestos que promovam confiança, reconciliação e paz. “Observo com preocupação os acontecimentos em algumas áreas do leste da Ucrânia, onde nos últimos meses aumentou a violação do cessar-fogo, e com inquietação o aumento da atividade militar”, afirmou, na oração Regina Caeli, desde a janela do Palácio Apostólico, no Vaticano, pedindo “gestos capazes de restabelecer a confiança recíproca e favorecer a paz”, e lamentando a “grave situação humanitária” em que se encontra a população da região.

No passado Domingo, 18 de abril, o Papa disse estar feliz por voltar à varanda. “Graças a Deus, podemos reunir-nos de novo nesta praça, para o nosso encontro dominical e festivo. Digo-vos uma coisa: sinto saudades da praça quando tenho de presidir ao Angelus, na biblioteca. Estou feliz. Dou graças a Deus e agradeço-vos a vós, pela vossa presença”, declarou.

 

5. Para assinalar os 94 anos de Ratzinger, cumpridos a 16 de abril, a produtora espanhola Goya Production lançou, naquele dia, o documentário ‘Bento XVI, Papa emérito’, com a assinatura de Andrés Garrigó. O filme recolhe testemunhos de vários colaboradores, cardeais e amigos do Papa emérito, incluindo o seu secretário pessoal, arcebispo Georg Gaenswein, e revela que muitos deles tentaram dissuadir Bento XVI da decisão de resignar, mas que Ratzinger nunca se arrependeu.

Também a imprensa italiana destaca uma recente edição que reúne homilias e comentários ao Evangelho escritas por Ratzinger, ‘100 omelie e Commenti ai Vangeli’, com prefácio do cardeal Angelo Comastri que, há oito anos, era vigário do Papa para a Cidade do Vaticano e testemunhou a sua despedida do Palácio Apostólico. “Assim que vi o Santo Padre Bento XVI sair do elevador, apercebendo-me da gravidade daquele momento, comecei a chorar. E espontaneamente saíram-me do coração estas palavras: ‘Santo Padre, é um momento de tristeza’. O Papa Bento XVI olhou para mim, quase surpreendido, e depois tocou suavemente com a sua mão na minha face, como se quisesse enxugar uma lágrima, e sussurrou-me, com voz suave: ‘Não, nenhuma tristeza! Só Jesus é indispensável e Jesus continua a segurar o leme da barca da sua Igreja! Avance com confiança!’ Nestas palavras pude sentir o perfume da sincera humildade e da fé forte fé do Papa Bento XVI”, partilhou.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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